• Segunda-feira, 29 Agosto 2011 / 22:30

Ascânio substitui Rodolfo no ‘Globo’

      João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo e presidente do seu Conselho Editorial distribui hoje a seguinte nota:
      “Uma das características mais marcantes de Rodolfo Fernandes, morto precocemente no sábado, era a capacidade de fazer parte e de criar times. Antes de se tornar diretor de Redação, foi peça decisiva numa equipe muito talentosa; depois, soube trazer para ela colaboradores igualmente valiosos. Quando a doença limitou seus movimentos de uma maneira que o fez necessitar de uma ajuda extra para exercer o cargo, foi dele a ideia de promover Ascânio Seleme, então um dos editores executivos, para o posto de diretor de Redação adjunto. Nesse cargo, com a ajuda indispensável dos demais editores executivos, Ascânio pôde auxiliar Rodolfo na tarefa de liderar a Redação do GLOBO. Assim, aos poucos, a escolha de um sucessor para Rodolfo, uma necessidade tão mais urgente quanto mais cruel era o avanço da doença, tornou-se uma tarefa menos penosa para mim e meus irmãos, Roberto Irineu e José Roberto.
Ascânio, por mérito, é hoje um substituto natural. Ele tem uma já longa e vitoriosa carreira no jornalismo brasileiro. Começou no “Jornal de Santa Catarina”, sua terra natal, e, como repórter, trabalhou na TV Cultura daquele estado, na TV Globo do Rio, na TV Manchete de Belo Horizonte e Brasília, na revista “IstoÉ” e na “Gazeta Mercantil”. Entrou no GLOBO em Brasília, em 1988, como repórter de economia. Pouco depois, tornou-se coordenador de assuntos nacionais da sucursal, cargo em que permaneceu até ocupar o posto de correspondente do jornal em Paris, onde trabalhou por quatro anos. Voltou para Brasília até que Rodolfo o convidou em 2001 para ser um dos editores executivos do jornal, primeiro como responsável pela produção de notícias e, depois, pelas edições de fim de semana. Na sua trajetória profissional, conquistou os mais importantes prêmios de jornalismo e o reconhecimento dos seus pares. Há dez anos no Rio, cedo se transformou num típico carioca por adoção, apaixonado pela cidade e pelo estado.
Ao longo de sua carreira, Ascânio demonstrou que tem aquilo que faz de um profissional um jornalista de excelência: a paixão pela notícia, a escrita certeira, a capacidade de conquistar fontes, o gosto por trabalhar ouvindo a equipe, a habilidade de liderar e, o mais importante, o apego aos princípios éticos da profissão. Aos 54 anos, Ascânio torna-se diretor de Redação com um desafio enorme: manter a qualidade que caracteriza O GLOBO desde a sua fundação, mas num mundo em que o jornal é ao mesmo tempo físico e digital. Por sua história e por suas qualidades pessoais, não tenho dúvida de que terá sucesso, ajudado por uma redação que nunca perde o entusiasmo”.

