• Segunda-feira, 23 Julho 2012 / 17:32

AeroCabral, novo brinquedo do fanfarrão

O governador do Rio está louco para fechar o contrato com a empresa que alugará, por R$ 3,5 milhões anuais, o AeroCabral – para Sua Excelencia e madame.
Cabral exige que o brinquedo tenha 9 poltronas giratórias – o suficiente para o casal, os cinco filhos e as duas babás.
O jatinho terá autonomia para vôos, sem escala, de 7 horas e 15 minutos.
Não dará para ir direto a Paris, o seu grande amor.
Para isso ele terá de fazer escala em Recife, Natal ou Fortaleza.
Mas poderá ir direto a Miami, onde o governador tem uma penca de amigos.
Grandes amigos…

  • Domingo, 01 Julho 2012 / 18:30

Para terminar bem o domingo

  • Domingo, 01 Julho 2012 / 11:21

Em Paris, Cabral desconhece a Unesco


O Rio recebeu hoje, da Unesco, o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, na categoria Paisagem Urbana.
É a primeira cidade mundo a conquistar tal honraria.
* * *
A Unesco tem sua sede em Paris e, verdade seja dita, Sergio Cabral não tem absolutamente nada a ver com isso.
Mas já já ele dirá que o título deve-se a suas inúmeras viagens a Capital francesa, assim como ele tenta faturar a Copa e as Olimpíadas.
Como se alguem na Fifa ou no COI soubessem que é Sergio Cabral…

  • Domingo, 01 Julho 2012 / 11:11

Maluf apoia Eduardo Paes

A grita foi geral quando Lula foi fotografado ao lado de Maluf, que apoia Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo.
É bom lembrar que o PP de Maluf, no Rio, apoia Eduardo Paes.

  • Domingo, 01 Julho 2012 / 11:07

Sergio Cabral, o amigo pé frio

Sergio Cabral está mal de amigos íntimos.
Primeiro foi Fernando Cavendish que assiste a sua Delta ser transformada em farelo.
Agora é a vez de Eike Batista que empobreceu 20% em tres dias.

  • Domingo, 01 Julho 2012 / 11:05

Petrobrás, o fim da farra

Do colunista Ilimar Franco, no Panorama Político do ‘Globo’:
“A presidente da Petrobras, Graça Foster, decidiu segurar e rever todos os patrocínios concedidos pela empresa. Sua posição atinge eventos, congressos, publicações, filmes, projetos culturais e conferências setoriais e temáticas promovidas pelo governo federal e que tinham patrocínio da estatal. Os marqueteiros petistas estão em polvorosa e, atônitos e irritados, perguntam: “Quem essa Graça Foster pensa que é? A Dilma da Dilma?”

  • Domingo, 01 Julho 2012 / 11:03

Índices e urnas

Tereza Cruvinel*

Asemana terminou com a presidente Dilma Rousseff no píncaro da popularidade, segundo a pesquisa CNI-Ibope: 77% de aprovação pessoal e 59% de avaliação positiva para o governo, contrastantes com os números deprimidos da economia. No Congresso, os aliados reclamam de descaso e centralismo mas continuam votando MPs e tudo o mais que o governo manda. E assim será enquanto ela cavalgar esses índices. Se chegar com eles à virada de 2013 para 2014, dificilmente não disputará a reeleição, mas isso dependerá muito mais do vigor econômico que da eleição de prefeitos aliados.
Os números da economia são quase sombrios diante dos algarismos brilhantes da avaliação do governo. O aumento do investimento, este ano, será de apenas 1%, contra 4,7% em 2011. A previsão de crescimento do PIB foi rebaixada, de 3,5% para 2,5%, inferior portanto ao “pibinho” de 2011, de 2,7%. A agricultura encolherá 1,5% e a indústria crescerá apenas 0,5%. O consumo das famílias deve cair de 4% para 3,5%. Se o governo não controla a variável internacional, tenta reduzir a inibição dos agentes econômicos diante da crise. Começou a semana passada lançando mais um pacote de incentivos e terminou-a prorrogando a redução de IPI para a linha branca e os móveis.
A campanha eleitoral produzirá espumas flutuantes e até alguns alinhamentos importantes, mas é preciso relativizar suas consequências. Os partidos costumam aumentá-la porque isso os valoriza e traz facilidades. Já o bolso dos cidadãos afeta a avaliação dos governos e a governabilidade. No Congresso, aparentemente, existe uma oposição minguada e uma gorda base de apoio ao governo. O que existe, em todas as legislaturas, são três blocos. A oposição, obviamente minoritária. Uma outra minoria, disposta a matar e morrer pelo governo que lhe garante oxigênio. E uma vasta “terra do meio”, que se move para um lado e outro, segundo a perspectiva de poder do governante. Se ela é grande, assentada em forte apoio popular, sinônimo de voto, a “terra do meio” encosta na tropa governista. Se as coisas começam a dar errado, reflui para a oposição e o governo começa a amargar a falta de apoio.
Por isso Dilma, atenta ao riscado da economia política, está mais preocupada com o PIB que com as chapas e acordos para a eleição municipal.

