• Sexta-feira, 30 Março 2012 / 3:14

Lula curado e a bomba de Hiroshima

      O ex-presidente Lula concedeu ontem uma entrevista as repórteres Cláudia Collucci e Mônica Bergamo, da ‘Folha’, e comparou a uma “bomba de Hiroshima” o tratamento que fez, com sessões de químio e radioterapia.
“Ele emocionou-se ao lembrar da luta do vice-presidente José Alencar (1931-2011), que morreu de câncer há exatamente um ano. “Hoje é que eu tenho noção do que o Zé Alencar passou.”
Quase 16 quilos mais magro e com a voz um pouco mais rouca que o normal, o ex-presidente ainda sente dor na garganta e diz que sonha com o dia em que poderá comer pão “com a casca dura”.
A entrevista foi acompanhada por Roberto Kalil, seu médico pessoal e “guru”, pelo fotógrafo Ricardo Stuckert e pelo presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto”.
- Como o sr. está?
- O câncer está resolvido porque não existe mais aqui [aponta para a garganta]. Mas eu tenho que fazer tratamento por um tempo ainda. Tenho que manter a disciplina para evitar que aconteça alguma coisa. Aprendi que tanto quanto os médicos, tanto quanto as injeções, tanto quanto a quimioterapia, tanto quanto a radioterapia, a disciplina no tratamento, cumprir as normas que tem que cumprir, fazer as coisas corretamente, são condições básicas para a gente poder curar o câncer.
- Foi difícil abrir mão…
- Hoje é que eu tenho noção do que o Zé Alencar passou. [Fica com a voz embargada e os olhos marejados]. Eu, que convivi com ele tanto tempo, não tinha noção do que ele passou. A gente não sabe o que é pior, se a quimioterapia ou a radioterapia. Uns dizem que é a químio, outros que é a rádio. Para mim, os dois são um desastre. Um é uma bomba de Hiroshima e, o outro, eu nem sei que bomba é. Os dois são arrasadores.
- O sr. teve medo?
- A palavra correta não é medo. É um processo difícil de evitar, não tem uma única causa. As pessoas falam que é o cigarro [que causa a doença], falam que é um monte de coisa que dá, mas tá cheio de criancinha que nasce com câncer e não fuma.
- Qual é a palavra correta?
- A palavra correta… É uma doença que eu acho que é a mais delicada de todas. É avassaladora. Eu vim aqui com um tumor de 3 cm e de repente estava recebendo uma Hiroshima dentro de mim. [Em alguns momentos] Eu preferiria entrar em coma.
Kalil [interrompendo] – Pelo amor de Deus, presidente!
- Em coma?
- Eu falei para o Kalil: eu preferiria me trancar num freezer como um carpaccio. Sabe como se faz carpaccio? Você pega o contrafilé, tira a gordura, enrola a carne, amarra o barbante e coloca o contrafilé no freezer e, quando ele está congelado, você corta e faz o carpaccio. A minha vontade era me trancar no freezer e ficar congelado até…
- Sentia dor?
- Náusea, náusea. A boca não suporta nada, nada, nada, nada. A gente ouvindo as pessoas [que passam por um tratamento contra o câncer] falarem não tem dimensão do que estão sentindo.
- Teve medo de morrer?
- Eu tinha mais preocupação de perder a voz do que de morrer. Se eu perdesse a voz, estaria morto. Tem gente que fala que não tem medo de morrer, mas eu tenho. Se eu souber que a morte está na China, eu vou para a Bolívia.
- O sr. acredita que existe alguma coisa depois da morte?
- Eu acredito. Eu acredito que entre a vida que a gente conhece [e a morte] há muita coisa que ainda não compreendemos. Sou um homem que acredita que existam outras coisas que determinam a passagem nossa pela Terra. Sou um homem que acredita, que tem muita fé.
- Mesmo assim, teve um medo grande?
- Medo, medo, eu vivo com medo. Eu sou um medroso. Não venha me dizer: “Não tenha medo da morte”. Porque eu me quero vivo. Uma vez ouvi meu amigo [o escritor] Ariano Suassuna dizer que ele chama a morte de Caetana e que, quando vê a Caetana, ele corre dela. Eu não quero ver a Caetana nem…
- Qual foi o pior momento neste processo?
- Foi quando eu soube. Vim trazer a minha mulher para um exame e a Marisa e o Kalil armaram uma arapuca e me colocaram no tal de PET [aparelho que rastreia tumores]. Eu tinha passado pelo otorrino, o otorrino tinha visto a minha garganta inflamada. Eu já estava há 40 dias com a garganta inflamada e cada pessoa que eu encontrava me dava uma pastilha No Brasil, as pessoas têm o hábito de dar pastilha para a gente. Não tinha uma pessoa que eu encontrasse que não me desse uma pastilha: “Essa aqui é boa, maravilhosa, essa é melhor”. Eu já tava cansado de chupar pastilha. No dia do meu aniversário, eu disse: “Kalil, vou levar a Marisa para fazer uns exames”. E viemos para cá. O rapaz fez o exame, fez a endoscopia, disse que estava muito inflamada a minha garganta. Aí inventaram essa história de eu fazer o PET. Eu não queria fazer, eu não tinha nada, pô. Aí eu fui fazer depois de xingar muito o Kalil. Depois, fui para uma sala onde estava o Kalil e mais uns dez médicos. Eu senti um clima meio estranho. O Kalil estava com uma cara meio de chorar. Aí eu falei: “Sabe de uma coisa? Vocês já foram na casa de alguém para comunicar a morte? Eu já fui. Então falem o que aconteceu, digam!” Aí me contaram que eu tinha um tumor. E eu disse: “Então vamos tratar”.