  • Segunda-feira, 29 Agosto 2011 / 10:02

Santa Teresa culpa fanfarrão pela tragédia

        A Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa divulgou uma nota em seu site, neste domingo, na qual classifica o acidente ocorrido com o bondinho como uma tragédia anunciada. A associação culpa o governo do estado por omissão e descaso com o sistema de bondes de Santa Teresa .
Eis a nota:
       “A Diretoria da AMAST lamenta profundamente o acidente ocorrido na tarde de hoje e se solidariza com a família das vítimas fatais e dos feridos. Nós, moradores de Santa Teresa, estamos profundamente abalados com a notícia e com a perda irreparável do motorneiro Nelson.
Nesse momento de dor e indignação, temos a dizer à imprensa, à sociedade civil e aos poderes constituídos que não aceitamos, em hipótese alguma, a classificação desse acidente como fatalidade. Trata-se de uma tragédia anunciada; mais uma, como foram a morte da Profa. Andréa de Jesus e, recentemente, do turista Francês Charles Damien.
Qualquer que seja o motivo apontado pela perícia, é certo que o Estado do Rio de Janeiro, na pessoa de seu Governador Sérgio Cabral e, principalmente, na pessoa do Secretário de Transportes Júlio Lopes, omite-se de forma vil e dolosa há anos, tratando o sistema de bondes de Santa Teresa com descaso.
Mais do que o abandono de um bem tombado, que, quando convém, tem a imagem utilizada para ilustrar interesses politiqueiros de divulgação da cidade, estamos diante de uma situação criminosa, na medida em que pessoas morrem ou sofrem lesões corporais de natureza grave, que certamente poderiam ser evitadas se o Governador e o Secretário cumprissem a decisão judicial que, há mais de 2 (dois) anos ordenou a recuperação integral do sistema de bondes, com a devolução dos 14 bondes tradicionais em perfeitas condições de operação.
A superlotação, alegada pelo Secretário à imprensa, é fruto do número reduzido de bondes em operação. A verba que deveria ter sido utilizada para restabelecer a operação dos 14 bondes foi aplicada indevidamente em uma tentativa fracassada de modernização dos bondes, verdadeira aventura tecnológica que resultou em pseudo-VLT’s com aparência de bondes, os quais seguem apresentando problemas de freio, poluição sonora e instabilidade nas curvas. Em paralelo, os poucos bondes tradicionais que não sofreram desmantelamento, foram relegados ao abandono, à falta de manutenção preventiva e seguiram operando em condições totalmente precárias.
Estes fatos foram exaustivamente denunciados pela AMAST às autoridades competentes em âmbito administrativo e judicial, porém nada de concreto foi feito para reverter a situação.
O CREA, em relatório da CAPA (Comissão de Prevenção de Acidentes) divulgado publicamente, recomendou que os bondes modificados não fossem colocados em circulação devido à falha grave na localização do sistema de freios. A recomendação foi solenemente ignorada pelo Governo do Estado (Sérgio Cabral), Secretaria de Transportes (Júlio Lopes) e Central Logística (empresa que administra o sistema de bondes).
O Ministério Público Estadual, apesar de ter movido Ação Civil Pública na qual obteve liminar, sentença e decisão em recurso favoráveis à restauração completa do sistema de bondes, jamais fez qualquer pedido à justiça de execução provisória das referidas decisões.
O Tribunal de Contas do Estado julgou ilegal o contrato da T’TRANS com a Central Logística (empresa estadual que administra o sistema de bondes de Santa Teresa), o que, em tese, acarretaria a necessidade de punir os responsáveis pela negociata e reparação dos prejuízos causados ao erário, mas até o momento não se teve notícia de qualquer punição e muito menos de restituição da verba pública ilegalmente empregada.
A Comissão de Transportes da Câmara Municipal, após intensos trabalhos, propôs uma série de medidas e recomendações, além de apontar fatos merecedores de atenção e providências, relacionados à ordenação do trânsito em Santa Teresa. Contudo, a Prefeitura do Rio de Janeiro (Eduardo Paes), a CET Rio e a Secretaria Municipal de Transportes não moveram uma palha para alterar a triste e perigosa realidade em que nós, moradores de Santa Teresa, vivemos diariamente.
Pelas razões acima, e por todos os outros motivos que até as pedras centenárias das ladeiras de Santa Teresa conhecem, reputamos como principais culpados as autoridades aqui mencionadas, com especial destaque para:
       A Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa divulgou uma nota em seu site, neste domingo, na qual classifica o acidente ocorrido com o bondinho como uma tragédia anunciada. A associação culpa o governo do estado por omissão e descaso com o sistema de bondes de Santa Teresa .
Eis a nota:
       “A Diretoria da AMAST lamenta profundamente o acidente ocorrido na tarde de hoje e se solidariza com a família das vítimas fatais e dos feridos. Nós, moradores de Santa Teresa, estamos profundamente abalados com a notícia e com a perda irreparável do motorneiro Nelson.
Nesse momento de dor e indignação, temos a dizer à imprensa, à sociedade civil e aos poderes constituídos que não aceitamos, em hipótese alguma, a classificação desse acidente como fatalidade. Trata-se de uma tragédia anunciada; mais uma, como foram a morte da Profa. Andréa de Jesus e, recentemente, do turista Francês Charles Damien.
Qualquer que seja o motivo apontado pela perícia, é certo que o Estado do Rio de Janeiro, na pessoa de seu Governador Sérgio Cabral e, principalmente, na pessoa do Secretário de Transportes Júlio Lopes, omite-se de forma vil e dolosa há anos, tratando o sistema de bondes de Santa Teresa com descaso.
Mais do que o abandono de um bem tombado, que, quando convém, tem a imagem utilizada para ilustrar interesses politiqueiros de divulgação da cidade, estamos diante de uma situação criminosa, na medida em que pessoas morrem ou sofrem lesões corporais de natureza grave, que certamente poderiam ser evitadas se o Governador e o Secretário cumprissem a decisão judicial que, há mais de 2 (dois) anos ordenou a recuperação integral do sistema de bondes, com a devolução dos 14 bondes tradicionais em perfeitas condições de operação.
