• Quarta-feira, 29 Fevereiro 2012 / 8:20

Notas paulistas

       Deu na ‘Folha’:
       “A senadora petista Marta Suplicy criticou ontem a maneira como o PT vem conduzindo o “processo eleitoral de São Paulo” e afirmou que o partido errou ao iniciar negociações com o prefeito Gilberto Kassab (PSD) para as eleições municipais de outubro.
“É preciso reconhecer que erramos. Fomos precipitados”, afirmou em sua página no Twitter. Sem citar Kassab, a senadora condenou o fato de o PT ter ficado “flertando com adversário enquanto nossos tradicionais aliados migraram para o lado deles”.
Marta, que se colocava como pré-candidata do PT à prefeitura até o final do ano passado, desistiu da candidatura em favor de Fernando Haddad, após ser pressionada pelo ex-presidente Lula”.
                                      * * *
“Disposto a sobreviver à polarização PT versus PSDB, o pré-candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, deputado Gabriel Chalita, fez ontem duros ataques ao tucano José Serra e prometeu uma campanha crítica ao governo Kassab.
Chalita tocou numa ferida de Serra: lembrou que, na eleição de 2004, o tucano prometeu concluir o mandato, mas deixou o cargo menos de dois anos depois.
“Não muda nada a candidatura Serra. Até porque sempre trabalhei com a hipótese de que seria candidato. Serra faz exatamente oposto do que diz. Ele disse que não sairia da prefeitura e saiu”, alfinetou Chalita.
Ex-tucano, ele acusou Serra de adotar “a política de subsolo” na disputa contra Dilma Rousseff. “O que Serra fez na campanha [de 2010] foi muito sujo [...] Se ele persistir nesse estilo de política, do subsolo e da intriga, vai ser ruim para ele”, atacou”.
                                     * * *
“Adversários na corrida pela prefeitura paulistana, José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) se encontraram pela primeira vez na pré-campanha anteontem à noite.
Durante jantar de aniversário do presidente do PC do B, Renato Rabelo, em um restaurante na capital, o tucano e o petista falaram de futebol e posaram para fotos.
Palmeirense, Serra previu que o São Paulo, de Haddad, será o principal rival de seu time na atual temporada. O ex-governador foi levado ao evento por Gilberto Kassab (PSD), a convite do ministro Aldo Rebelo (Esporte). O ex-ministro José Dirceu observou a conversa à distância”.

  • Quarta-feira, 29 Fevereiro 2012 / 8:17

PR pode lançar Tiririca em SP

     Do repórter Eduardo Bresciani, do ‘Estadão’:
     “Na tentativa de aumentar o valor de face do partido, o PR decidiu dar ao deputado federal Tiririca (PR-SP) o status de pré-candidato a prefeito de São Paulo. A manobra atende a vários objetivos da legenda, como a retomada de um lugar no primeiro escalão do governo Dilma Rousseff.
Até agora, praticamente todos os partidos com alguma representativa no Congresso já anunciaram a disposição de ter candidatos próprios a prefeito de São Paulo, como PP, PTB, PDT, PPS, PC do B e PMDB, além de petistas e tucanos.
O atual ministro do Transporte, Paulo Sérgio Passos, é filiado ao PR, mas não tem respaldo da cúpula do partido. Sondado durante o carnaval, Tiririca já avisou que aceita a missão e em conversa ontem com o Estado colocou a melhora do transporte público como uma prioridade dos paulistanos.
Além dos objetivos no curto prazo, dentro da legenda há quem defenda que uma candidatura de Tiririca teria o efeito de manter o PR alinhado com o PT no cenário nacional sem se afastar do PSDB no Estado. Dessa forma, o partido teria peso importante em um eventual segundo turno em São Paulo entre petistas e tucanos na capital.
Outra aposta é que, tendo o artista à frente do partido, seria possível ampliar a bancada de vereadores, atualmente com cinco representantes na Câmara.
Tiririca teve 1,3 milhão de votos, sendo o deputado federal mais votado do País em 2010. Sua campanha tinha o deboche como slogan: “Pior do que está não fica”. Com sua votação, ajudou a coligação de que fazia parte a eleger outros três parlamentares para a Câmara.
O responsável pela entrada do palhaço na política foi Valdemar da Costa Neto (PR-SP), um dos réus no processo do mensalão em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF). A nova investida também tem a mesma origem. Foi Valdemar quem ligou para o colega durante o Carnaval para propor a candidatura.
“Eu estava no interior do Rio no Carnaval, e ele (Valdemar) me ligou dizendo que tinham muitos pedidos de eleitores para que eu fosse candidato a prefeito”, contou o deputado. “Não era uma coisa que eu pensava. Foi o partido que me procurou, mas, se o povo quiser, eu vou”.
Tiririca mora em São Paulo desde 2006 e diz ser o principal problema da cidade o “trânsito maluco”.
Na Câmara a atuação do parlamentar é discreta, apesar de ele estar sempre presente em plenário e na comissão de Educação e Cultura.
Até hoje nunca subiu à tribuna do plenário para fazer qualquer pronunciamento. Comedido nas conversas com a imprensa ressalta não estar na política para fazer “palhaçada”.
Vislumbrando um possível debate na televisão com o ex-governador José Serra (PSDB) e o ex-ministro da Educação Fernando Haddad (PT) o artista não se acanha. “Eles são muito inteligentes, mas eu vou falar da minha maneira. Eu sei das dificuldades do povo mais do que ninguém.”

