• Domingo, 01 Julho 2012 / 10:52

E o Rio quanto está gastando?

Dos repórteres Cássio Bruno e Dório Ewbank Victor, do ‘Globo’:
“O uso da máquina pública por prefeitos no estado do Rio se intensificou antes do início oficial da campanha, marcada para a próxima sexta-feira. Candidatos à reeleição, eles investem de forma excessiva em propaganda institucional, realização gratuita de serviço sociais e inaugurações e visitas de obras, o que configura crime para a Justiça Eleitoral.
Em Nova Iguaçu, a prefeita Sheila Gama (PDT) contratou uma agência de publicidade por R$ 5 milhões. Até a última semana havia distribuição de jornais informativos com notícias sobre a administração da pedetista, além de anúncios de futuros projetos. Também é possível ver outdoors com as mesmas propagandas.
Uma das promessas divulgadas é o aeromóvel (veículo leve sobre trilhos). A iniciativa, apresentada há um ano e meio, nunca saiu do papel. Vai custar R$ 279 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. Segundo o Ministério das Cidades, não há previsão do dinheiro ser repassado. Sheila também recorre a ações sociais e visitas a obras. Na semana passada, ela esteve no bairro Mangueira com o candidato a vereador Nagi Almawy (PDT).
Em São João de Meriti, o prefeito Sandro Matos (PDT) faz reuniões com moradores, chamada de “prestação de contas”. Nos encontros, Matos exibe vídeos com as ações de seu governo. Em março deste ano, Matos foi a Vilar dos Teles, no centro cultural do vereador Bebeto da Veggi (PHS), também candidato à reeleição. Pelo menos 500 moradores compareceram. No local, ele falou sobre a reforma de escolas e melhorias no sistema de drenagem na cidade”.

  • Domingo, 01 Julho 2012 / 10:48

Paes vai massacrar adversários na TV

De Italo Nougueira e Paulo Gama, da ‘Folha’:
“A mega-aliança de 20 partidos formada pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), garantiu ao candidato à reeleição mais da metade do tempo de TV destinado à propaganda eleitoral.
Paes terá mais de 16 minutos em cada bloco do horário político, de 30 minutos de duração. Sua coligação é maior que a do governador Sérgio Cabral (PMDB) em 2010, que teve 16 partidos.
Para definir a duração da propaganda, a Justiça considera o número de deputados federais que cada partido da coligação elegeu em 2010. Por isso a ampla aliança formada por Paes lhe dá vantagem.
O tempo do atual prefeito na TV será três vezes maior do que o do segundo colocado na divisão, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM).
Maia terá pouco menos de quatro minutos para fazer sua campanha. Ele perdeu quase um minuto após o STF definir que o PSD, que apoia Paes, terá direito a participar da divisão do tempo.
Com a supremacia do peemedebista, os adversários do prefeito negociam um pacto de não agressão. O foco será atacar o que consideram pontos fracos de Paes para tentar provocar um segundo turno.
Também apostam na internet como alternativa para driblar o domínio de Paes na TV”.

  • Domingo, 01 Julho 2012 / 10:43

Pesquisas demais e de menos

Marcos Coimbra*

Nas democracias avançadas, quando se fala em pesquisa, subentende-se “de opinião pública”. São tão habituais que é desnecessário explicá-las.
No Brasil, acontece um fenômeno diferente. A palavra pesquisa está fortemente ligada ao contexto político-eleitoral. Ela se confunde com a ideia de “intenção de voto”.
Nosso sistema político usa muito parcimoniosamente as pesquisas de opinião pública. Temos, por exemplo, a cada semestre, não mais que três ou quatro pesquisas — destinadas à divulgação — de avaliação do governo federal e de aspectos específicos da realidade nacional.
É claro que existem outras, feitas para consumo interno — de monitoramento de opiniões e sentimentos ou para subsidiar a política de comunicação do governo. Também acontecem pesquisas para identificar modos de utilização e níveis de satisfação com políticas particulares. São raramente publicadas.
Algo semelhante ocorre no plano estadual e municipal. Governos estaduais e prefeituras mandam fazer pesquisas análogas às que a União contrata — sempre de uso restrito.
A população só tem acesso, portanto, às poucas que a imprensa e algumas entidades — em especial as organizações patronais — mandam fazer.
É menos que o padrão internacional.
Até os maiores grupos de comunicação não consideram — pelo que parece — necessário saber o que pensa a opinião pública. Se aprova ou desaprova medidas tomadas pelos governos, se concorda ou discorda com propostas em discussão, se faz ou deixa de fazer alguma coisa.
Salvo exceções — muitas de relevância menor (“Qual o time de futebol com mais torcedores?”) — a imprensa realiza seu trabalho sem dar importância às pesquisas de opinião.
Talvez porque seus dirigentes estejam convencidos de que sabem o que a população pensa e se sintam seus intérpretes fiéis — presunção exagerada e quase nunca verdadeira, como vemos a cada vez que ela se manifesta diretamente, como nas eleições.
Por essa e outras razões, as pessoas comuns se acostumaram a associar pesquisa e eleição. O que é natural: afinal, passam meses sem nada ver além dos resultados de esporádicas pesquisas de avaliação do governo federal. Até a véspera das eleições.
Aí, são inundadas por números. Nos três meses que antecedem o dia de votar, saem pesquisas a torto e a direito. Na reta final, são tantas que até os mais interessados se confundem.
Agora mesmo tivemos um exemplo disso. Sem que tenhamos chegado à fase em que pululam, saíram duas, do mesmo instituto, sobre a eleição de São Paulo, com intervalo de apenas 10 dias.
Ambas foram feitas pelo Datafolha, a primeira entre os dias 13 e 15 e a outra entre 25 e 26 de junho. Qual a razão de tanta pressa em realizar a nova?
O único motivo seria checar o efeito da foto em que Lula e Paulo Maluf aparecem juntos, na ocasião em que a aliança do PT com o PP foi sacramentada. Se não fosse a imagem dos dois se cumprimentando ao lado de Fernando Haddad, seria algo tão banal que nem justificaria a repetição da pesquisa. Para lembrar: o PP apoia Eduardo Paes (PMDB) e Marcio Lacerda (PSB), no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, respectivamente, sem que ninguém tenha dado a isso qualquer destaque.
A pesquisa mostrou o óbvio: que nada mudou em relação à anterior. Mas foi apresentada como se trouxesse “fatos novos”, politicamente significativos.
A começar pelo resultado mais destacado: que os simpatizantes do PT não gostaram de ver Lula ao lado de Maluf. Será que alguém — por exemplo, o próprio ex-presidente — achava que ficariam felizes?
A pergunta que interessa é outra: os eleitores do PT e os admiradores de Lula decidiram-se a não votar em Haddad por causa da foto? São muitos os votos certamente perdidos?
A pesquisa não diz isso — e nem poderia, à distância em que estamos do pleito e frente a um eleitorado ainda “frio”. Mas foi tratada jornalisticamente como se o dissesse.
Às vezes, pesquisa demais termina sendo pior que de menos.
*Marcos Coimbra é sociólogo, preside o Instituto Vox Populi e escreve na ‘Correio Braziliense’.

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