Indefinição do PT prejudica Dilma

Do jornal ‘Valor Econômico’:
A sucessão de vitórias dos candidatos presidenciais do PSDB em São Paulo está lastreada no domínio do seu grupo político sobre o governo estadual de quase três décadas. Ocupantes do Palácio do Bandeirantes desde 1982, com a eleição de Franco Montoro, os tucanos, à época ainda no PMDB, só ficaram fora do poder estadual na administração Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB), entre 1991-1995.
Além da máquina estadual, os tucanos têm o maior número de prefeituras do Estado, 205, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. O PMDB, com 69 prefeituras, está alinhado ao PSDB no Estado. Junto ao DEM, que elegeu 75 prefeitos em 2008, os três partidos controlam 54,1% dos 645 municípios.
Com apenas 64 prefeituras, 10% do total, o PT aposta na divisão do PMDB para aumentar sua capilaridade no interior. O declínio do malufismo ajudou o partido a conquistar mais votos no Estado, com a polarização com o PSDB, mas não foi suficiente para que seus candidatos ao governo ampliassem os votos da faixa dos 30%, registrados em 2002 e 2006.
A dificuldade do PT no Estado é histórica. Sem nunca ter eleito um governador, o melhor desempenho do partido foi em 2002, quando José Genoino foi para o segundo turno impulsionado pela candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência . Foi a única eleição em que Lula ganhou no primeiro turno no Estado e a única em que o candidato a governador chegou ao segundo turno.
Apesar de ainda não ter candidato, o PT já traçou a diretriz do discurso para a disputa estadual. Além de mostrar que vitrines do governador do Estado, José Serra (PSDB), têm recursos do governo federal, o partido focará em vulnerabilidades da gestão tucana: reprovação escolar, aumento de latrocínios e enchentes, segundo enumera documento interno do PT “O projeto neoliberal de Serra”. A atuação dos governos estadual e federal na crise econômica mundial será alvo de comparações. O partido dirá que o governo Lula foi mais agressivo na redução de impostos. Outro ponto a ser explorado pelo PT é a evasão de empresas para outros Estados.
O principal problema do PT estadual hoje é a escolha do candidato.À espera do deputado Ciro Gomes (PSB), o partido avalia que a indefinição já atrapalha a campanha da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência. Depois do Carnaval haverá reunião entre petistas e Ciro, mas o PT já trabalha com a candidatura do senador Aloizio Mercadante como “plano B”. Ele terá destaque nas próximas inserções partidárias estaduais, ao lado de Dilma. O senador resiste à ideia e diz pleitear a reeleição. O PT insiste e para convencê-lo ofereceu até a candidatura à Prefeitura de São Paulo, em 2012.
Na impossibilidade de Mercadante, o PT aposta no ministro da Educação, Fernando Haddad, para nacionalizar o debate com a comparação de suas ações no ministério com os tucanos. O presidente do PT paulista, Edinho Silva, esteve na semana passada em Brasília para conversar com o ministro. Setores petistas resistem a Haddad , por considerá-lo com pouco trânsito na máquina partidária.
O PSDB tentará ampliar os votos em redutos petistas, como a periferia das zonas sul e leste da capital. Exemplos dessa estratégia são a entrega de escolas técnicas estaduais nessas áreas pelo secretário estadual de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, e o uso dos Centros Educacionais Unificados (CEUs) também para o ensino profissionalizante. Até o fim do ano, o governo e a prefeitura, governada pelo DEM, pretendem levar cursos técnicos a 21 CEUs, bandeiras da ex-prefeita Marta Suplicy (PT).
Alckmin deve lançar-se à disputa estadual assim que Serra anunciar sua eventual candidatura à Presidência. Além da atuação na capital paulista, Alckmin intensificou viagens ao interior do Estado, onde concentra seu eleitorado e tem boa relação com os prefeitos.
O problema do PSDB em São Paulo está em montar a chapa estadual. O quadro ideal , segundo tucanos, seria o DEM na vice, com Guilherme Afif Domingos, secretário de Serra, e PMDB e PTB nas vagas para o Senado, com o ex-governador Orestes Quércia e o senador Romeu Tuma. Mas as complicações começam com a indicação do vice, pois Alckmin desgastou-se com o DEM quando concorreu à Prefeitura de São Paulo, em 2008, contra o prefeito, Gilberto Kassab (DEM). Afif, aliado de Kassab, resiste, segundo aliados de Serra. Outro problema é em relação às vagas para o Senado: o deputado José Aníbal pretende lançar-se à disputa pelo Senado. A definição só deve se dar em março. (CA e APG)”