  • Quarta-feira, 29 Fevereiro 2012 / 8:14

Diretas-já para a OAB

                                                           Elio Gaspari*

           Está na Comissão de Justiça da Câmara um projeto do deputado Hugo Leal (PSC-RJ) que reabre o debate das eleições diretas para a direção nacional da Ordem dos Advogados do Brasil. Ao tempo em que a OAB era presidida por Raymundo Faoro e confundia-se com a luta pelas liberdades democráticas, ela foi para a rua na defesa de eleições diretas para a Presidência da República.
Passados 29 anos do início da campanha das Diretas-Já, a diretoria do Conselho Federal continua a ser escolhida por meio de um sistema no qual 81 conselheiros federais, representando as 27 seções estaduais da Ordem, escolhem a direção do órgão.
Resultado: as seccionais de Roraima e do Amapá, onde há 1.770 advogados, 0,26% de um universo de 696 mil doutores, têm o mesmo peso que as de São Paulo e do Rio, onde há 348 mil eleitores, com 50% da categoria.
O sistema da OAB, como o das indiretas que Faoro e o país combateram, permite que se saiba, com razoável antecipação, quem será seu próximo presidente. Um bom palpite para a eleição de novembro próximo será a escolha do atual secretário-geral, Marcus Vinicius Furtado Coelho.
Pelo ritual de hoje, os advogados de cada Estado elegem diretamente três conselheiros federais, e eles escolhem a diretoria da instituição. A nova diretoria precisa de 42 votos e pode consegui-los nas bancadas de Estados que, juntos, não somam 20% dos advogados com carteirinha da Ordem.
Contra a ideia das diretas circula o mesmo argumento que defendia o sistema da ditadura: se a manada ficar solta, São Paulo e o Rio de Janeiro tomarão conta de tudo. Ele é falso. Parte da premissa de que todos os advogados desses dois Estados votariam na mesma chapa federal. Numa eleição direta, o advogado vota numa chapa para a seccional, mas pode votar em qualquer outra no pleito federal. A última eleição paulista teve quatro chapas na disputa, e a vencedora bateu a segunda colocada por 33 mil votos contra 31 mil.
Hoje a OAB federal e algumas de suas seccionais tornaram-se empreendimentos milionários que mobilizam interesses bem diversos daqueles que levavam Raymundo Faoro a batalhar pelo restabelecimento do habeas corpus.
O Conselho de Ética da seccional paulista absolveu sete advogados acusados de dupla militância com o Primeiro Comando da Capital.
Isso para não falar no vexame do Conselho Federal, que viu rebarbada uma lista sêxtupla de candidatos a uma vaga no Superior Tribunal de Justiça. Um dos indicados pela OAB paulista para o lugar de desembargador havia sido reprovado nove vezes em concursos para juiz de primeira instância. Outro, no Rio, juntara documentos falsos ao seu processo.
Um pedaço da cúpula da Ordem flertou com o sistema de voto de lista proposto no projeto de reforma política do comissariado petista. Em 2007, por pouco a OAB não foi colocada a reboque de um projeto de reformas plebiscitárias concebido no Planalto.
Metendo-se em episódios burlescos que têm mais a ver com a natureza humana do que com a defesa das prerrogativas dos advogados, a OAB arrisca ficar como a Portela: tem um passado cheio de glória, mas desde 1984 não ganha um Carnaval. Eleição direta não melhora desfile de escola de samba, mas pode melhorar a Ordem dos Advogados.
*Elio Gaspari é jornalista e escreve para ‘O Globo’ e a ‘Folha’.