Surto de gastança
O governo pega em armas para abortar uma manobra parlamentar que pode levá-lo até a desistir de votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2013. A LDO fixa as diretrizes e os grandes números da peça orçamentária. Deputados governistas apresentaram uma emenda que é o sonho do Judiciário e do Legislativo e o pesadelo do Executivo. Ela fixa um percentual das receitas correntes para o gasto dos dois poderes com pessoal. Como a receita está sempre crescendo, os aumentos salariais ali estarão garantidos para sempre. A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, começa o dia de amanhã tentando convencer o relator, senador Antonio Carlos Valadares, a rejeitar a emenda. Se não conseguir, haverá o enfrentamento no voto. Se o governo perder, desistirá de aprovar a LDO, o que deixará o Congresso sem recesso quando todos estão loucos para bater asas. O tamanho do delírio: R$ 10 bilhões. Quase a metade do que se gasta com o Bolsa Família.

Esfriamento
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) é mesmo uma estrela em alta, mas pode ter errado o passe ao romper com o PT em Recife. Ao ex-presidente Lula, disse na quinta-feira que as brigas do PT pernambucano é que lhe obrigaram a lançar candidato próprio, apoiado por outras siglas governistas. Mas que em 2014 estará firme no apoio à reeleição de Dilma. Lula disse compreender, mas teria advertido que, com esse movimento, Campos plantou a desconfiança na relação com o PT, de cujo apoio dependeria para ser candidato a presidente em 2018.

Mal a pior
Na campanha que começa, os tribunais têm contribuído para piorar o que já é ruim no sistema político-eleitoral. Por exemplo:
»  Ao permitir que o PSD contabilize os deputados que subtraiu de outros partidos para se credenciar ao tempo de TV e aos recursos do fundo partidário, o STF incentivou a infidelidade partidária, doença infecciosa de nosso sistema. Legitimou a burla à vontade do eleitor, que vota no candidato de um partido e esse, depois de eleito, entrega o mandato a outro.
»  Ao fixar normas financeiras para os partidos, o TSE complicou a futura prestação de contas. Cada diretório estadual terá que abrir uma conta bancária com o rótulo “eleições 2012″. Cada diretório municipal fará o mesmo. Cada candidato a prefeito e cada candidato a vereador também. Serão cerca de 400 mil contas, dificultando a fiscalização e facilitando a trapaça.

Ninguém aguenta
Se um dia, quem sabe, talvez, for aprovada uma reforma política, as eleições bianuais terão que ser revistas. O calendário atual duplica o gasto eleitoral e paralisa o Congresso e a administração pública a cada dois anos. Uma saída será reunir todas as eleições num único pleito. Outra, manter a bianualidade, mas elegendo juntos o governador, o deputado estadual, o prefeito e o vereador, e, depois, o presidente, o senador e o deputado federal. Essa é a receita dos que buscam saídas, sejam políticos ou acadêmicos.
*Tereza Cruvinel escreve para o ‘Correio Braziliense’.