- Existia a possibilidade de operar o tumor, em vez de fazer o tratamento que o senhor fez.
- Na realidade, isso nem foi discutido. Eles chegaram à conclusão de que tinha que fazer o que tinha que fazer para destruir o bicho [quimioterapia seguida de radioterapia], que era o mais certo. Eu disse: “Vamos fazer”. O meu papel, então, a partir dessa decisão, era cumprir, era obedecer, me submeter a todos os caprichos que a medicina exigia. Porque eu sabia que era assim. Não pode vacilar. Você não pode [dizer]: “Hoje eu não quero, não tô com vontade”.
- O senhor rezava, buscou ajuda espiritual?
- Eu rezo muito, eu rezo muito, independentemente de estar doente.
- Fez alguma promessa?
- Não.
- Existia também uma informação de que o senhor procurou ajuda do médium João de Deus.
- Eu não procurei porque não conhecia as pessoas, mas várias pessoas me procuraram e eu sou muito agradecido. Várias pessoas vieram aqui, ainda hoje há várias pessoas me procurando. E todas as que me procurarem eu vou atender, conversar, porque eu acho que isso ajuda.
- E como será a vida do sr. a partir de agora? Vai seguir com suas palestras?
- Eu não quero tomar nenhuma decisão maluca. Eu ainda estou com a garganta muito dolorida, não posso dizer que estou normal porque, para comer, ainda dói. Mas acho que entramos na fase em que, daqui a alguns dias, eu vou acordar e vou poder comer pão, sem fazer sopinha. Vou poder comer pão com aquela casca dura. Vai ser o dia! Eu vou tomando as decisões com o tempo. Uma coisa eu tenho a certeza: eu não farei a agenda que já fiz. Nunca mais eu irei fazer a agenda alucinante e maluca que eu fiz nesses dez meses desde que eu deixei o governo. O que eu trabalhei entre março e outubro de 2011… Nós visitamos 30 e poucos países.Eu não tenho mais vontade para isso, eu não vou fazer isso. Vou fazer menos coisas, com mais qualidade, participar das eleições de forma mais seletiva, ajudar a minha companheira Dilma [Rousseff] de forma mais seletiva, naquilo que ela entender que eu possa ajudar. Vou voltar mais tranquilo. O mundo não acaba na semana que vem.
- Quando é que o senhor começa a participar da campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo?
- Eu acho o Fernando Haddad o melhor candidato. São Paulo não pode continuar na mesmice de tantas e tantas décadas. Eu acho que ele vai surpreender muita gente. E desse negócio de surpreender muita gente eu sei. Muita gente dizia que a Dilma era um poste, que eu estava louco, que eu não entendia de política. Com o Fernando Haddad será a mesma coisa.
- O senhor vai pedir à senadora Marta Suplicy para entrar na campanha dele também?
- Eu acho que a Marta é uma militante política, ela está na campanha.
- Tem falado com ela?
- Falei com ela faz uns 15 dias. Ela me ligou para saber da saúde. Eu disse que, quando eu sarar, a gente vai conversar um monte.
- E em 2014? O senhor volta a disputar a Presidência?
- Para mim não tem 2014, 2018, 2022. Deixa eu contar uma coisa para vocês: eu acabei de deixar a Presidência da República, tem apenas um ano e quatro meses que eu deixei a Presidência. Poucos brasileiros tiveram a sorte de passar pela Presidência da forma exitosa com que eu passei. E repetir o que eu fiz não será tarefa fácil. Eu sempre terei como adversário eu mesmo. Para que é que eu vou procurar sarna para me coçar se eu posso ajudar outras pessoas, posso trabalhar para outras pessoas? E depois é o seguinte: você precisa esperar o tempo passar. Essas coisas você não decide agora. Um belo dia você não quer uma coisa, de repente se apresenta uma chance, você participa.Mas a minha vontade agora é ajudar a minha companheira a ser a melhor presidenta, a trabalhar a reeleição dela. Eu digo sempre o seguinte: a Dilma só não será candidata à reeleição se ela não quiser. É direito dela, constitucional, de ser candidata a presidente da República. E eu terei imenso prazer de ser cabo eleitoral”.