A superlotação, alegada pelo Secretário à imprensa, é fruto do número reduzido de bondes em operação. A verba que deveria ter sido utilizada para restabelecer a operação dos 14 bondes foi aplicada indevidamente em uma tentativa fracassada de modernização dos bondes, verdadeira aventura tecnológica que resultou em pseudo-VLT’s com aparência de bondes, os quais seguem apresentando problemas de freio, poluição sonora e instabilidade nas curvas. Em paralelo, os poucos bondes tradicionais que não sofreram desmantelamento, foram relegados ao abandono, à falta de manutenção preventiva e seguiram operando em condições totalmente precárias.
Estes fatos foram exaustivamente denunciados pela AMAST às autoridades competentes em âmbito administrativo e judicial, porém nada de concreto foi feito para reverter a situação.
O CREA, em relatório da CAPA (Comissão de Prevenção de Acidentes) divulgado publicamente, recomendou que os bondes modificados não fossem colocados em circulação devido à falha grave na localização do sistema de freios. A recomendação foi solenemente ignorada pelo Governo do Estado (Sérgio Cabral), Secretaria de Transportes (Júlio Lopes) e Central Logística (empresa que administra o sistema de bondes).
O Ministério Público Estadual, apesar de ter movido Ação Civil Pública na qual obteve liminar, sentença e decisão em recurso favoráveis à restauração completa do sistema de bondes, jamais fez qualquer pedido à justiça de execução provisória das referidas decisões.
O Tribunal de Contas do Estado julgou ilegal o contrato da T’TRANS com a Central Logística (empresa estadual que administra o sistema de bondes de Santa Teresa), o que, em tese, acarretaria a necessidade de punir os responsáveis pela negociata e reparação dos prejuízos causados ao erário, mas até o momento não se teve notícia de qualquer punição e muito menos de restituição da verba pública ilegalmente empregada.
A Comissão de Transportes da Câmara Municipal, após intensos trabalhos, propôs uma série de medidas e recomendações, além de apontar fatos merecedores de atenção e providências, relacionados à ordenação do trânsito em Santa Teresa. Contudo, a Prefeitura do Rio de Janeiro (Eduardo Paes), a CET Rio e a Secretaria Municipal de Transportes não moveram uma palha para alterar a triste e perigosa realidade em que nós, moradores de Santa Teresa, vivemos diariamente.
Pelas razões acima, e por todos os outros motivos que até as pedras centenárias das ladeiras de Santa Teresa conhecem, reputamos como principais culpados as autoridades aqui mencionadas, com especial destaque para:
1.O Governador Sérgio Cabral, que com sua habitual desfaçatez, suscitou à época do acidente que vitimou a Profa. Andréa de Jesus Rezende, uma possível municipalização dos bondes, com o único propósito de desviar o foco da imprensa quanto à raiz do problema, haja vista que nenhuma palavra voltou a ser dita sobre o assunto nos últimos 2 (dois) anos.
2.O Secretário Júlio Lopes, pela malversação da verba pública que deveria ter sido aplicada na recuperação dos 14 bondinhos tradicionais, e que foi aplicada na aventura tecnológica fracassada empreendida pela empresa T’TRANS, que resultou na criação de aberrações com aparência de bonde porém repletas de
problemas de projeto que até hoje não foram superados;
3.O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, pela omissão em requerer à justiça a execução provisória das decisões que ordenaram a recuperação integral do sistema de bondes de Santa Teresa, mesmo após o esgotamento dos principais recursos em que o Estado saiu-se perdedor;
É difícil acreditar que os verdadeiros responsáveis pelas mortes, ferimentos, famílias e sonhos destruídos algum dia serão culpados, mas é esse o nosso desejo e nossa luta, pois temos a convicção de que somente a punição exemplar seria eficaz no sentido de reverter a situação crítica que tem sido imposta ao nosso bairro, ao nosso sistema de transporte e às nossas vidas.
Por fim, convocamos os moradores de Santa Teresa e a população do Rio de Janeiro para se juntarem a nós nessa luta hercúlea e contínua que constitui uma missão histórica da AMAST. Pedimos que continuem acompanhando e participem dos atos públicos e manifestações, virtuais e presenciais, programados pela associação, com destaque para o dia do aniversário do bonde, 01/09, cuja comemoração já seria substituída por protesto em forma de luto, agora com mais razão de ser em função desse lamentável acontecimento”.
1.O Governador Sérgio Cabral, que com sua habitual desfaçatez, suscitou à época do acidente que vitimou a Profa. Andréa de Jesus Rezende, uma possível municipalização dos bondes, com o único propósito de desviar o foco da imprensa quanto à raiz do problema, haja vista que nenhuma palavra voltou a ser dita sobre o assunto nos últimos 2 (dois) anos.
2.O Secretário Júlio Lopes, pela malversação da verba pública que deveria ter sido aplicada na recuperação dos 14 bondinhos tradicionais, e que foi aplicada na aventura tecnológica fracassada empreendida pela empresa T’TRANS, que resultou na criação de aberrações com aparência de bonde porém repletas de
problemas de projeto que até hoje não foram superados;
3.O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, pela omissão em requerer à justiça a execução provisória das decisões que ordenaram a recuperação integral do sistema de bondes de Santa Teresa, mesmo após o esgotamento dos principais recursos em que o Estado saiu-se perdedor;
É difícil acreditar que os verdadeiros responsáveis pelas mortes, ferimentos, famílias e sonhos destruídos algum dia serão culpados, mas é esse o nosso desejo e nossa luta, pois temos a convicção de que somente a punição exemplar seria eficaz no sentido de reverter a situação crítica que tem sido imposta ao nosso bairro, ao nosso sistema de transporte e às nossas vidas.
Por fim, convocamos os moradores de Santa Teresa e a população do Rio de Janeiro para se juntarem a nós nessa luta hercúlea e contínua que constitui uma missão histórica da AMAST. Pedimos que continuem acompanhando e participem dos atos públicos e manifestações, virtuais e presenciais, programados pela associação, com destaque para o dia do aniversário do bonde, 01/09, cuja comemoração já seria substituída por protesto em forma de luto, agora com mais razão de ser em função desse lamentável acontecimento”.

