• Quinta-feira, 26 Abril 2012 / 0:46

Dengue no Rio já é epidemia

  • Terça-feira, 24 Abril 2012 / 13:47

CPMI poderá prender Cavendish

       Na CPMI do Cachoeira, a Delta terá lugar de destaque.
E o antes poderoso Fernando Cavendish, o amigão de Sergio Cabral, vai acabar sendo preso.

  • Terça-feira, 24 Abril 2012 / 13:43

Delta deve se tornar inidônea

     Do repórter André de Souza, do ‘Globo”:
     “A Controladoria Geral da União (CGU) abriu ontem um processo administrativa contra a construtora Delta, acusada de irregularidades em vários contratos com o governo federal. Segundo a CGU, a decisão de instaurar o processo tem por base duas operações: a Monte Carlo, conduzida pela Polícia Federal (PF) este ano, e a Mão Dupla, feita em conjunto pela PF e pela própria CGU em 2010. Caso seja considerada inidônea ao final da investigação, a empresa será proibida de firmar novos contratos com o governo federal. A portaria, assinada pelo ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, deve ser publicada hoje no Diário Oficial da União.
A Delta aparece na investigação por suas ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso pela PF na Operação Monte Carlo em fevereiro. Mas desde agosto de 2010, quando veio a público a Operação Mão Dupla, o governo já tinha conhecimento de graves irregularidades envolvendo a Delta. Apesar disso, a decisão para investigar a empresa foi tomada apenas na última sexta-feira, após reunião entre a CGU e a Casa Civil da Presidência da República.
Ontem, o GLOBO mostrou que, mesmo sabendo de desvios de R$ 5 milhões descobertos com a Operação Mão Dupla, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) fechou, desde então, outros 31 contratos com a Delta, no valor total de R$ 758 milhões.
Essa operação identificou em agosto de 2010 um esquema de fraudes em licitações, superfaturamento, desvio de verbas, pagamento de propina, pagamentos indevidos e uso de material de qualidade inferior ao contratado em obras de infraestrutura rodoviária sob responsabilidade do Dnit no Ceará. Na época, a investigação resultou na prisão do então superintendente do órgão no estado, Joaquim Guedes Martins Neto, e do diretor da Delta Aluízio Alves de Souza.
No domingo, o Dnit justificou os novos contratos dizendo que vai esperar a decisão da Justiça e da CGU para tomar medidas em relação à Delta. Ontem, o diretor-geral do Dnit, Jorge Fraxe, voltou a sustentar a mesma posição.
- Cabe ao Dnit somente acatar as determinações dos órgãos de controle. O Dnit não fará nada à revelia dos órgãos de controle – afirmou.
A CGU informou que, durante o processo, a Delta terá direito à ampla defesa e ao contraditório. No caso dos contratos em andamento, analisará caso a caso para verificar se é melhor interrompê-lo”.

  • Terça-feira, 24 Abril 2012 / 13:41

Aldo exonera protegido do Tapioca

    Da colunista Vera Magalhães, no Painel da ‘Folha’:
    “O ministro Aldo Rebelo (Esporte) exonerou discretamente na semana passada o ex-secretário-executivo na gestão Orlando Silva, Waldemar de Souza, que tinha sido encostado em outra função na pasta”.
                            * * *
É óbvio que o ministro Aldo Rebelo teve motivos suficientes para exonerar o protegido de Orlando Silva, o ministro da Tapioca.
Quem for investigar, certamente encontrará.
E Tapioca saiu, mas continua devendo.