  • Domingo, 26 Fevereiro 2012 / 21:56

Um projeto já

                                                Marcos Coimbra*

       Não faz muito tempo, brincava-se, nos meios políticos, com a mania que os petistas tinham de criar complicações para si mesmos. Complicações desnecessárias, que podiam perfeitamente evitar.
Era um que falava demais, outro que dizia inconveniências, alguns que não sabiam se comportar. Por uma razão ou por outra, expunham suas desavenças e criavam embaraços para todos. O que devia ficar entre quatro paredes saía no jornal.
Os próprios petistas eram seus maiores inimigos.
Hoje, depois de oito anos de Lula, e neste início de segundo ano de Dilma, o PT parece estar pacificado. As futricas internas e as clivagens entre seus grupos e correntes não desapareceram, mas foram apaziguadas. Ninguém dá caneladas nos companheiros, seja por descuido ou de propósito (a não ser com discrição, longe dos holofotes).
Enquanto isso, o PSDB, em sua mais tradicional cidadela e na eleição de maior visibilidade nacional, age de maneira oposta. Nos últimos quinze dias, fez tudo que podia fazer de errado.
A escolha do candidato tucano a prefeito de São Paulo se tornou um espetáculo de forte desgaste para o partido. Que poderia ter sido evitado, pois quem o inventou e encenou foi o próprio PSDB.
Seria um exagero dizer que a secção paulista do partido define sua imagem nacional. Afinal, apenas 20% de bancada parlamentar do PSDB vem do estado e o “candidato óbvio” a presidente em 2014 — nas palavras de seu mais ilustre expoente, o ex-presidente Fernando Henrique — é o mineiro Aécio Neves.
Mas é impossível negar o peso que os paulistas têm no partido. Apenas para ilustrar: desde sua criação, em 1988, todos seus candidatos à Presidência da República vieram de São Paulo — Mário Covas, Fernando Henrique, Serra e Alckmin.
Nas idas e vindas do episódio de agora, o PSDB paulista só emitiu sinais negativos. Que não é capaz de definir como prefere escolher seu candidato, hesitando entre fazer prévias com seus filiados ou deixar que os “notáveis” decidam. Que está fragmentado e confuso, dividido em alas que mal conseguem dialogar. Que não tem lideranças que exerçam, com legitimidade, a função de liderar.
Nas palavras de Arnaldo Madeira, peessedebista paulista de alta plumagem — foi líder do governo Fernando Henrique na Câmara e secretário da Casa Civil de Geraldo Alckmin: “O partido não sabe para aonde vai. Essa falta de rumo afeta o PSDB há alguns anos, não é de agora (…). O partido está sem direção, perdido nacionalmente e em lugares como São Paulo, único em que o partido existe para valer”.
Fora os exageros, a irritação de Madeira talvez decorra da crise atual — pois parece não engolir a submissão de seu partido aos vacilantes humores de José Serra, em sua hamletiana dúvida entre ser ou não ser candidato —, mas o diagnóstico que faz sobre o PSDB é mais profundo — e verdadeiro.
No momento em que o PSDB mais precisaria mostrar-se capaz de se tornar (ou de voltar a ser) um meio de expressão e um canal de representação para uma parcela importante da sociedade brasileira — contrapondo-se ao PT, a Lula e a Dilma —, marca passo e retrocede em São Paulo.
Seus líderes locais parecem fortes, mas estão “perdidos”, como diria Arnaldo Madeira. As lideranças nacionais tucanas assistem de longe. Deixam nítido que o partido não tem uma instância de articulação nacional para evitar que conflitos paroquiais o afetem como um todo.
E ainda tem gente que não entende por que Lula e o PT se tornaram o que são no Brasil.
*Marcos Coimbra, sociólogo, preside o Instituto Vox Populi e escreve para o ‘Correio Braziliense’.