  • Domingo, 28 Agosto 2011 / 9:59

Seguro saúde é caso de polícia

                                                                          Elio Gaspari*
 
        Uma estatística e um incidente expuseram a extensão do ataque da privataria dos planos de saúde contra a rede pública do SUS. O repórter Antônio Gois mostrou que o mercado das operadoras cresceu 9% entre março de 2010 e março deste ano, incorporando 4 milhões de novos clientes. O faturamento das empresas aumentou em torno de 20%.
Já o número de leitos oferecidos à freguesia cresceu apenas 3%. Basta fazer a conta para que surja a pergunta: para onde vão os clientes dos planos privados?
Para a rede pública. Está em curso um processo de apropriação do bem coletivo pelos interesses privados. Essa tendência se agrava quando se vê que as operadoras oferecem planos baratinhos, sabendo que não podem honrar os serviços que oferecem. Plano de saúde individual que cobra menos de R$ 500 por mês é administrado por apostadores ou faz os fregueses de bobos.
Em hospitais públicos como o Incor e o das Clínicas de São Paulo já existem duas portas, uma para o SUS e outra para os planos. (Quando o Incor quebrou, tentou se internar no CTI financeiro da Viúva do SUS.) O governador Geraldo Alckmin quer privatizar 40% das unidades administradas por organizações sociais. Na Santa Casa de Sertãozinho (SP), instituição filantrópica que, legitimamente, atende tanto ao SUS quanto aos convênios, deu-se um episódio que pode servir de lição e exemplo.
O médico Paulo Laredo Pinto atendia um paciente de 55 anos, diabético, obeso e hipertenso (como a doutora Dilma), internado há dias. Ele sentiu dores no peito, e Laredo, cirurgião vascular, diagnosticou um processo de infarto: “Ele podia morrer se ficasse mais cinco minutos na enfermaria”. Diante do quadro, pediu a transferência do paciente para o CTI. Nem pensar. O homem era do SUS e, mesmo havendo vaga no Centro de Terapia Intensiva, estava à espera de algum paciente dos planos privados. Com o apoio de dois colegas, desconsiderou a negativa e transferiu o doente. Fez mais: chamou a polícia: “Registrei um boletim de preservação de direito. Existe o crime de omissão de socorro. O leito não é de ninguém, é de quem precisa”.
O paciente ficou no CTI e, dias depois, seu quadro era estável. Pelo protocolo da privataria, talvez estivesse morto. Se os médicos começarem a chamar a PM, as coisas ficarão claras. Um caso de polícia, caso de polícia será.
*Elio Gaspari é jornalista e escreve no ‘Globo’ e na ‘Folha’.