  • Domingo, 01 Julho 2012 / 10:59

Delta, mais escândalos

Deu na ‘Folha’:
“Entre janeiro de 2010 e julho de 2011, a Delta pagou R$ 93 milhões a sete empresas de fachada em São Paulo, segundo reportagem da revista “Veja”. Em nome de laranjas, elas seriam controladas pelo empresário Adir Assad.
As transações constam de relatório do coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), do Ministério da Fazenda. No início de junho, um documento do órgão já falava em R$ 47 milhões repassados pela Delta para empresas suspeitas ligadas a Assad.
Na ocasião, Marcello Abbud, parceiro de Assad, disse à Folha que trabalha com “metade das grandes empreiteiras do país”. Nenhuma consultada disse conhecê-lo.
Ontem, a assessoria de Assad reafirmou que ele aluga máquinas para empreiteiras e que, por isso, recebe alto volume de recursos”.

  • Domingo, 01 Julho 2012 / 10:58

Albernaz, o torturador de Dilma

Do repórter Thiago Herdy, do Globo’:
“O capitão Benoni de Arruda Albernaz tinha 37 anos, sobrancelha arqueada, riso de escárnio e fazia juras de amor à pátria enquanto socava e quebrava os dentes da futura presidente do Brasil Dilma Vana Rousseff, na época com 23 anos. Ele era o chefe da equipe A de interrogatório preliminar da Operação Bandeirante (Oban) quando Dilma foi presa, em janeiro de 1970. Em novembro daquele ano, seria registrado o 43 entre os 58 elogios que Albernaz recebeu nos 27 anos de serviços prestados ao Exército.
“Oficial capaz, disciplinado e leal, sempre demonstrou perfeito sincronismo com a filosofia que rege o funcionamento do Comando do Exército: honestidade, trabalho e respeito ao homem”, escreveu seu comandante na Oban, o tenente-coronel Waldyr Coelho, chamado por Dilma e por colegas de cela de “major Linguinha”, por causa da língua presa que tinha.
Quinze anos depois, os caminhos percorridos por Albernaz não o levaram à condição de herói nacional, como ele imaginava. Registro bem diferente foi associado a seu nome na sentença do Conselho de Justiça Militar em que foi condenado a um ano e seis meses de prisão por falsidade ideológica. “Ética, moral, prestígio, apreço, credibilidade e estima são valores que o militar deve desfrutar junto à sociedade e ao povo de seu país. A fé militar e o prestígio moral das instituições militares restaram danificadas pelo comportamento do réu”, concluiu o presidente do conselho, João Baptista Lopes.
A prensa nada tinha a ver com as sessões de tortura comandadas por Albernaz na Oban. Sua agressividade parecia se encaixar como luva na estrutura criada para exterminar opositores do regime. Apenas um ano depois de torturar Dilma e pelo menos outras três dezenas de opositores, ele recebeu das mãos do então governador de São Paulo, Abreu Sodré, o diploma da Cruz do Mérito Policial.
Filho de militar que representou o Brasil na 2 Guerra Mundial, Albernaz nasceu em São Paulo e seguiu a carreira do pai. Classificou-se em 107 lugar na turma de 119 aspirantes a oficial de artilharia em 1956, mesmo ano em que se casou. Serviu no Mato Grosso do Sul antes de ser transferido para Barueri, em São Paulo, no início dos anos 1960.
Tinha fixação pela organização de paradas de Sete de setembro. Estava na guarda do QG do Exército na capital paulista, em fevereiro de 1962, quando o comandante foi alvo de atentado à bala. Conseguiu correr atrás do autor e o espancou. Virou pupilo do general Nelson de Mello, que mais tarde viraria ministro da Guerra no governo de João Goulart.
Estava em férias na noite do golpe militar de 1964 e, ainda assim, apresentou-se espontaneamente para o serviço. Em 1969, representou o comando de sua unidade na posse do secretário de Segurança Pública de SP, o general Olavo Viana Moog, um dos futuros comandantes do grupo que exterminou a Guerrilha do Araguaia.
Neste mesmo ano foi convocado pelo general Aloysio Guedes Pereira para servir na recém-criada Oban, centro de investigações montado pelo Exército para combater a esquerda armada. Foi lá que Dilma o conheceu.
“Quem mandava era o Albernaz, quem interrogava era o Albernaz. O Albernaz batia e dava soco. Começava a te interrogar; se não gostasse das respostas, ele te dava soco. Depois da palmatória, eu fui pro pau de arara”, disse a presidente em depoimento dado, no início dos anos 2000, para o livro “Mulheres que foram à luta armada”, de Luiz Maklouf Carvalho.
Em 2001, em relato à Comissão de Direitos Humanos de Minas Gerais, Dilma afirmou que já tinha levado socos ao ser interrogada em Juiz de Fora (MG), em maio de 1970, e que seu dente “se deslocou e apodreceu”. No mesmo depoimento, ela explicou: “Mais tarde, quando voltei para São Paulo, Albernaz completou o serviço com socos, arrancando meu dente”.
Albernaz era conhecido por se divertir dizendo aos presos que, por ser muito burro, precisava ouvir respostas claras. Tinha na sala um telefone de magneto que era usado para “falar com Fidel Castro”, metáfora para a aplicação de choques elétricos, segundo relato de Elio Gaspari no livro “A Ditadura Escancarada”.
“Quando venho para a Oban, deixo o coração em casa”, explicava às vítimas. Uma delas foi o coordenador do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, Virgílio Gomes da Silva, o Jonas, primeiro preso a desaparecer após a edição do AI-5.
O mesmo general que convocara Albernaz para a Oban anos depois assinou relatório informando que Jonas “evadiu-se na ocasião em que foi conduzido para indicar um aparelho da ALN”. Trinta anos depois, O GLOBO noticiaria a existência de um relatório em que militares admitem a morte do guerrilheiro em decorrência de “ferimentos recebidos”.
- Albernaz era um homem terrível, o torturador mais famoso da Oban naquela época – confirmou ao GLOBO Carlos Araújo, ex-marido de Dilma, que foi preso alguns meses depois dela e submetido aos mesmos procedimentos da ex-mulher.