  • Sábado, 18 Fevereiro 2012 / 12:39

Chávez diz que não tem câncer

     Deu no ‘Globo’:
     “O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, rebateu ontem as informações de que seu câncer estaria em processo de metástase, conforme revelado pelo colunista do GLOBO, Merval Pereira. Em um encontro com lideranças do governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Chávez fez questão de demonstrar disposição para a campanha visando à reeleição.
- Peço a Deus, à Virgem e aos espíritos das savanas que o câncer que se foi de meu corpo não volte nunca mais para lutar e viver – disse o presidente.
Ele acusou a imprensa pelas versões sobre uma piora de seu estado de saúde – e que eventualmente o tirariam da disputa para permanecer na Presidência da Venezuela. Chávez mandou, ainda, um recado velado ao rival eleito pela oposição para enfrentá-lo nas urnas, Henrique Capriles Radonsky.
- Vou lutar todos os dias, todas as noites que me restem em vida pra impedir junto a vocês que a burguesia venezuelana volte a tomar a Venezuela para entregá-la ao império ianque. Não permitiremos isso – assegurou. – As versões da imprensa continuam saindo na Europa, em alguns países da América do Sul, dizendo que estou praticamente morto. Claro que todo ser vivo um dia morrerá.
No mês passado, o jornal espanhol “ABC” afirmou que ele teria entre nove e 12 meses de vida, baseado num relatório confidencial elaborado por gente próxima à equipe médica”.

  • Sábado, 18 Fevereiro 2012 / 12:38

Lula conclui radioterapia

    Da repórter Tatiana Farah, do ‘Globo’:
    ”Após concluir a última sessão de radioterapia contra o câncer na laringe, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve alta ontem do Hospital Sírio Libanês, onde ficou internado uma semana, depois que começou a sentir os efeitos da radioterapia: fadiga, tosse e dores na garganta. Segundo o boletim do hospital, os médicos recomendaram que Lula passe o carnaval de repouso, vetando sua participação no desfile da Gaviões da Fiel, escola de samba que o homenageia esta noite.
Devido à radioterapia, Lula começou a sentir dores na garganta, mais rouquidão e dificuldade para engolir. Os médicos detectaram uma inflamação na mucosa da laringe, e Lula foi medicado, hidratado e recebeu suporte nutricional por soro.
- O processo inflamatório não se encerra com o fim do tratamento, imediatamente. Mas Lula está melhor e concluiu a radioterapia – disse o oncologista Artur Katz,
De acordo com Katz, o ex-presidente está se alimentando normalmente, apesar da dificuldade de deglutir. Ele deve continuar, em casa, a fazer fonoterapia e a fisioterapia. Exames preliminares já apontaram a eliminação do tumor. Em março, Lula será submetido a exames de avaliação da doença”.

  • Sábado, 18 Fevereiro 2012 / 12:36

Dilma muda médicos do Planalto

      Da repórter Luiza Damé, do ‘Globo’:
      “A presidente Dilma Rousseff ainda não atingiu a meta de ter pelo menos um terço dos 38 ministérios ocupados por mulheres, mas está ampliando a presença feminina no seu entorno. O médico institucional da Presidência da República, coronel Cleber Ferreira, que atendeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao longo de seus dois mandatos, foi substituído por duas mulheres: a pneumologista Jacqueline de Magalhães Nallin Lobão, major da Aeronáutica, e a geriatra Virgínia Satuf Silva Vieira, capitã do Exército.
Discretas como manda o figurino palaciano, as duas médicas foram escolhidas pelo gabinete pessoal de Dilma. Durante o carnaval, a geriatra viajará com a presidente para a Base Naval de Aratu, em Salvador, onde Dilma descansará com a família, inclusive a mãe, Dilma Jane.
O ortopedista Cleber Ferreira deixou a Presidência no fim do mês passado para se dedicar à carreira militar. Coronel do Exército, ele vai se aperfeiçoar na Escola Superior de Guerra (ESG), no Rio. No governo Lula, o médico tinha a total confiança do então presidente, mas, com Dilma, essa relação não se manteve. O desempenho de Ferreira foi criticado quando a presidente teve pneumonia. Desde então, ela não toma um medicamento antes de falar com o cardiologista Roberto Kalil”.