  • Domingo, 22 Abril 2012 / 13:35

Cabral e Cavendish, dois fanfarrões

    Dos repórteres Wilson Tosta e Alfredo Junqueira, do ‘Estadão’:
    “Jeito de garotão, simpatia de carioca e leve sotaque que denuncia o nascimento em Pernambuco. O empresário Fernando Cavendish mistura comportamento informal nos contatos pessoais com agressividade peculiar nos negócios. O estilo do dono da Delta Construções, brindado com muitas das obras do governo do Rio e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), confunde-se com a ascensão da empresa que, de modesta visibilidade em Pernambuco, em 15 anos galgou posto de destaque no País.
O bom relacionamento com sucessivos governos fluminenses – Anthony Garotinho (1999-2002), Rosinha Garotinho (2003-2006) e Sérgio Cabral Filho (a partir de 2007) – foi importante na trajetória, agora sob investigação da Polícia Federal e da CPI do Cachoeira.
Até os anos 1990, porém, a Delta e Cavendish viveram trajetórias distintas. A empresa foi fundada em Recife, em 1961, por seu pai, Inaldo Soares. O jovem Cavendish vivia no Rio, onde, de 1986 a 1990, estudou engenharia civil nas Faculdades Integradas (hoje Universidade) Veiga de Almeida. Festeiro e boa-pinta, aproveitou a juventude na noite carioca, mas, após formado, assumiu, aos 27 anos, o Conselho de Administração da Delta, em 1.º de dezembro de 1990. Em 1995, transferiu a matriz para o Rio – sempre que pode, demonstra a paixão pelo Estado. “Gosto de praia”, diz o empresário, que esbanja informalidade e sorrisos. Ele completará 49 anos em 17 de junho.
Uma cartada de Cavendish decisiva para turbinar a Delta foi a aproximação, no fim dos anos 1990, de Garotinho, então uma novidade. Em parceria com outra empreiteira, a Oriente Construção Civil, a Delta ganhou a concessão da estrada RJ-116, de Itaboraí a Macuco, no interior. Foi o Edital 001/99 do Departamento de Estradas de Rodagem do governo que começava. A via tem quatro postos de pedágio a preços que atualmente vão de R$ 3,90 a R$ 15,60, dependendo do tamanho do veículo, e é explorada desde então pelas duas empreiteiras.
A aproximação Cavendish-gestão Garotinho logo no início do governo ajudou o dono da Delta na disputa com empreiteiras maiores, que passaram a ver com reservas a impetuosidade do jovem. Por vezes, o empreiteiro fixou preços supostamente abaixo do mercado, irritando concorrentes. Mais adiante, a empresa tocou obras grandes da Prefeitura do Rio sob o comando de Cesar Maia (DEM), adversário de Garotinho. “Os concorrentes reclamavam que a Delta entrava com preços inviáveis. Mas a empresa sempre entregou as obras a tempo e com o preço contratado”, diz Maia.
Durante a gestão de Maia, de 2002 a 2008, o município contratou, em valores não corrigidos, R$ 331.059.602,42 em obras e serviços da Delta. Hoje, porém, Cavendish já não é mais visto, entre as grandes empreiteiras, como forasteiro. E no governo do sucessor de Maia, Eduardo Paes (PMDB), em valores não corrigidos, fechou contratos de R$ 325.534.422,51.