  • Domingo, 28 Agosto 2011 / 9:57

Blatter quer abertura da Copa no Rio

         “Depois de meses de uma verdadeira guerra em torno da viabilização financeira da Arena do Corinthians, em Itaquera”, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, concedeu uma entrevista a Jamil Chade, do ‘Estadão’, em Obergesteln, na Suiça, e declarou: quer a abertura da Copa de 2014 no Maracanã e não em São Paulo.
“O cartola máximo do futebol mundial abriu ao Estado as portas de sua aldeia natal, no centro das montanhas na Suíça. Nada de gravata e terno. Apenas calça de abrigo, uma paisagem alpina e uma longa conversa. Sentado em uma mesa de um bar local, Blatter falou abertamente sobre a Copa do Mundo de 2014, a avalanche de escândalos de corrupção na Fifa, da presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Lula e do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador Local da Copa (COL),
Ricardo Teixeira. Mas fez questão de alertar que é a briga política no Brasil o maior obstáculo para a preparação do Mundial”.
Eis a entrevista:
- Em outubro, a Fifa vai anunciar o local de abertura da Copa de 2014. Mas onde é que o senhor gostaria de estar sentado para ver a abertura da Copa do Mundo no Brasil?
- Há definitivamente uma competição entre Rio e São Paulo para obter a abertura. Mas já demos o centro de Mídia para o Rio e a sede da organização da Fifa será no Rio. Portanto, a cidade mais adequada para receber a abertura é mesmo o Rio de Janeiro. O futebol brasileiro é o Rio. E para o mundo, o Rio é a cidade mais atraente para abrir uma Copa, sem dúvida.
- Mas e todo o debate e financiamento dos estádios em São Paulo? Como fica?
- O principal obstáculo para a organização da Copa no Brasil tem sido as brigas políticas entre prefeitos, governadores e governo federal. Isso pode de fato atrapalhar muita coisa. O Brasil sediará uma ótima Copa. Mas tem de resolver essa briga política.
- A questão dos aeroportos preocupa?
- Decidimos ter uma pessoa dentro da Fifa exclusivamente dedicada a ajudar o Brasil a reformar essa área de transportes para que não tenhamos problemas. Isso precisa ser equacionado.
- O senhor teme um caos na organização da Copa?
- É mais difícil organizar uma Copa que os Jogos Olímpicos. É um evento nacional e que atinge diferentes cidades. Não é tão fácil organizar esse evento, nem para o Brasil. Mas, olha, tenho certeza que Brasil vai realizar ótima copa. Só não tenho tanta certeza de que terá o melhor time.
- Então não há garantias de que a tragédia de 1950 seja superada?
- A Alemanha montou palco para ganhar Copa de 2006 e veja o que ocorreu. O Brasil tem um novo técnico (Mano Menezes, que assumiu após a Copa de 2010). Mas já há muitas criticas. Ricardo Teixeira disse que não mudará o plano. Mas a verdade é que se não houver resultados, terá de pensar. O Brasil não terá mais jogos oficiais. Apenas brincadeiras. Não há mais nenhuma pressão de competição até a Copa das Confederações. Então nunca sabe em que pé seleção estará.
- Como o senhor avalia o futebol brasileiro atual?
- Olha. Acompanhei de perto o sub-20. O Brasil ganhou e aplaudi. Mas eles não jogam o futebol brasileiro. Entendi que o time jovem do Brasil não joga mais o futebol brasileiro. Eles jogam como se tivessem Lúcio e Maicon na zaga. É o mesmo modelo. Forte. Mas onde está esse jogo de dribles, mudando o ritmo de
jogo? Nada. É muito poder. Vimos o que ocorreu na Copa de 2010. Vimos também como jogadores perderam a cabeça. Falou-se na falha de Julio Cesar. Mas aquele era o primeiro gol só e o jogo estava empatado. O Brasil entrou em colapso. Não imaginavam que aquela defesa deixaria passar um gol.
- Como o senhor vê o uso do futebol por políticos?
- O envolvimento de políticos em si não é um problema. O que não pode ocorrer é o abuso do futebol para aumentarem seu poder. Temos de reconhecer que o futebol tem uma dimensão econômica tão grande hoje que ele também ganhou uma dimensão política.
- O ex-presidente Lula interferia com frequência no futebol brasileiro e fez lobby até por Itaquera. Isso ajudava ou criava mais obstáculo?
- Vamos dizer desta forma: era mais fácil para CBF trabalhar com Lula que agora com Dilma. Só direi isso.
- Ela teria tomado um distanciamento por conta dos problemas de popularidade de Ricardo Teixeira?
- Ah sim, ele é impopular no Brasil (risos)?
- Como o senhor explica tantas acusações de corrupção na entidade que preside por tantos anos?
- Outros cartolas do mundo me dizem: parabéns, você polarizou a atenção da imprensa internacional. O que eu tenho para dizer sobre isso é o seguinte : temos maus perdedores na Fifa. Temos de dizer que alguns de nossos atores e alguns dos principais atores da Fifa não agiram bem. Mas já começamos a atuar. Agora, peço que a imprensa nos de um tempo para aplicar as medidas que estamos elaborando. No dia 21 de outubro vou anunciar medidas.
- Mas há quem diga que essas medidas não resolvem nada.
- Essa animosidade vem da Inglaterra. Veja o timing das acusações. Foi justamente quando perderam o direito de sediar a Copa de 2018. Três semanas antes das eleições para presidente é que trouxeram acusações. Sabe, vou dizer a verdade. Tudo isso é ainda uma revanche por de terem perdido em 1974 a presidência da Fifa para João Havelange. Ainda não aceitaram que não controlam a Fifa. Como não poderiam recuperar a presidência, decidiram que iriam destruí-la.
- Mas a foi eleição usada por outros também. Quando em março o senhor criticou a preparação do Brasil para a Copa de 2014, dizendo que o país estava menos preparado que a África, a CBF disse que era uma revanche sua contra Teixeira por ele estar apoiando Mohamed Bin Hammam?
- Verdade? Foi isso que disseram?
- O senhor acredita que haverá uma guerra em 2015 pela presidência da Fifa?
- Terei 79 anos e não vou querer concorrer a nada. Mas posso dizer que a Europa fará de tudo para manter a presidência da Fifa. Digo, para recuperar a presidência, porque não me consideram europeu. Para evitar essa guerra, vamos montar um plano para permitir essa eleição. Teremos renovação, não revolução.
- O senhor aposta em Teixeira com tendo alguma chance de ser eleito como o próximo presidente da Fifa?
- Bom, ele é o candidato de Havelange (risos).

