Presentes para Dilma

     Dos repórteres Marcio Falcão e Flavia Roque, da ‘Folha’:
     “Desde que um ex-metalúrgico deu lugar a uma ex-guerrilheira no comando da Presidência, as caixas e cartas endereçadas ao Palácio do Planalto ganharam novo perfil.
Camisas de futebol foram substituídas por orquídeas -são as preferidas da presidente Dilma Rousseff. Também ficou para trás o tempo em que a Presidência recebia camisas “guayaberas”, modelo apreciado por Lula.
Agora outras peças do vestuário são mais recorrentes, como as echarpes que Dilma ganhou após aparecer com uma ao receber o presidente Barack Obama no Brasil.
Até o mês passado, a equipe que recebe os presentes registrava a entrega de 3.677 regalos, de objetos valiosos a pequenas lembrancinhas. E cabe à Dilma dar um destino a todos eles, expostos no corredor que liga seu elevador privativo ao gabinete de trabalho no 3º andar do palácio.
Os presentes podem ir para um depósito no Palácio da Alvorada ou ser escolhidos por ela para uso diário. Segundo assessores, Dilma gostou muito de duas bolsas da estilista Martha Medeiros.
Se os acessórios diferenciam Lula de Dilma, o mesmo não pode ser dito sobre os quadros que chegam à Diretoria de Documentação Histórica. Assim como seu antecessor, a presidente também serve de inspiração para pintores brasileiros, que às vezes retratam a mandatária com um semblante mais jovem e alguns quilinhos a menos.
Os quadros também já foram escolhidos por autoridades para presenteá-la: foi com uma pintura de Antônio Poteiro que o governador tucano Marconi Perillo (GO) quis fazer um agrado a Dilma.
Mas nem sempre é algo que ela recebe. Cerca de um terço das 74.259 correspondências que chegaram ao palácio até março trazem críticas à Justiça ou à administração.
Tal como os presentes, todas as mensagens são catalogadas e classificadas. O historiador Cláudio Soares Rocha, responsável pelo departamento que recebe os textos, notou um aumento no volume de cartas e e-mails de mulheres após a posse de Dilma.
O perfil das mensagens também mudou. Antes mulheres e mães de presos pediam o indulto de companheiros e filhos a Lula; agora são os próprios presidiários que recorrem a Dilma.
Mensagens do exterior também chegam ao Planalto e são lidas pela equipe de 30 servidores do departamento.
Trecho de carta recebida em 27.fev.2012:
“Senhora Dilma, espero que essas poucas palavras possa (sic) chegar a sua mãe e que a senhora possa ter um pouco de atenção (…) Nós vamos completar 25 anos de casamento e eu queria dar um presente para ele [meu marido], e o que ele mais quer é uma oficina, por favor. Me dê o que Deus tocar no seu coração.”
As correspondências passam por uma triagem e são catalogadas por assunto. Já os presentes têm o destino decidido pela própria Dilma. Em geral, são encaminhados ao depósito do Palácio da Alvorada
O servidor Sérgio Barbosa Silva, 55, vai quase todos os dias à agência dos correios da rodoviária de Brasília para mandar cartas para a presidente. “Sugiro melhorias para o povo, para as futuras gerações”, conta ele”.