  • Sábado, 18 Fevereiro 2012 / 12:34

Teixeira procura sucessor na CBF

     Da colunista Renata Lo Prete, do Painel da ‘Folha’:
     “A definição do sucessor é o motivo que retarda a saída de Ricardo Teixeira da CBF. O dirigente avisou a amigos que está decidido a não renunciar. Para ele, nenhum dos cinco vices resistiria ao cerco da imprensa uma vez empossado. Pelo estatuto, o primeiro da fila seria José Maria Marin, recentemente flagrado embolsando medalha do time campeão da Copa São Paulo.
Teixeira inclina-se por convocar assembleia e anunciar que sairá de licença por período indeterminado. Nesse cenário, poderá delegar o comando da entidade a quem quiser. O presidente da federação paulista, Marco Polo del Nero, está entre os cotados.
Entre os cinco vice-presidentes da CBF, estão Fernando Sarney, filho do presidente do Senado e indiciado por evasão de divisas, e Weber Magalhães, já encrencado com a Ficha Limpa”.

  • Sábado, 18 Fevereiro 2012 / 12:31

Teixeira abre empresa em Miami

   Do repórter Filipe Coutinho, da ‘Folha’:
   “O presidente da CBF e do COL (Comitê Organizador Local da Copa de 2014), Ricardo Teixeira, foi ontem para a Flórida (EUA), onde montou há um mês uma empresa, sediada numa mansão, para investir dinheiro fora do Brasil.
Criada por Teixeira em 20 de janeiro, a Kronos Capital Investiments servirá para ele fazer negócios e ter pessoa jurídica no exterior. A abertura da empresa indica que, enquanto Teixeira discutia uma saída do Brasil, já preparava a estrutura burocrática para viver fora do país.
Ontem à noite, no entanto, a CBF publicou em seu site oficial uma nota na qual informa que “o presidente Ricardo Teixeira retomará as atividades que constam de sua agenda após o Carnaval”.
Nos últimos dias, Teixeira se reuniu com aliados para discutir se deixa a CBF, o país e a organização da Copa. Por ora, decidiu que não.
Ao mesmo tempo, sua mulher e sua filha mais nova já o aguardavam nos EUA.
Com quase um mês de existência, a empresa tem como outra sócia a mulher de Teixeira, Ana Carolina Wigand Pessanha Rodrigues.
Seu escopo de trabalho é “todo e qualquer negócio dentro da lei”, segundo consta em documento da Junta Comercial do governo da Flórida, assinado eletronicamente por Teixeira.
A empresa fica em uma mansão no condado de Palm Beach, na cidade de Delray Beach, com 60 mil habitantes, localizada a 80 km de Miami e a 7 km da praia.
A casa, com garagem e piscina, fica numa área nobre. A Folha identificou cinco residências, na mesma rua da Kronos, com preços que vão de US$ 1,3 milhão (R$ 2,2 milhões) a US$ 2,8 milhões (R$ 4,8 milhões). Nas redondezas, há clubes de hipismo, paixão da filha de Teixeira.
Procurado por meio de sua assessoria, o cartola não comentou a abertura da empresa. Disse que suas atividades são feitas de acordo com a lei.
Ontem, Teixeira pegou um jatinho particular para a Flórida, acompanhado do amigo e empresário Wagner Abrahão, responsável pela comercialização dos ingressos VIP para o Mundial no Brasil e dono da agência de turismo que atende a CBF.
Presidente da confederação desde 1989, o cartola tem mandato até 2015. Mesmo que no futuro deixe o COL, possibilidade por enquanto afastada, Teixeira continuaria a ter influência na organização da Copa brasileira.
A filha Joana Havelange é diretora, e seu pai é sócio da pessoa jurídica do COL.
Teixeira passa por uma crise desde que perdeu prestígio na organização do Mundial de 2014. Entre os motivos que o levariam a morar fora do país estão as dificuldades para negociar com o governo federal, em especial com a presidente Dilma Rousseff.
A própria Fifa, no ano passado, chegou a consultar a presidente para substituir o cartola no comando do COL, mas Dilma não quis indicar um substituto. Além disso, ele foi pressionado pela própria família a sair.
A pressão sobre Teixeira piorou nesta semana, quando a Folha revelou que o dirigente tem relação direta com a Ailanto, suspeita de superfaturar a organização de amistoso da seleção em 2008. A polícia encontrou cheques nominais de uma das sócias da Ailanto para o cartola”.