  • Sexta-feira, 30 Março 2012 / 3:09

Candidatos, tremei!

                                                             Eliane Cantanhêde*

        Passada a Semana Santa, Lula entrará com tudo na política. Não cabe aí o verbo “voltar”, porque não se volta para o lugar em que sempre esteve. Ele apenas emerge dos bastidores, onde vinha atuando apesar de radioterapia, quimioterapia, infecção pulmonar e internações, para reassumir os palcos.
Com sua já altíssima popularidade potencializada ainda mais pela doença, seu carisma inegável e sua liderança única não apenas no PT mas em toda a base aliada do governo, Lula desequilibra qualquer jogo político. Onde entra, é para ganhar.
Seus dois alvos são as suas duas maiores invenções: Fernando Haddad, que patinava nos 3% nas últimas pesquisas, e Dilma Rousseff, que demonstra não ter a menor paciência nem para a política nem para os políticos -sobretudo os aliados.
Para Haddad, Lula é fundamental e não terá o menor prurido de submeter o PT a derrotas e constrangimentos em outras ou até em todas as capitais e grandes cidades, desde que reúna o máximo de apoios e de tempo de TV em São Paulo.
O PSB é o melhor exemplo do que pode acontecer com os demais: a seção paulista até gostaria de ficar com Serra, mas o comandante Eduardo Campos acertou com Lula que o partido prefere ir com Haddad em troca do apoio do PT nos outros Estados.
Já para Dilma, Lula é uma faca de dois gumes. Fundamental como respaldo político, mas também um entrave para os rumos que ela quer e já vem dando a seu governo.
Dilma sabe muito bem o tanto de coisas que encontrou fora do eixo, mas pisa em ovos quando tem de desfazer, refazer ou dar guinadas no que encontrou, para não evidenciar erros nem parecer crítica ao ex-chefe, padrinho e antecessor.
De toda forma, os efeitos mais ostensivos da “volta” de Lula serão menos em Brasília, onde ele era e continua sendo consultor, e mais em São Paulo, onde tende a ser o principal fator da eleição de outubro.
José Serra e Gabriel Chalita, tremei!
*Eliane Cantanhêde é colunista da ‘Folha’.