Renegado pelo Exército e atolado em dívidas

O trabalho na Operação Oban fez com que Benoni Albernaz caísse em desgraça na própria família. Aposentado e dono de uma fazenda em Catalão, Goiás, o pai se chateava ao saber do comportamento do filho:
- Ele usava o poder que tinha para extorquir as pessoas, e o pai ficava triste. Sempre foi uma família esquisita, muito desunida – conta a dona de casa Maria Lázara, de 60 anos, irmã de criação do capitão.
- Olha, acho que uma vez ele caiu do cavalo numa parada militar, antes da ditadura, e o cavalo pisou na nuca dele. A partir daí, ele não ficou bom da cabeça – supõe a prima Noemia da Gama Albernaz, que hoje vive em Cuiabá.
Albernaz deixou a Oban em fevereiro de 1971, quando o aparelho já havia se transformado no DOI-Codi. Por três vezes tentou fazer o curso de operações na selva, mas teve a matrícula recusada. Foi transferido para o interior do Rio Grande do Sul, passando da caça a comunistas às operações de rotina em estradas de fronteira. O Exército tentava renegá-lo. Em março de 1974, foi internado em Porto Alegre, vítima de envenenamento.
Albernaz tinha problemas com dinheiro. Foi denunciado pelo menos cinco vezes por fazer dívidas com recrutas e não pagá-los, apesar das advertências de seus superiores. Estava lotado no setor medalhístico da Divisão de Finanças do Exército, em Brasília, quando foi declarado inabilitado para promoções, por não satisfazer a dois requisitos: “conceito profissional” e “conceito moral”. Em março de 1977, o presidente Ernesto Geisel o transferiu para a reserva.
Em um escritório no Centro de São Paulo, passou a coagir clientes a comprar terrenos vestido com farda falsificada de coronel – embora tivesse sido transferido para a reserva como major – e dizendo-se integrante do SNI.
- Você é uma estrela de nossa bandeira. Vamos investir juntos, ombro a ombro, peito aberto – dizia aos clientes, segundo registros de reclamação levadas ao Exército, pistas que levariam à sua condenação por falsidade ideológica.
Em 1980, intermediou transações de ouro de baixa qualidade no Pará, vendendo como vantagem seu acesso aos garimpos. Nunca foi responsabilizado pelo espancamento, por encomenda, de um feirante de origem japonesa.
- Se não pagar agora, vai preso para o Dops – ameaçou, já em 1979, quando não mais pertencia ao Exército.
O agredido foi à delegacia prestar queixa e, ao saber disso, Albernaz baixou no local.
- Sou amigo íntimo do presidente da República, foi ele quem me deu isso – falou ao delegado, mostrando a pistola Smith & Wesson. – Na lista de torturadores, sou o número 2.
No fim dos anos 1980, Albernaz estava atolado em dívidas. Não conseguiu pagar a hipoteca e foi acionado pelo menos quatro vezes em ações de execução extrajudicial. Sofreu um infarto quando estava no apartamento da namorada, nos Jardins, em São Paulo, em 1992. Chegou morto ao Hospital do Exército. Deixou três filhos e herança de R$ 8,4 mil para cada, resgatados 15 anos após sua morte, quando fizeram o inventário. Nenhum deles quis falar ao GLOBO.
- Siga em frente com o seu trabalho, que a gente está seguindo em frente aqui também – disse o filho Roberto, dentista, desligando o telefone.
- Isso é coisa do passado, gostaria que não me incomodasse – completou a também dentista Márcia Albernaz.
- Esquece nossa família, vai ser melhor para você – disse Benoni Júnior, médico do Exército”.