A primeira eleição de Cabral para governador, em 2006, ocorreu com apoio de Garotinho e de sua mulher e sucessora Rosinha. Cabral foi reeleito em 2010, mas rompido com o casal desde 2007. O fato não afetou a posição da Delta, que ganhou no peemedebista um aliado que facilitou seu acesso ao governo federal. A proximidade com o vice-governador (e ex-secretário de Rosinha), Luiz Fernando Pezão, também foi um fator que ajudou a cacifá-la. Com o crescimento do PAC, a empresa expandiu-se nacionalmente. De 2007 até hoje, as obras contratadas com a Delta pelo Estado do Rio somaram R$ 1,49 bilhão. Entre os trabalhos de maior visibilidade, estão a nova pista do Aeroporto de Cabo Frio e a reurbanização do Complexo do Alemão. Sobre a reforma do Maracanã, que a Delta em consórcio com a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, a empresa decidiu anteontem que deixará a obra após deixar de fazer dois repasses financeiros ao consórcio – já como consequência das denúncias de envolvimento com Cachoeira.
O lado extrovertido do empresário ficou evidente em 12 de novembro de 2009, em seu casamento com Jordana Kfuri, o segundo de sua vida. A festa foi na casa do empresário em Itaipava, em Petrópolis. Cerca de 700 convidados assistiram a uma celebração nos jardins, com uma passarela protegida por toldos transparentes e iluminada por velas e decorada com castiçais de prata, “gotas” de cristal e rosas brancas.
O casamento, que gerou filhas gêmeas, foi tragicamente encerrado em 17 de junho de 2011, quando Jordana e mais seis pessoas morreram em acidente de helicóptero na Bahia, a caminho da festa de aniversário de Cavendish. Cabral já tinha chegado, mas, como o empresário, não embarcou no aparelho, que estava lotado. A amizade entre o dono da Delta e Cabral começara por intermédio da mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, e Gabriela Carvalho, primeira esposa do empreiteiro.
Aliados de Cabral confirmam que a ligação de ambos é forte. São parecidos: simpáticos, extrovertidos, carismáticos, vaidosos, metidos a galanteadores, bonachões. Mais do que os negócios entre a Delta e o Estado, a relação de amizade se baseia em empatia, descrevem. Um aliado do governador diz que eles se encontram para “beber e falar besteira”. A revelação de que a Delta estaria fazendo negócios com o Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, porém, teria incomodado Cabral.
Outro interlocutor do governador conta que o peemedebista tem se lamentado e dito que Cavendish teria passado dos limites. O mesmo amigo de Cabral, contudo, afirma que a postura pode ser uma tentativa do político de se afastar do empreiteiro “para tentar não se queimar”.
Na quinta-feira, porém, Pezão disse que os contratos com a Delta “obedeceram a todos os editais” e afirmou que a empresa é “agressiva, por isso tem mais contratos”. O governador e o empresário têm casas de veraneio no mesmo condomínio em Mangaratiba, no sul fluminense. Até o acidente de helicóptero no litoral baiano, tornando pública a proximidade dos dois, eles costumavam passar fins de semana juntos com suas famílias. Cavendish, Cabral e suas mulheres já tinham dividido o jatinho Legacy emprestado por Eike Batista para pelo menos mais uma viagem: uma semana em Nassau, capital das Bahamas.
O Ministério Público Estadual investigou a relação do governador com os empresários e considerou não haver irregularidades: o procurador-geral de Justiça do Rio, Claudio Lopes, arquivou o procedimento.
No Rio, as boas relações de Cavendish não se limitam ao governador. Ele também é amigo de deputados federais, como Eduardo Cunha e Washington Reis, ambos do PMDB, e tem bom trânsito no Tribunal de Justiça, do qual recebeu R$ 154 milhões por obras. Além disso, a Delta está presente em construções e serviços”.

