• Quarta-feira, 31 Agosto 2011 / 18:03

O bondinho e o helicóptero

      Segundo os jornais, o governo Cabral gastou com a manutenção dos bondes de Santa Teresa, no ano passado, apenas 7% do que estava previsto no Orçamento.
                           * * *
Por que ele não experimenta gastar o mesmo percentual na manutenção do helicóptero, no qual ela voa no Rio de Janeiro?

  • Quarta-feira, 31 Agosto 2011 / 17:50

Um beijo de mentirinha

      

              O fotógrafo Gabriel de Paiva, de ‘O Globo’, fez estsa foto hoje do governador fanfarrão e da doutora Adriana Ancelmo.
Foi mais uma maneira encontrada por Cabral para desviar a imprensa do assunto do dia: os bondinhos de Santa Tereza.
                        * * *
Quem se depara com a foto, percebe logo que falta paixão.
Ele lembra o beijo histórico do então candidato à Prefeito do Rio, Alvaro Valle e sua noiva postiça – no casamento arranjado por ele para vencer as eleições.
Valle foi derrotado fragorosamente.

  • Quarta-feira, 31 Agosto 2011 / 17:39

Bondinho: Cabral finge que não é com ele

       Do Globo Online: 
      “O governador Sérgio Cabral admitiu, na manhã desta quarta-feira, que os bondes de Santa Teresa estão sucateados, que não há controle na entrada do número de passageiros e que houve problema de gestão no transporte. Ele acrescentou que alguns veículos já foram reformados, mas outros ainda não.
Cabral comentou o assunto antes do evento de celebração pela doação que o empresário Eike Batista fez ao hospital Pro-Criança no canteiro de obras da unidade em Botafogo, na Zona Sul do Rio. Foi a primeira vez que ele falou
publicamente sobre a situação dos bondes, após o acidente que matou cinco pessoas e deixou 57 feridas no sábado.
- A verdade é que a frota do bondinho hoje é muito sucateada. E não há nenhum controle de passageiros – ressaltou Cabral.
“Pelo que fui informado nesta terça, as autoridades patrimoniais daqui resistem a isso” – afirmou o governador, ressaltando que é preciso aguardar a perícia para avaliar as razões do acidente.
Nesta terça-feira, Cabral nomeou o xerife das vans no estado como interventor dos bondes de Santa Teresa. De acordo com o governador, ele colocou o presidente do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro), Rogério Onofre,
à frente da instituição que gerencia o transporte para traçar um perfil de como estão as condições da administração. Onofre já foi alvo de uma série de ameaças por ter comandado a apreensão de cerca de 15 mil veículos clandestinos
nos últimos cinco anos.
Onofre informará os resultados de seu trabalho, que não tem prazo para acabar, diretamente ao governador. A área de bondes da Companhia Estadual de Engenharia de Transporte e Logística (Central) ficará subordinada à presidência do Detro, o que será confirmado num decreto de Cabral. O restante da companhia, que administra outros ramais ferroviários do Rio, continuará sob responsabilidade da Secretaria estadual de Transportes. O secretário, Júlio Lopes, não quis comentar a intervenção.
O transporte sobre trilhos é motivo de uma ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público estadual contra Onofre. Ele é acusado de causar dano ao erário ao comprar sem licitação uma locomotiva durante a sua gestão à frente da prefeitura de Paraíba do Sul – onde foi prefeito por dois mandatos (1997 a 2004). Onofre explicou que decidiu desapropriar e comprar a locomotiva porque não era possível abrir concorrência para a aquisição de um trem fabricado em 1910. A locomotiva foi usada para fazer o transporte de passageiros entre Paraíba do Sul e Paty do Alferes.
O presidente do Detro classificou como uma “missão difícil e árdua” a tarefa de reorganizar os bondes de Santa Teresa. Ele ressaltou a importância da intervenção num setor relevante para o turismo na cidade:
- O transporte por bondes é muito importante para o turismo do Rio e precisa ser tratado com seriedade. É um grande receptivo turístico de nível internacional.
Segundo Onofre, o governador pediu um amplo levantamento da situação de segurança e funcionamento dos bondes. O trabalho começa hoje, quando ele pretende se reunir, com a direção da Central Logística e com representantes da
Secretaria estadual de Transportes, para tomar ciência da situação.
- Prometo trabalho e luta para apresentar um diagnóstico da situação dos bondes. Vou fazer um trabalho em silêncio. Vamos trabalhar com parte da equipe do Detro e com pessoal cedido pelo gabinete civil. É uma operação de emergência, para a qual, por determinação do governador, posso requisitar funcionários de outras secretarias.
Enquanto durar a intervenção, o presidente do Detro acumulará funções. Depois do reordenamento dos bondes, ele informou que voltará a se dedicar exclusivamente ao Detro. Onofre tem 54 anos e está há cinco anos à frente do
Detro. Ex-prefeito de Paraíba do Sul pelo extinto PSB, mas hoje está sem partido, ele admitiu sua falta de experiência no transporte ferroviário:
- Quando entrei no Detro, não tinha experiência em transporte alternativo. Nunca tinha entrado numa van. Experiência se adquire com muita dedicação e trabalho em equipe.
Alvo de pelo menos um atentado, por conta de sua atuação na repressão às vans irregulares, o presidente do Detro disse que continuará despachando cada dia de um lugar diferente e que sua segurança pessoal será mantida:
- Eu sei que isso não é vida para ninguém, já sofri atentados. Eu tinha uma missão árdua e agora tenho duas. Vou trabalhar para que isso (o acidente) não volte a acontecer. Esta é minha principal missão.
O delegado titular da 7ª DP (Santa Teresa), Tarcísio Jansen, pediu ontem à Central informações sobre a manutenção dos bondes e a sua dotação orçamentária. Jansen quer saber se os recursos destinados pelo estado à empresa são
suficientes para a manutenção do sistema e se a verba tem sido recebida e aplicada de maneira correta. A estatal tem sete dias para responder. O delegado disse que também vai ouvir os responsáveis pela manutenção dos bondes.
Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) foram ontem até a oficina dos bondes, em Santa Teresa, recolher peças para análise. As principais são as sapatas do freio do veículo acidentado, localizadas próximo ao ponto onde foi encontrado um pedaço de arame no lugar de um parafuso. As sapatas já tinham levantado suspeitas do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-RJ), que encontrou uma peça gasta. O Sindicato dos Ferroviários também informou que essas sapatas teriam sido trocadas dias antes da tragédia e que o material usado seria inadequado, não obedecendo a especificações técnicas”.
                            * * *
O tragédia com o bondinho de Santa Teresa, sábado passado, foi o terceiro acidente grave nos quase 140 anos do bondinho.
Todos eles ocorreram no governo Sergio Cabral.
E o almofadinha e fanfarrão-  como o chefe – Julio Lopes, continua secretário.
Isso só acontece mesmo no Rio de Janeiro.
Aqui sim é preciso uma faxina.