  • Sexta-feira, 30 Março 2012 / 3:06

Erenice Guerra está de volta

     Do repórter Josie Jeronimo, do ‘Correio Braziliense’:
     “De volta ao Lago Sul, bairro onde Erenice Guerra viveu por seis meses na residência oficial da Casa Civil, a ex-ministra marca presença em seu recém-criado escritório e em casas que funcionam como representação de empresas em Brasília, nas proximidades da região conhecida como “Pontão”.
No imóvel da QI 11, onde fica o Guerra Advogados Associados, empresa em que é sócia majoritária, Erenice só aparece três vezes por semana, afirmam funcionários do prédio. Quando foi constituída, a firma de advocacia da ex-ministra funcionava com quatro ajudantes. Agora, só uma secretária fica no local e segundo os porteiros do prédio comercial, “a doutora Erenice despacha de outro escritório”.
O outro escritório em questão é uma casa de representação de empresas da Indústria de Base, vizinha à sede da Guerra Advogados Associados, na QL 14 do Lago Sul.
É nesse imóvel que a movimentação de parlamentares e executivos chama a atenção da vizinhança. Do governo para a iniciativa privada, os conhecimentos jurídicos de Erenice sobre o setor de petróleo e eletricidade tornaram sua consultoria atrativa para grande parte do empresariado que depende de informações privilegiadas para enfrentar situações em que o mercado é regulado pelo governo.
A ex-ministra acumulou durante sua passagem pela Esplanada experiência no setor de energia, pois foi consultora jurídica da pasta de Minas e Energia e conselheira de grandes estatais como Petrobras, Eletrobras e Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf). Além dos grandes empreendimentos, Erenice também tem prestado consultorias para usineiros do setor da bioenergia.
De volta à ativa, o principal parceiro comercial da ex-ministra é a Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). As empresas do setor têm se debruçado sobre estudos para solucionar questões que consideram entraves nas regras de regulação do setor elétrico e pleitos sobre a criação de regras específicas para investimentos e tributação das firmas na exploração do petróleo. O Correio entrou em contato com a Abdib, questionando se o escritório Guerra Advogados Associados foi formalmente contratado para fazer consultorias na área de petróleo. A assessoria de imprensa afirmou que a entidade não mantém contrato direto com o escritório de Erenice e “se existe algo é com alguma empresa associada”.
O retorno ao universo empresarial do setor de energia também garantiu a Erenice a volta do prestígio entre a classe política.
Aniversariante de fevereiro, a ex-ministra festejou com a presença de parlamentares e funcionários do segundo escalão da Esplanada. “Teve um sinal verde para ela, senão ela não voltaria”, resume um empresário do setor da Indústria de Base, explicando que Erenice é vista com bons olhos pelo governo, pois manteve-se discreta depois de perder o cargo alvo de denúncias de tráfico de influência envolvendo sua família. O Correio foi até o escritório da ex-ministra, no Lago Sul, e solicitou uma entrevista à secretária, questionando a atuação de Erenice como consultora, mas até a publicação desta edição não obteve retorno”.

