O desprezo de Cabral pela Igreja

O Rio de Janeiro viveu esta semana momentos inesquecíveis, com a presença do Papa Francisco e jovens de 180 países que ocuparam todos os cantos da cidade, com sua música, sua alegria e sua fé, para celebrar mais uma Jornada Mundial da Juventude.
O evento foi anunciado há três anos, mas as autoridades nada fizeram para que ele funcionasse dentro dos padrões mínimos da dignidade humana. O suceso da JMJ se deve, única e exclusivamente, a Francisco e aos jovens peregrinos e voluntários, com suas camisetas verdes e amarelas.
Aeroportos, arenas, estádios, hotéis estão sendo construídos ou reformados apenas para os eventos da Copa e das Olimpíadas – para atender aos cartolas estrangeiros e encher os bolsos dos governantes.
Para os peregrinos… nada
Nos últimos quatros dias, enfrentando a chuva e o frio, o Rio reuniu, diariamente, três milhões de pessoas, que não receberam o mínimo necessário para participar do encontro com o Papa: transportes e banheiros públicos.
Lamentavelmente a cidade é governada por gente sem a menor qualificação moral ou administrativa.
O governador, tão compenetrado hoje na missa de Francisco, quer distância da Igreja. E sempre foi assim.
Quando Dom Orani foi nomeado Arcebispo do Rio de Janeiro, ele poderia ter passado pelo Palácio São Joaquim – a caminho do aeroporto onde embarcaria para Londres. E não se tem notícia de que ele tenha dado ao menos um telefonema para parabeniza-lo. Dias depois, quando Orani assumiu a Arquidiocese, Cabral estava em Paris – cidade onde ele conhece bem as catedrais de Notre-Dame e de Sacre-Coeur. O mesmo não ocorre com a Catedral da Avenida Chile ou o Santuário de Aparecida.
Seu desprezo pela Igreja, assim como pela cidade, é total e irreversível.
Em 2007, o Cristo Redentor disputava o privilégio de ser uma das 7 Maravilhas do Mundo. O monumento ganhou o título sem que o governo do Rio tivesse movido uma única palha. A eleição era por votação popular, mas o portal do Governo do Estado não indicava nem ao menos o link do concurso.
Na ocasião, os governadores de Minas e de São Paulo, mais atentos a importância do momento, vieram ao Rio e subiram o Corcovado. Essas foram as duas únicas vezes que Cabral esteve lá, como um verdadeiro papagaio de pirata. Aécio Neves e José Serra entenderam, muito corretamente, que a eleição do Cristo não seria boa apenas para o Rio, mas para todo o país. Afinal o Cristo Redentor é do Brasil, assim como as Pirâmides são do Egito, a Torre Eiffel da França, e o Taj Mahal da Índia.
Na época, escrevi em ‘O Dia’, que o governo não se movimentava para a eleição do Cristo, pois essa eleição não se traduzia nem em verbas, nem em obras ou em benesses de empreiteiros. E por isso não proporcionava superfaturamentos, bocas-livres, caixinhas e mordomias.
Nos últimos anos, paróquias de todo o mundo se movimentaram na organização de quermesses e shows beneficentes, na busca de donativos para que pudessem enviar seus jovens ao Rio – hospedados, em quase sua totalidade em igrejas, colégios e casas de católicos. Os peregrinos são humildes, e por isso ocuparam apenas 67% dos quartos de hotéis.
Mas fazer o que?
Em julho de 2010, já com o Rio escolhido para cidade sede da JMJ, um vândalo subiu o Corcovado e pichou o Cristo Redentor. Bastaria um par de PMs, ao lado do monumento, durante 24 horas, para que o ato não se consumasse.
Mas Cabral prefere utilizar sua PM em outras empreitadas como matar pobres e reprimir manifestantes. No dia da pichação, o governador não deu uma única declaração sobre o vandalismo. Assim como nunca encomendou uma missa pelas vítimas das enchentes de Angra e das cidades da Serra, ou pelos soterrados no morro do Bumba, em Niterói. Só teve esta preocupação, quando da tragédia com um avião da Air France. Aí sim, o Governo do Estado encomendou missa na Candelária com direito a anúncio de meia página nos principais jornais do país.
No dia em que o Prefeito anunciou R$ 5 mil de recompensa para uma pista contra o vândalo que pichou o Cristo, a Polícia Federal da Colômbia pagava US$ 5 milhões pela prisão de um traficante. Em dinheiro da época, um colombiano trancafiado valia 1 mil e 800 vezes mais do que um Cristo Redentor limpo.
Essa é a nossa cidade, e esses são os nossos governantes.
O Cristo que se dane…