  • Quarta-feira, 31 Agosto 2011 / 17:35

Cabral também não licita assessoria

     Deu na primeira página da ‘Folha’, reportagem assinada por Italo Nogueira:
      “Contratada nas duas campanhas vitoriosas de Sérgio Cabral Filho (PMDB) a governador, a FSB Comunicação e Planejamento Estratégicos recebeu R$ 17,6 milhões entre 2007 e 2010 como subcontratada das agências de publicidade contratadas pelo governo do Rio. Os repasses foram feitos sem licitação.
Esse valor representou 69,3% do total repassado às dez empresas de assessoria de imprensa subcontratadas para atender o governador e as 23 secretarias estaduais.
As cinco agências de publicidade que atendiam ao governo neste período firmaram contrato, após licitação, com um custo estimado em R$ 100 milhões anuais. Com esse valor, elas criavam e executavam as campanhas publicitárias, mas terceirizavam outros serviços de comunicação, como o de assessoria de imprensa.
Oficialmente, a escolha das empresas terceirizadas fica a cargo das agências de publicidade contratadas.
O governo do Estado e a FSB negaram vínculo entre a concentração de gastos e a atuação na campanha.
A empresa participou das campanhas por meio do braço de marketing político do grupo -a RP Brasil Relações Públicas. Ela recebeu de Cabral R$ 706 mil em 2010 e 2006 pela assessoria de imprensa do então candidato.
De acordo com o governo, a empresa recebeu mais por atender diversas secretarias, enquanto as demais prestavam o serviço para apenas uma pasta cada.
De 2007 a 2010, o repasse à FSB mais que triplicou. Enquanto no primeiro ano de governo a empresa recebeu R$ 2,8 milhões, no último da primeira gestão Cabral foram R$ 6,9 milhões.
Neste mês a Subsecretaria de Comunicação Social encerrou uma licitação específica para assessoria de imprensa, a fim de acabar com as terceirizações no setor.
A FSB ganhou a disputa e passará a ser a responsável por todas as pastas do governo. Foi assinado contrato de um ano com teto de gasto de R$ 18 milhões anuais.
De acordo com o governo, o valor inclui a subcontratação de outras empresas para serviços específicos, que consome cerca de um terço do contrato. Apenas a CDN, que não foi subcontratada nesse período para atender ao Estado, também disputou a licitação. Ela fez questionamentos ao edital de licitação, mas não contestou judicialmente o resultado final.
A licitação atende à lei 12.232, aprovada no ano passado, que diminui a terceirização de serviços de comunicação e exige licitação separada para cada tipo.
A legislação foi criada após o escândalo do mensalão, que envolveu os repasses de agências de publicidade a subcontratadas. O Rio foi o primeiro Estado a fazer licitação em separado”.