  • Domingo, 28 Agosto 2011 / 9:51

Xadrez nacional

                                                         Marcos Coimbra*

         Existe alguma cidade, em especial, em que a eleição municipal de 2012 precisará ser acompanhada de perto por quem se interessa pela presidencial de 2014? Onde tudo que vai acontecer, no ano que vem, poderá ser relevante, desde as movimentações preliminares aos resultados finais?
Talvez seja cedo para responder, mas parece que sim. Muitas cidades passarão por eleições que poderão ter impacto na política nacional, reforçando ou enfraquecendo lideranças, aproximando partidos ou provocando rupturas entre eles. Em uma, no entanto, o significado deverá ser maior.
É em Belo Horizonte que os primeiros lances da próxima eleição presidencial serão jogados para valer. Por uma razão: o principal candidato das oposições, o senador Aécio Neves, é um ator decisivo na sucessão da capital mineira.
O que Aécio vai fazer (ou deixar de fazer) em Belo Horizonte, em outubro de 2012, tem consequência direta na montagem do tabuleiro da eleição de 2014.
Esse é o motivo de a escolha do próximo prefeito da cidade ser especialmente significativa.
A afirmativa pode soar estranha para quem está acostumado a achar que a eleição do prefeito de São Paulo é sempre a mais importante. Por ser a maior cidade, a capital do estado mais rico, aquela com o maior orçamento, muita gente supõe que a escolha de seu prefeito tem impacto decisivo nas eleições presidenciais.
Não precisamos ir muito longe para verificar que a hipótese não se sustenta.
Ganhar ou perder em São Paulo, na eleição de prefeito, não quer dizer nada (ou quase nada) para a eleição presidencial subsequente. Assim foi em todos os casos desde a redemocratização, seja nas vitórias tucanas ou nas petistas (os candidatos a prefeito do PSDB foram derrotados em 1992 e 1996, e Fernando Henrique venceu em 1994 e 1998; os do PT perderam em duas – 2004 e 2008 – das três que antecederam as vitórias de Lula e Dilma).
Quem também pode estranhar o raciocínio são os que apostam que Serra será o candidato tucano em 2014. Para essas pessoas, é perda de tempo prestar atenção naquilo que Aécio faz.
Na capital de seu estado, ele se defrontará com uma situação até certo ponto parecida com a que estava à frente de Serra em 2008: lançar candidato próprio, egresso do PSDB (ou de qualquer um dos diversos partidos a ele ligados na política estadual) ou apoiar a reeleição de Marcio Lacerda, o atual prefeito.
Serra havia começado a fazer seu jogo na eleição de 2004, quando compôs chapa com Gilberto Kassab, então um jovem quadro pefelista. Seu objetivo era tranquilizar os setores conservadores e de direita, que o viam (naquela época) como excessivamente estatista e antiliberal. Pensava, é claro, em aliar-se a eles em alguma eleição presidencial, seja na de 2006 (da qual acabou desistindo) ou de 2010.
Quando Kassab resolveu disputar a reeleição (o que era previsível), ele o apoiou, apesar de seu partido ter candidato. Em um gesto que deixou indignada a mídia serrista, Alckmin cometeu um crime de lesa-Serra e contrariou os planos do governador. Perdeu, Kassab ganhou e Serra ficou como o grande arquiteto da vitória, consolidando suas pontes em direção à direita. Acabou com o Índio.
Na eleição de 2008 em Belo Horizonte, Aécio fez diferente. Moveu-se para a esquerda, aliando-se ao prefeito Fernando Pimentel, do PT. Juntos, apresentaram um mesmo candidato, Marcio Lacerda, filiado ao PSB (por orientação de Aécio). Seu companheiro de chapa foi indicado pelo PT.
Marcio faz uma gestão aprovada pela grande maioria da cidade e é um natural candidato à reeleição.
Qual vai ser o comportamento de Aécio? Na eleição mais visível do estado onde está sua base eleitoral, voltará a apoiar um candidato do PSB? Insistirá em uma aliança à esquerda, consolidando seus vínculos com lideranças como Eduardo Campos e Cid Gomes? Ou vai conduzir o PSDB para uma candidatura própria e buscar uma composição mais ao centro ou à direita?
Se apoiar Marcio, como será a convivência com o PT mineiro? E que consequência terá uma vitória do atual prefeito na sucessão estadual em 2014, quando Anastasia não poderá concorrer e Aécio, muito provavelmente, disputará a Presidência da República pelo PSDB? Quem dividiria o palanque com ele, como candidato ao governo do estado?
É esperar para ver. Pelo que tudo indica, em Belo Horizonte, um capítulo importante de 2014 começará a ser escrito dois anos antes.
*Marcos Coimbra, sociólogo, preside o Instituto Vox Populi e escreve para o ‘Correio Braziliense’.