  • Sexta-feira, 30 Março 2012 / 3:05

Demóstenes se complica de vez

      ‘O Globo’ deveria ´providenciar um busto para o repórter Jailton de Carvalho e instalá-lo no meio da redação.
Há tempó, muito tempo, o jornal não crava uma denuncia nacional – com tamanha repercussão. E consequências.
Na edição de hoje, Jailton de Carvalho faz novas revelações contra o senador Demóstenes Tôrres:
“Novas gravações da Polícia Federal mostram que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) colocou o mandato e o prestígio de parlamentar a serviço de negócios de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso por chefiar a exploração ilegal de caça-níqueis e outros jogos em Goiás. Nas escutas, obtidas pelo GLOBO, Demóstenes acerta com Cachoeira táticas que vão da interferência em processo judicial ao lobby pela legalização dos jogos de azar no Congresso Nacional.
Nos diálogos, o senador trata ainda de nebulosos negócios na Infraero no período em que a estatal estava sob o comando do brigadeiro José Carlos Pereira, e Demóstenes era o relator da CPI do Apagão Aéreo. Em outros trechos das gravações, Demóstenes pede dinheiro a Cachoeira para pagar despesas com táxi-aéreo, no valor de R$ 3 mil, conforme antecipou O GLOBO na sexta-feira passada.
As conversas foram gravadas pela Polícia Federal, durante a Operação Vegas, ao longo de 2009. Num dos diálogos, interceptado às 14h41m de 22 de junho de 2009, o senador pede que Cachoeira pague o frete de um avião da Sete, empresa de táxi-aéreo. O contraventor já cobra a conta na mesma conversa e pede ao senador que interceda num processo judicial que estava no gabinete do desembargador Alan Sebastião de Sena Conceição, do Tribunal de Justiça de Goiás. O processo estava relacionado a um delegado e três agentes da Polícia Civil de Anápolis acusados de tortura e extorsão.
- Por falar nisso, tem que pagar aquele trem do Voar. Do Voar, não, da Sete, né? – pede Demóstenes.
- Tá, tu me fala aí. Eu falo com o… com o Vilnei. Quanto foi lá? – concorda Cachoeira.
O senador informa que a despesa é de R$ 3 mil. Cachoeira diz que vai mandar um auxiliar quitar a dívida e imediatamente encomenda um serviço especial ao parlamentar.
- Deixa eu te falar. Aquele negócio (processo) tá concluso aí, aquele negócio do desembargador Alan, você lembra? A procuradora entregou aí para ele. Podia dar uma olhada com ele. Você podia dar um pulinho lá para mim? – diz Cachoeira.
O senador pergunta sobre um detalhe do caso e aceita a missão.
- Tá tranquilo. Eu faço – diz Demóstenes.
Os dois já tinham acertado formas de interferir no processo em conversas anteriores. Nos diálogos, em que Demóstenes chama Cachoeira de “Professor” e é tratado pelo amigo de “Doutor”, o senador relata ao contraventor o resultado de uma reunião que tivera pouco antes com o magistrado.
- Fala, Professor. Acabei de chegar lá do desembargador. O homem disse que vai olhar o negócio e tal – confidencia o senador, numa conversa interceptada às 16h39m de 6 de abril de 2009.
Cachoeira quer saber se o julgamento será rápido, e o senador confirma.
- Vai julgar rápido. Mandou pegar o papel, já pegou o… negócio lá. Diz que vai fazer o mais rápido possível – avisa Demóstenes.
Num diálogo, gravado em 22 de abril de 2009, o contraventor manda o senador fazer um levantamento sobre o projeto de lei 7.228, relacionado a jogos de azar, e dois dias depois cobra uma posição de Demóstenes. E até pede que ele fale com o então presidente da Câmara, Michel Temer, hoje vice-presidente da República. O senador promete ajudar e diz que vai tentar fazer com que o plenário da Câmara vote a proposta, o que não aconteceu.
- Anota uma lei aí. Você podia dar uma olhada. Ela tá na Câmara. 7.228 2002. PL (projeto de lei) – orienta Cachoeira.
O senador obedece, pede mais informações, anota e aceita a tarefa.
- Vou levantar agora e depois te ligo aí – promete.
Em outras conversas, o senador, que sempre alegou desconhecer atividades ilegais de Cachoeira, alerta que o texto, na forma em que se encontrava, poderia prejudicar o contraventor.
- Regulamenta, não (as loterias estaduais). Vou mandar o texto procê. O que tá aprovado lá é o seguinte: “transforma em crime qualquer jogo que não tenha autorização”. Então inclusive te pega, né? Então vou mandar o texto pra você. Se você quiser votar, tudo bem, eu vou atrás. Agora a única coisa que tem é criminalização, transforma de contravenção em crime, não regulariza nada – avisa Demóstenes.
- Não, regulariza, sim, uai. Tem a 4-A e a 4-B. Foi votada na Comissão de Constituição e Justiça – diz.
Uma outra conversa, gravada em 4 de abril de 2009, revela que o senador e o contraventor estão de olho em um milionário “negócio” em andamento da Infraero. Um dos intermediários na transação seria Dadá, o sargento da reserva da Aeronáutica Idalberto Matias Dadá, um dos presos na Operação Monte Carlo. Demóstenes teria usado a autoridade de relator de uma CPI para levantar informações e prospectar contratos de informática na estatal.
- O negócio da Infraero, conversei com a pessoa que teve lá. Disse o seguinte: o nosso amigo marcou um encontro com ele em uma padaria, não sei o quê. E levou o ex-presidente (José Carlos Pereira, da Infraero), cê entendeu? E que aí o trem lá não andou nada. Eles nem sabem o que tá acontecendo – confidencia Demóstenes
Cachoeira ordena, então, que o senador faça o serviço.
- Mas tem que ser você mesmo. Você que precisava ligar para ele.
Procurado pelo GLOBO, Pereira confirmou que teve três encontros com Demóstenes em 2009 e reforçou as acusações contra o senador, dizendo que o político estava interessado nos contratos da área de informática da Infraero.
- Houve uma época, durante a CPI (do Apagão Aéreo), eu senti que o Demóstenes poderia estar interessado em assuntos muito internos da Infraero, principalmente ligados à área de informática. E eu cortei na raiz. Eram licitações – disse o brigadeiro.
O desembargador Alan Sebastião confirma que tratou do caso dos policiais torturadores, mas diz que não se lembra se recebeu Demóstenes em seu gabinete. Ele alega que muita gente vai ao gabinete dele pedir “carinho” na análise de processos.
- Mas, se você for escrever alguma coisa, escreva que meu voto foi pela manutenção da condenação dos policiais – disse o desembargador.
Michel Temer disse que, em nenhum momento, foi procurado por Demóstenes para tratar de projetos relacionados a jogos. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, contratado pelo senador, disse que Demóstenes sempre votou contra os bingos, mas não faria comentários porque não conhece o conteúdo das gravações”.