  • Domingo, 22 Abril 2012 / 13:33

As dificuldades de Paes

     Eleito em 2008, Eduardo Paes repetia a quem quizesse ouvir:
- Recebi toda a campanha pronta. Sou eternamente grato.
Com o estouro da Delta, Paes terá dificuldade em ter a mesma quantidade de recursos de quatro anos atrás.
E sua batata será a terceira a ser assada.
Logo depois da de Cabral e Pezão.

  • Domingo, 22 Abril 2012 / 13:31

Prefeitura do Rio no rolo da Delta

     Do repórter Alfredo Junqueira, do ‘Estadão’:
     “Com funcionários investigados pela Polícia Federal e alvo de processo administrativo por suspeita de fraude na licitação de coleta de lixo no Distrito Federal, a Delta Construções loca veículos e equipamentos de limpeza urbana para a Prefeitura do Rio desde 2008. O contrato com a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) vale até novembro de 2013. O valor corrigido do serviço é de R$ 163,5 milhões.
Além do aluguel de veículos e equipamentos, a construtora firmou acordo com a prefeitura carioca para a operação do Centro de Tratamento de Resíduos Sólidos de Gericinó, na zona oeste. Entre 2007 e 2009, foram estabelecidos quatro contratos emergenciais com dispensa de licitação, no total de R$ 19,9 milhões.
Em dez anos, os serviços prestados pela construtora consumiram R$ 450 milhões. A prefeitura mantém hoje quatro contratos com a Delta. Além da locação de veículos para limpeza, a construtora está encarregada de obras de urbanização e habitação do programa Morar Carioca, orçadas em R$ 116,2 milhões; de melhorias e construção de viaduto na Estrada do Inhoaíba, com previsão de R$ 69,5 milhões, e da criação do Parque Madureira, com contrato de R$ 70,9 milhões – todos os valores corrigidos pelo IPCA.
Levantamento feito pelo gabinete da vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB) mostra que a empresa faturou R$ 117,8 milhões por ano, em média, em contratos assinados nos três anos de governo Eduardo Paes (PMDB). O valor é 72,6% maior que o montante médio anual obtido na gestão Cesar Maia (DEM). Ainda de acordo com a vereadora, dos dez contratos firmados pela administração Paes com a Delta, cinco foram feitos com dispensa de licitação – total de R$ 47,23 milhões.
Paes, candidato à reeleição em outubro, é afilhado político do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) – amigo do presidente do Conselho de Administração da Delta, Fernando Cavendish. Em cinco anos e quatro meses de gestão no Estado, Cabral pagou R$ 1,49 bilhão em obras e serviços para a empresa.
A assessoria de imprensa de Paes afirmou que os contratos sem licitação com a Delta foram para obras emergenciais em decorrência das chuvas de abril de 2010. Segundo a prefeitura, foram contratados R$ 300 milhões, e a Delta teria recebido em torno de 10% desse valor.
O contrato sem licitação para a operação de Gericinó foi uma prorrogação do acordo firmado pela gestão anterior, segundo a assessoria. Ao fim do termo, uma licitação foi convocada e a empresa ETC foi contratada.
A prefeitura afirmou que o volume de recursos pagos à Delta aumentou porque o município ampliou seus investimentos em obras na cidade. A participação proporcional da construtora no volume de recursos aplicados pela atual gestão foi reduzida, diz a assessoria. A Delta Construções não quis se manifestar”.

  • Domingo, 22 Abril 2012 / 13:25

Anticastristas brincam com fogo

     Das repórteres Flávia Marreiro e Verena Fornetti, da ‘Folha’:
     “O lobby anticastrista de Miami tem dois novos alvos: o técnico de beisebol do Miami Marlins, Ozzie Guillen, que elogiou Fidel Castro num entrevista e a construtora brasileira Odebrecht, que toca em Cuba a maior obra de infraestrutura da ilha em 50 anos, o porto de Mariel.
O técnico se desculpou e recebeu a penitência: suspensão por cinco jogos.
Para a construtora, porém, os danos podem ser bilionários, porque o Legislativo da Flórida aprovou em março lei que veta a contratação pública de quem tem negócios de mais de US$ 1 milhão com o regime comunista.
Na Flórida, a Odebrecht tem obras nas áreas de saneamento, petroquímica e logística. A empresa espera o sinal verde para iniciar um megaprojeto de ampliação do entorno do aeroporto de Miami, uma parceria público-privada de US$ 700 milhões (R$ 1,288 milhões) que não sairá do papel se a nova norma, prevista para entrar em vigor em 1º de julho, vingar.
A lei, aprovada por maioria, depende de sanção do governador da Flórida, o republicano Rick Scott, que ainda espera o texto para “decidir que ação tomar”, segundo a porta-voz de seu gabinete.
No entanto, a norma tem parecer negativo do procurador de Miami, Robert Cuevas, que diz que Estados não devem legislar sobre o tema.
“Nós atuamos alinhados à política externa brasileira”, disse à Folha Marcelo Odebrecht, diretor-presidente da construtora, enquanto acompanhava a presidente Dilma Rousseff na viagem a Cuba e ao Haiti, no começo do ano.
Se a frase é sucesso na Venezuela, onde o país de origem de uma companhia pesa na avaliação do governo local, parece ter efeito contrário em Miami. Com ou sem lei, a artilharia dos anticastristas sinaliza que a empresa mexeu num vespeiro ao desembarcar na ilha comunista.
Antes da aprovação da nova regra, Cuevas já havia recebido uma consulta, em julho de 2011, sobre possíveis punições a Odebrecht por seus laços com Cuba.
Para Mauricio Claver-Carone, diretor do pró-embargo U.S.-Cuba Democracy Political Action Committee (Comitê de Ação Política EUA-Cuba), em Washington, os contratos da Odebrecht com Cuba são “um insulto”.
“A nossa comunidade é composta por vítimas de uma ditadura. Nos parece um insulto que nosso dinheiro seja usado para contratar companhias sócias de uma ditadura”, disse ele à Folha.
Durante a recente visita da presidente Dilma aos EUA, o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) conversou com o secretário americano de Comércio, Gary Locke. O ministro disse ter expressado “preocupação que a legislação de um Estado crie problemas para empresas brasileiras”.
A Odebrecht não comentou a lei da Flórida, mas lembrou, em comunicado, que nos últimos dois anos investiu mais de US$ 800 milhões em território americano.
O Brasil é o principal parceiro comercial internacional da Flórida, com corrente de US$ 18,5 bilhões de dólares em 2011 -aumento de 18,2% em relação ao ano anterior”.
                                 * * *
Já imaginaram se os turistas brasileiros decidirem boicotar Miami?
E se eles não forem mais a Disney, na Florida?
Se a recíproca fosse verdadeira, os parques de Orlando teriam que diminuir o horário de seus expedientes.