  • Domingo, 28 Agosto 2011 / 9:47

O poder das filhas de Chávez

       Da repórter Flávia Marreiro, da ‘Folha’:
       “Desde que revelou que tem câncer, em junho, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aparece cada vez mais ao lado das filhas mais velhas. Elas se postam ao seu lado, como guardiãs. Viajam com ele a Cuba para o tratamento. Franzem a testa quando ele exagera nas aparições públicas. Tomam-no pela mão, sorriem quando aludidas, mas nunca discursam.
Os holofotes aumentaram a curiosidade sobre a vida privada (ou nem tanto) de Rosa Virgínia, 34, e María Gabriela, 31, filhas do primeiro casamento do mandatário.
A imprensa local especula se as meninas do presidente têm algum poder. Como pressionam o pai para cumprir estritamente a agenda do tratamento, poderiam filtrar o acesso desse ou daquele ministro ao presidente. Tampouco seriam neutras em relação às facções do chavismo.
Chávez fez questão de enfatizar o papel de María em sua decisão de contar pessoalmente à população, pela TV, sobre sua doença.
Rosa Virgínia, formada em Relações Internacionais, é casada desde 2007 com Jorge Arreaza, vice-ministro de Ciência e Tecnologia. Filho da elite caraquenha e parente de um rival de Chávez, o empresário Alberto Ravell, acionário da TV oposicionista Globovisión, Arreaza é chefe do PSUV, o partido governista, no tema “formação ideológica”. Chávez o chama de “filho político”.
Pouco se sabe sobre a vida amorosa atual de María Gabriela. Ela faz com frequência o papel de primeira-dama em viagens e cerimônias -Chávez se divorciou da segunda mulher em 2002.
Em 2009, o presidente disse na TV, orgulhoso, que María era “companheira” do médico Pablo Allende, neto do presidente socialista chileno Salvador Allende (1908-1973). A família Allende limitou-se a dizer que a vida do neto militante era assunto privado.
A doença de Chávez também pôs em evidência sua reaproximação com a caçula,  Rosinés, 13, filha do segundo casamento. O presidente chegou a iniciar uma disputa pela guarda da menina. Depois de um período de desavenças, que incluiu a candidatura de sua ex-mulher Marisabel Rodríguez a prefeita pela oposição em 2008, a situação se acalmou. Na foto da família, reluz, porém, a ausência de Hugo Rafael, 26, único filho de Chávez. O mandatário o cita pouco e ele tem poucas aparições em eventos oficiais.
“Para mim é estranhíssimo que ele não cite o filho. Parece que o menino foi tragado pela terra”, diz Cristina Marcano, coautora da biografia “Chávez sem Uniforme” (Gryphus, 2006).
Sabe-se que Huguito prefere futebol, e não beisebol, como o presidente. No livro de Marcano, ex-companheiros de Chávez dizem que o filho tinha problemas com o pai e com a ex-madrasta. Vários integrantes da família Chávez ocupam cargos políticos por nomeação ou eleição.
Pode ser um destino para as meninas do presidente?
Marcano acha improvável. “Seria uma surpresa para mim e para muita gente, se isso acontecesse. Elas não falam, não discursam.”