  • Sexta-feira, 30 Março 2012 / 3:04

Demóstenes vai acabar sendo preso

    Do colunista Luiz Carlos Azedo, do ‘Correio Braziliense’:
    “O destino do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) está por um fio. Ou melhor, depende do teor das gravações de suas conversas com o contraventor Carlos Cachoeira, preso pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo. No Senado, onde corre o risco de sofrer um processo de cassação por quebra de decoro, tanto os adversários como aliados esperam apenas que os documentos cheguem ao conhecimento da Casa para tomar providências nessa direção.
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que foi duramente atacado por Demóstenes no caso dos atos secretos, já deu sinais de que não moverá uma palha por ele. O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), procurado pelo senador goiano em busca de solidariedade, disse-lhe poucas e boas. Renan, que renunciou ao comando do Senado para não ser cassado, também não esqueceu os discursos de Demóstenes.
A cúpula do DEM já afia a guilhotina para cortar a cabeça de Demóstenes, assim como fez com o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda. O desconforto é enorme e não será surpresa se os caciques da legenda resolverem expulsá-lo do partido. Demóstenes está só.
                                  * * *
Amigos de Demóstenes Torres avaliam que o senador não deve renunciar ao mandato para evitar uma eventual cassação. Acreditam que o senador goiano será preso se perder a imunidade parlamentar”.

  • Sexta-feira, 30 Março 2012 / 3:02

Demóstenes, suplente, Cachoeira e mulher

      Da colunista Vera Magalhães, do Painel da ‘Folha’:
       “O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) é sócio, desde 2008, do empresário Marcelo Limírio na Nova Faculdade, instituição de ensino superior em Contagem (MG). Limírio possui 60%, e Demóstenes, 20% das participações no negócio, que tem uma terceira cotista.
Em um outro empreendimento, Limírio é sócio de Andrea Aprigio de Souza, ex-mulher do contraventor Carlinhos Cachoeira, cujas conexões com Demóstenes vieram à tona na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. A empresa é o Instituto de Ciências Farmacêuticas (ICF), que existe desde 2002. Limírio se tornou parceiro da empresa em 2006, dois anos após Andrea.
Primeiro suplente de Demóstenes Torres, o empresário Wilder Pedro de Morais – cuja ex-mulher, Andressa, hoje é casada com Carlinhos Cachoeira- afirmou ter R$ 2,2 milhões em espécie na declaração de bens ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2010.