  • Domingo, 22 Abril 2012 / 13:23

Exército gasta o que não tem com UPP

     Do repórter Marco Antônio Martins, da ‘Folha’:
     “De pé na porta de bares, jovens moradores do Complexo do Alemão apontam, riem e debocham de soldados do Exército que percorrem, durante a madrugada, as vielas das favelas em mais uma das rondas de policiamento.
Há duas semanas a Folha acompanhou, ao longo de cinco horas, uma dessas rondas. O clima é tenso quando os soldados passam. Os poucos moradores nas ruas olham ressabiados, de longe.
Em alguns becos, muitas vezes a pouca iluminação que existe é apagada quando os militares passam.
“É uma forma que eles encontraram de saber em qual ponto da comunidade nós estamos, e de nós entendermos que estamos perto de alguma boca de fumo”, diz Neiva.
Segundo os militares, tem sido cada vez mais comum o surgimento de crianças no alto das lajes para jogar pedras e até bombinhas de fabricação caseira nos soldados.
“Há um distanciamento. Os diálogos só acontecem quando há uma discussão. Há intervenção sem integração”, reclama Alan Brum, da ONG Raízes em Movimento.
Manter a Força de Pacificação do Exército nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio, de novembro de 2010 a novembro de 2011 custou ao governo federal R$ 216 milhões.
Isso equivale a quase a metade dos R$ 493 milhões destinados ao Exército no ano passado para modernização.
Ou seja, o equivalente a cerca de 38% do orçamento destinado à Força.
Até o final da operação, prevista para junho, o gasto total será de R$ 360 milhões para manter 1.800 homens, mais do que o previsto pelo governo do Estado para instalar e manter pessoal nas oito bases de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) programadas para os complexos do Alemão e da Penha.
Nelas, a Prefeitura do Rio e o governo estadual gastarão R$ 132 milhões por ano para manter um efetivo de 2.200 PMs.
A ocupação do Exército não extinguiu o tráfico, mas os militares estimam que ele se limite ao consumo interno de moradores viciados das favelas. Mesmo assim, o Exército descobriu que ainda há fuzis no interior das comunidades de Nova Brasília e da Fazendinha, que compõem o Complexo do Alemão. Em fevereiro houve troca de tiros. Ninguém se feriu.
“Foram vários disparos de 7,62 [calibre de fuzil] feitos contra a tropa. Essas armas estão por lá”, afirma o tenente-coronel Vladimir Neiva.
As duas favelas ganharam UPPs nesta semana. Os militares permanecem em parte do Alemão e em toda a Penha.
Durante a presença dos militares, houve expressiva redução no total de homicídios na região. Nos 25 primeiros dias de novembro de 2010 houve 13 assassinatos na região -as tropas entraram nos dois complexos no dia 25 de novembro.
Um ano depois, em dezembro de 2011, o Instituto de Segurança Pública (ISP) registrou só um homicídio.
Durante os 16 meses de ocupação, seis diferentes unidades do Exército passaram pelos dois conjuntos de favelas que somam cerca de 220 mil pessoas, segundo o IBGE.
Para o comando do Exército, a atuação de soldados na área urbana serviu para reduzir a criminalidade e para treinar a tropa.
Quando o Exército deixar o local, o prédio que é a base da Força ficará como sede administrativa da UPP. “Foi feito um investimento grande aqui, mas mesmo assim é mais barato do que se viesse outra instituição”, calcula o general Tomás Paiva, ex-comandante da Força de Pacificação”.