  • Domingo, 28 Agosto 2011 / 9:44

EUA grampearam embaixada do Brasil

      Da ‘Folha’:
       “Em março de 2001, a poucos dias de uma visita do presidente Fernando Henrique Cardoso ao colega recém-eleito George Bush, os telefones da Embaixada do Brasil em Washington (EUA) começaram a ter uma “sensível perda de qualidade” e ficaram “praticamente” mudos.
O embaixador brasileiro à época, Rubens Antonio Barbosa, encomendou uma varredura nos telefones.
Técnicos lhe disseram que problemas semelhantes vinham ocorrendo em outras embaixadas, sempre às vésperas de visitas de presidentes e autoridades dos países.
A primeira checagem nos aparelhos não encontrou sinais de grampo. Mas, dois meses depois, uma nova inspeção confirmou as suspeitas do embaixador.
Em um telegrama confidencial enviado a Brasília em 24 de maio de 2001, Barbosa diz ter “certeza de grampo nas linhas telefônicas”.
O embaixador contou, em recado para o então ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, que “descobriu-se o que pareceria ser uma ligação telefônica direta entre o prédio da Chancelaria [brasileira] e o Departamento de Defesa norte-americano”.
“A ligação opera à semelhança de um ramal interno, isto é, ao se discar o dígito “0″ atende uma telefonista daquele órgão do governo dos EUA”, relata Barbosa.
Dez anos depois da interceptação, Barbosa revelou à Folha ter levado o assunto ao Departamento de Estado norte-americano. A reação, segundo ele, foi de silêncio absoluto. “Nunca ninguém passou recibo de quem era o autor, do que queriam ou o que estavam querendo de nós.”
O ex-chanceler Lafer disse não se recordar dos avisos sobre a suspeita de grampos, mas lembrou que a “a recomendação era não falar ao telefone o que não se queria que fosse sabido”.
Em setembro de 1994, por meio de telegrama enviado do Brasil, o embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima foi informado que dois funcionários do Itamaraty iriam instalar “telefone cripto e rever o sistema de comunicações”.
Dias antes da criptografia, o Brasil havia reagido negativamente à possibilidade de o governo dos EUA ter acesso ao conteúdo de informações por meio de um programa de computador. O parecer foi feito pela Secretaria de Assuntos Estratégicos, ligada à Presidência.
No mesmo documento, é discutida a “inevitabilidade” da internet. Ao falar que os EUA buscam tomar a iniciativa sobre o assunto, o telegrama diz que o “acesso a informações comerciais, militares, diplomáticas, industriais e de pesquisa traria ao seu detentor uma vantagem econômica e estratégica”.

  • Domingo, 28 Agosto 2011 / 9:42

A volta de Franklin Martins

       De Ilimar Franco, no seu Panorama Político, de ‘O Globo’:
        “Caso o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) fique insustentável, a presidente Dilma tem seu preferido: Franklin Martins”.

  • Domingo, 28 Agosto 2011 / 9:40

Dilma com o pé na estrada

       Do jornalista Luiz Carlos Azedo, do ‘Correio Braziliense’:
       “A presidente Dilma Rousseff intensifica as viagens. Nesta semana, participa de nove eventos em sete cidades diferentes, em Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. A maratona começa por Garanhuns, cidade natal do ex-presidente Lula, onde participa da aula inaugural da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco. No mesmo dia, Dilma prestigia eventos em Cupira e Recife”.

  • Sábado, 27 Agosto 2011 / 22:51

Piano em Ipanema

 

      Impossível esquecer um dos deuses da música, o maestro Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, falecido em Nova Iorque em 1994. Carioca da Tijuca, o maestro Tom Jobim mudou-se para a Zona Sul do Rio, onde juntou-se a
um grupo de letristas, poetas e instrumentistas e acabaram produzindo o que há de mais qualitativo na música seja no Brasil ou no Exterior. Entre dezenas de maravilhas musicais, é dele em parceria com Vinicius de Moraes, a canção
brasileira mais tocada no planeta: “Garota de Ipanema”. Sem falar dos sucessos que fazem parte do repertório da fina flor de cantores e cantoras do mundo. Tom nasceu para a música. Era compositor, pianista,letrista, cantor, flautista,
violonista, arranjador, e sobretudo, poeta.

Como foi – Não sei como o companheiro Flávio Pinheiro, chefe da redação de Veja em 1985, conseguiu convencer Tom Jobim. Mas lá estava o maestro, na Praia do Arpoador às 6 e 50 da manhã diante de um piano posto sobre as areias, ao ar livre. Flávio havia dedicado dias na apuração da matéria. Só faltava a foto de capa. Tom topou. O piano não foi tão difícil. A luz estava perfeita, transparente, o maestro de muito bom humor e o céu do Rio azul como nunca. Nem cheguei a interferir na pose. Era justo o que o lay-out do diretor de arte previa. Em quinze minutos, enquanto ele fazia acordes de algumas melodias, fiz três rolos de cromos. O bastante para garantir a capa da edição 842. Fiquei
exultante, bela foto. Acompanhei o maestro até o automóvel, enquanto os carregadores começavam a transportar o piano de volta para o caminhão de mudança. De repente, pouco antes de chegar à porta do seu carro, Tom parou.
Acenou para os homens do piano e pediu para esperá-lo por um instante. Sentou-se novamente no banquinho e disse-me, com o rosto iluminado pelos primeiros raios de sol de Ipanema: – Faltava essa! E começou a tocar “Manhã, tão bonita manhã”, de Luiz Bonfá e Antonio Maria. Depois da última nota, olhou a paisagem, levantou-se e voltou sorridente ao volante do seu Voyage verde-água. Saiu dirigindo de vagarinho no rumo do Jardim Botânico. Voltei para São Paulo com fotos que jamais imaginei fazer e mais ainda fã.

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