  • Sexta-feira, 30 Março 2012 / 3:00

Demóstenes Tôrres está morto

      O ex-prefeito Cesar Maia, um dos líderes do DEM, coloca uma pá de cal em seu mandato, sem citá-lo.
Em seu blog, Cesar usa a mesma tática que utilizou contra o ex-governador Arruda.
Esfola o pobre coitado, mas sem citá-lo.
Diz o ex-prefeito:
“Escândalos Políticos em “O Novo Principe”, livro de Dick Morris!
“Não há como ganhar na cobertura de um escândalo. A única maneira de sair vivo é falar a verdade, aguentar o tranco e avançar”. Com vasta experiência junto à imprensa dos EUA, lembra que, quando ela abre um escândalo, tem munição guardada para os próximos dias. Os editores fatiam a matéria, pedaço a pedaço, para a cada dia ter uma nova revelação.  De nada adianta querer suturar o escândalo com uma negação reativa, pois virão outras logo depois, desmoralizando a defesa.   
E outros veículos entram com fatos novos, para desmentir. Para Morris, a chave é não mentir. O dano de mentir é mortal. “Uma mentira leva a outra, e o que era uma incomodidade passa a ser obstrução criminal à Justiça”. A força de um escândalo é a sua importância política. As pessoas perdoam muito mais aqueles fatos sem relação com o ato de governar. E ir acompanhando a reação do público. “Se os eleitores se mostram verdadeiramente escandalizados com o que se diz que ele fez, é melhor que não tenha feito. Roubar dinheiro quase sempre não se perdoa”.

  • Sexta-feira, 30 Março 2012 / 2:59

29/3/2012

“Eu não disse que não havia crise nenhuma, que era artificial?”

Da Presidente Dilma Rousseff, na Índia, comentando a aprovação da Lei Geral da Copa e do Funpresp.

“Eu tinha mais preocupação de perder a voz do que de morrer. Se eu perdesse a voz, estaria morto”.

Do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentando a sua agonia com o câncer – agora superado.

  • Sexta-feira, 30 Março 2012 / 2:58

OEA vai investigar morte de Herzog

    Dos repórteres Lucas Ferraz e Luciana Coelho, da ‘Folha’:
    “A Comissão Interamericana de Direitos Humanos aceitou uma petição de grupos de direitos humanos para examinar o assassinato do jornalista Vladimir Herzog na ditadura militar, em 1975, e notificou Brasília a respeito, anunciaram as organizações.
Com isso está oficialmente aberto um processo que pode levar anos, mas culminará em recomendações ao governo brasileiro pela comissão, que é ligada à Organização dos Estados Americanos.
A petição, aceita na terça em Washington, foi apresentada pelo Cejil (Centro pela Justiça e o Direito Internacional), Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos, Grupo Tortura Nunca Mais e Centro Santo Dias de Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo.
“Este é um caso emblemático dos crimes da ditadura”, disse a diretora-executiva do Cejil, Viviana Krsticevic. “O Brasil é o país mais atrasado na região na busca de justiça nos crimes contra a humanidade cometidos sob regimes autoritários no continente.”
A comissão vai agora decidir se acata a denúncia para julgá-la, fase que pode levar até um ano para ser concluída. O passo seguinte seria avaliar se houve violações de direitos humanos no caso.
Se a conclusão for de que houve violações, serão feitas recomendações ao governo brasileiro nas áreas de Justiça, reparação e medidas para evitar a repetição de casos.
O avanço do processo dependerá da colaboração das partes, e o governo brasileiro já foi criticado de lentidão pelas ONGs em outros casos.
Herzog foi achado morto em sua cela no DOI-Codi em São Paulo em uma simulação de suicídio após morrer em decorrência de tortura.
Reportagem publicada pela Folha em fevereiro reabriu a discussão sobre o crime ao localizar Silvaldo Leung Vieira, ex-funcionário da Polícia Civil de São Paulo e autor da imagem de Herzog morto, que disse ter sido usado pelo regime para forjar o suicídio.
Para o Cejil, o processo vai alimentar o debate sobre a Lei de Anistia no Brasil. “Países como Chile, Peru, Uruguai e Argentina seguiram outro caminho, com a revogação das leis de anistia em alguns casos e a reinterpretação em outros”, afirma Krsticevic”.

  • Sexta-feira, 30 Março 2012 / 2:56

EUA aumentam preço do visto

     O Departamento de Estado dos EUA anunciou que, a partir de 13 de abril, o valor cobrado por vistos de turismo, passará de US$ 140 para US$ 160 (de R$ 256 para R$ 293) -alta de 14%.
Assim, um casal que quiser levar tres filhos a Disney, por exemplo, só de visto pagará o correspondente a mais uma passagem aérea: U$ 800,00.

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