  • Domingo, 22 Abril 2012 / 13:22

Presentes para Dilma

     Dos repórteres Marcio Falcão e Flavia Roque, da ‘Folha’:
     “Desde que um ex-metalúrgico deu lugar a uma ex-guerrilheira no comando da Presidência, as caixas e cartas endereçadas ao Palácio do Planalto ganharam novo perfil.
Camisas de futebol foram substituídas por orquídeas -são as preferidas da presidente Dilma Rousseff. Também ficou para trás o tempo em que a Presidência recebia camisas “guayaberas”, modelo apreciado por Lula.
Agora outras peças do vestuário são mais recorrentes, como as echarpes que Dilma ganhou após aparecer com uma ao receber o presidente Barack Obama no Brasil.
Até o mês passado, a equipe que recebe os presentes registrava a entrega de 3.677 regalos, de objetos valiosos a pequenas lembrancinhas. E cabe à Dilma dar um destino a todos eles, expostos no corredor que liga seu elevador privativo ao gabinete de trabalho no 3º andar do palácio.
Os presentes podem ir para um depósito no Palácio da Alvorada ou ser escolhidos por ela para uso diário. Segundo assessores, Dilma gostou muito de duas bolsas da estilista Martha Medeiros.
Se os acessórios diferenciam Lula de Dilma, o mesmo não pode ser dito sobre os quadros que chegam à Diretoria de Documentação Histórica. Assim como seu antecessor, a presidente também serve de inspiração para pintores brasileiros, que às vezes retratam a mandatária com um semblante mais jovem e alguns quilinhos a menos.
Os quadros também já foram escolhidos por autoridades para presenteá-la: foi com uma pintura de Antônio Poteiro que o governador tucano Marconi Perillo (GO) quis fazer um agrado a Dilma.
Mas nem sempre é algo que ela recebe. Cerca de um terço das 74.259 correspondências que chegaram ao palácio até março trazem críticas à Justiça ou à administração.
Tal como os presentes, todas as mensagens são catalogadas e classificadas. O historiador Cláudio Soares Rocha, responsável pelo departamento que recebe os textos, notou um aumento no volume de cartas e e-mails de mulheres após a posse de Dilma.
O perfil das mensagens também mudou. Antes mulheres e mães de presos pediam o indulto de companheiros e filhos a Lula; agora são os próprios presidiários que recorrem a Dilma.
Mensagens do exterior também chegam ao Planalto e são lidas pela equipe de 30 servidores do departamento.
Trecho de carta recebida em 27.fev.2012:
“Senhora Dilma, espero que essas poucas palavras possa (sic) chegar a sua mãe e que a senhora possa ter um pouco de atenção (…) Nós vamos completar 25 anos de casamento e eu queria dar um presente para ele [meu marido], e o que ele mais quer é uma oficina, por favor. Me dê o que Deus tocar no seu coração.”
As correspondências passam por uma triagem e são catalogadas por assunto. Já os presentes têm o destino decidido pela própria Dilma. Em geral, são encaminhados ao depósito do Palácio da Alvorada
O servidor Sérgio Barbosa Silva, 55, vai quase todos os dias à agência dos correios da rodoviária de Brasília para mandar cartas para a presidente. “Sugiro melhorias para o povo, para as futuras gerações”, conta ele”.

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