  • Sábado, 18 Fevereiro 2012 / 12:28

Kassab renova apoio a Serra

         Deu no ‘Globo’:
         ”O prefeito de São Paulo e presidente do PSD, Gilberto Kassab, negou ontem que já tenha fechado um acordo com o PT para a sucessão em São Paulo e reafirmou sua posição de apoiar o ex-governador José Serra, caso o tucano decida disputar a prefeitura paulistana.
- Se Serra disser que será candidato a prefeito, o mundo já sabe que o apoiarei – disse Kassab ontem ao GLOBO, por meio de sua assessoria.
A possibilidade de entrada do ex-governador na eleição embolou as negociações de alianças que vinham sendo feitas até aqui. As conversas entre Kassab e o PT estacionaram. O prefeito tem dito publicamente que, se o tucano entrar na eleição, o PSD marchará com ele.
- Se o Serra efetivamente for candidato, é muito difícil o Kassab não ficar com ele – afirmou o vice-governador paulista, Guilherme Afif Domingos (PSD), um dos políticos mais próximos do prefeito paulistano.
Essa posição de Kassab, entretanto, não é unânime no partido. O grupo do PSD mais alinhado ao governo da presidente Dilma Rousseff prefere que a aliança seja feita com o ex-ministro da Educação Fernando Haddad.
Apesar de declarar publicamente apoio a Serra, Kassab, a petistas,sinalizou que ainda considera o cenário de apoiar o ex-ministro Fernando Haddad (PT) e tem repetido, nas conversas mais reservadas, que, da última vez que esteve com Serra, o tucano foi enfático ao afirmar que não seria candidato.
Recentemente, Gilberto Kassab mandou avisar ao próprio Lula, por intermédio de um interlocutor, que não trabalhava mais com a hipótese da candidatura Serra. O próprio prefeito disse, na noite de quinta-feira, que não acredita mais que Serra será candidato.
Para um dos principais articuladores da aliança PT-PSD na cidade de São Paulo, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), as negociações já avançaram muito entre os dois partidos, e, agora, Kassab já “atravessou o Rubicão”. A citação do petista é uma referência histórica à travessia do Rio Rubicão por Júlio César, em perseguição a Pompeu, que tornou inevitável um conflito armado na Roma Antiga, e transformou a expressão numa referência a qualquer pessoa que toma uma decisão arriscada de maneira irrevogável.
- O movimento que Kassab fez no ano passado o credencia para ser um grande aliado do PT nas eleições de 2012 e 2014. O Kassab já atravessou o Rubicão. Já está do lado de cá. Agora, a sorte está lançada. Com Serra ou sem Serra na disputa, estão criadas as condições para a aliança Haddad-Kassab – disse Vaccarezza ao GLOBO.
Mas, ao mesmo tempo, o grupo petista que era resistente à aliança com Kassab desde o início e que está mais envolvido na questão política local passou a utilizar o jogo duplo do prefeito como um trunfo para sepultar o processo de aproximação avançada. Publicamente, a própria senadora Marta Suplicy (PT-SP) já tinha manifestado constrangimento de subir no palanque de Haddad numa parceria com Kassab.
Ontem, o presidente do diretório municipal do PT, vereador Antônio Donato, disse que não conversou com Kassab, mas, diferentemente de Vaccarezza, ainda acredita numa candidatura Serra e diz que, neste caso, fica impedida a aliança do PT com o PSD na capital paulista.
- Não tem chance de essa aliança (com o PT) existir com Serra na disputa. O Kassab não conversou comigo. Mas, se o Serra for candidato, o Kassab vai com ele. O cenário mais provável é o da candidatura de Serra. E, nesse cenário, se encerra o debate da aliança com Kassab – aposta o vereador paulistano.
Em qualquer cenário para a disputa de 2012, Kassab já sairá com ganho político, segundo seus interlocutores. Isso porque, depois desse processo de negociação com os dois lados, imobilizará tanto o PT como o PSDB de ataques e críticas à sua gestão durante a campanha municipal – gestão que está mal avaliada pela população”.

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