  • Domingo, 01 Julho 2012 / 10:53

Médici e Geisel armaram Pinochet

Da repórter Júnia Gama, do ‘Globo’:
“Documentos secretos produzidos pelo extinto Estado-Maior das Forças Armadas (Emfa) durante a ditadura militar revelam que o governo brasileiro forneceu armamentos militares ao Chile para a repressão interna no regime do general Augusto Pinochet (1973-1990). Um acordo articulado no governo do general Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) e executado durante os primeiros anos do governo de Ernesto Geisel (1974-1979) repassou à ditadura chilena milhares de fuzis, espingardas, cartuchos de munição, carregadores e outros equipamentos bélicos, como “material destinado à manutenção da ordem interna”.
O GLOBO teve acesso com exclusividade a documentos que mostram que o EMFA determinou, em 17 de janeiro de 1975, que o armamento a ser cedido ao Chile tivesse as Armas da República apagadas para que não fosse identificada a origem brasileira e oficial. Nessa data, o então vice-chefe do Estado-Maior, general Carlos de Meira Mattos, solicita ao chefe de gabinete do Ministério do Exército “providências no sentido de que a fábrica de Itajubá proceda ao esmerilhamento nas estampagens dos emblemas com as Armas da República dos fuzis tipo FAL e FAP que serão cedidos”, diz ofício secreto assinado por Meira Mattos.
O general pede que o mesmo procedimento seja feito no armamento a ser fornecido pela Marinha: “Conforme relação constante do Aviso da referência, o Ministério da Marinha também cederá idêntico armamento ao governo Chileno. Assim sendo, consultamos aquele órgão da possibilidade de efetuar idêntica operação pela Marinha, ou em caso negativo, se deseja que o trabalho seja feito em Itajubá”.
Os documentos integram uma série de 37 volumes de caráter sigiloso e 52 volumes de boletins reservados expedidos pelo extinto Estado-Maior da Forças Armadas, sucedido pelo ministério da Defesa em 1999. O ministro da pasta, Celso Amorim, informou à Comissão da Verdade a existência dos documentos e solicitou ao Ministério da Justiça a criação de um grupo de trabalho para análise e tratamento das informações. Amorim determinou que os volumes sejam transferidos para o Arquivo Nacional.
O então presidente Geisel, que encarregou o Estado-Maior da coordenação das medidas para equipar o Exército do Chile para a repressão interna, também autorizou abertura de crédito ao governo chileno para a compra de material bélico e equipamento militar de produção nacional.
“O senhor presidente da República autorizou a abertura de um crédito, no prazo de quinze anos, de US$ 40.000.000 (quarenta milhões de dólares), para a aquisição de material bélico e equipamentos militares de produção nacional ou em disponibilidade no país”, afirma o ministro-chefe do EMFA, Humberto de Souza Mello, ao ministro da Defesa do Chile, Patrício Carvajal Prado, em 16 de maio de 1974. Em seguida, Souza Mello pede que sejam tomadas as providências junto ao governo do Chile para que o embaixador chileno em Brasília seja “autorizado a realizar os necessários entendimentos com o ministro da Fazenda do Brasil”, Mario Henrique Simonsen.
Os documentos mostram ainda que o governo brasileiro mobilizou o primeiro escalão do corpo diplomático nas gestões para o fornecimento de armas. É o que revela comunicação feita em 7 de maio de 1974, em que Souza Mello encaminha ao então ministro das Relações Exteriores brasileiro, Antônio Francisco Azeredo da Silveira, ofício do ministro da Defesa do Chile. O ofício “versa sobre um empréstimo a ser concedido pelo Brasil e que seria empregado na aquisição de material bélico e equipamentos militares para as Forças Armadas daquele país”.
Na mesma data, Souza Mello destaca o “interesse” do governo brasileiro em atender à demanda de Pinochet e informa ao ministro da Marinha, Geraldo Azevedo Henning, que as Forças Armadas irão ceder ao governo chileno equipamentos de uso próprio, já que parte do material solicitado não estava disponível para venda. “Dado o interesse de nosso governo em atender ao solicitado e considerando-se que do material bélico solicitado uma parte não se encontra disponível no país, enquanto que a outra parte, de produção nacional, não poderá ser entregue a curto prazo (&). Tal análise indicou a possibilidade de serem cedidos armamentos e munições já entregues, pelos fabricantes ou fornecedores, às Forças Armadas”, diz.
Além do armamento fornecido pelas Forças Armadas, a ditadura militar no Brasil intermediou para o governo Pinochet a aquisição de equipamentos bélicos de empresas brasileiras. Ao menos duas empresas brasileiras serviram para enviar armamentos a Pinochet, a Engesa S.A e Mayrink Veiga S.A.
É o que mostra o mesmo documento, de 7 de maio de 1974, em que o ministro-chefe do EMFA encaminha uma “Lista Geral das necessidade das Forças Armadas do Chile”, além da cópia de uma “carta-proposta de Mayrink Veiga S.A. que versa sobre o fornecimento de armamento e munições importados”. “O assunto tratado no documento do Ministério da Defesa do Chile e em seus anexos foi objeto de contatos anteriores, de comissões das Forças Armadas daquele país com os Ministérios Militares, com os fabricantes e fornecedores de material bélico e equipamentos militares e, finalmente, com este Estado-Maior”, esclarece o general.
Em outro despacho, de 25 de novembro de 1974, Meira Mattos informa ao vice-chefe do Estado-Maior do Exército que o “Exército do Chile encaminhou à Engesa S.A.” ofício em que “solicita informações sobre preços, prazos de entrega e demais características técnicas para munições a serem utilizadas nos veículos Cascavel, recentemente adquiridos por aquele exército”. Segundo o general, a Engesa consulta o Estado-Maior sobre como proceder. O general, então, solicita informações sobre “armamentos e respectivas munições que irão equipar os veículos Cascavel e Urutu, vendidos ao Chile”.
Uma lista enumerando milhares de armas a serem fornecidas ao governo chileno está entre os documentos a que O GLOBO teve acesso. Em 9 de outubro de 1974, o então ministro-chefe do Emfa, Antônio Jorge Corrêa, emite comunicado secreto ao presidente da República, general Ernesto Geisel, com documento anexo “referente à exportação e cessão de material bélico para o Chile”. “As providências foram tomadas em obediência à determinação de Vossa Excelência em despacho de 25 de março de 1974 e somente foi considerado o material destinado à manutenção da ordem interna”, pontua Corrêa”.

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