Governo do Rio e empresa negam favorecimento

      “A assessoria de imprensa do governo do Rio e a FSB Comunicação e Planejamento Estratégicos negaram a existência de vínculo entre a prestação de serviço durante as campanhas eleitorais e o volume da subcontratação da empresa por quatro anos.
O secretário da Casa Civil, Régis Fichtner, afirmou que a contratação das assessorias de imprensa era atribuição das agências de publicidade vencedoras da licitação do governo estadual.
“A partir de agora não será mais. O Rio foi o primeiro Estado a realizar a licitação específica para assessoria de imprensa, como manda a lei”, disse Fichtner.
O governo do Estado afirmou ainda, por meio de nota, que a FSB foi escolhida após apresentar a melhor proposta às agências.
“Não há qualquer relação entre os dois fatos. A FSB foi escolhida para prestação de serviços para um conjunto de órgãos da administração pública pelo critério de melhor proposta, de acordo com o que estabelecia a legislação em vigor. Outras empresas também foram contratadas no mesmo período por este
critério”, diz a nota Ainda segundo o governo, o valor repassado à empresa foi maior porque ela atendeu a mais secretarias, além do gabinete do governador.
A FSB afirmou, também por meio de nota, “que sua contratação pelo governo do Estado do Rio de Janeiro sempre respeitou a legislação vigente e não tem qualquer vínculo com sua participação em campanhas”.
“A empresa presta serviços de comunicação ao governo do Estado do Rio de Janeiro desde 2007, tendo sido contratada via agências de publicidade, seguindo o rito determinado pela legislação naquele momento e com a melhor proposta”, declarou ainda a empresa em sua nota”.

  • Quarta-feira, 31 Agosto 2011 / 17:30

A calamidade é o próprio

     Da coluna da jornalista Berenice Seara, no Extra:
      “O governador Sérgio Cabral publicou, no Diário Oficial de 26 de agosto, a prorrogação do estado de calamidade pública nos municípios atingidos pelas chuvas de janeiro. No pé do decreto, um detalhe curioso: a medida é retroativa a 13 de julho. Um cricri de plantão foi vasculhar o DO de 13 de julho e achou vários contratos para empresas continuarem obras emergenciais. Entre elas, a já famosa Delta Engenharia — com um contrato de R$ 37 milhões.  Diz a Lei de Licitações que obras emergenciais têm que ser concluídas em seis meses. Do contrário, não são emergenciais e precisam ser devidamente licitadas”.

  • Quarta-feira, 31 Agosto 2011 / 17:29

O decoro que falta

                       Fernando Rodrigues*
 

      Como até os azulejos de Athos Bulcão na Câmara dos Deputados já previam, foi absolvida ontem Jaqueline Roriz. Eleita no ano passado pelo PMN de Brasília, ela ganhou notoriedade em março último quando ficou conhecida uma gravação na qual aparece recebendo um maço de dinheiro.
Para salvá-la da cassação, a maioria dos deputados levou em conta que as imagens eram de 2006. Portanto, de antes do exercício de seu mandato. Ao abraçar esse sofisma, a Câmara desce mais um degrau na escala de sua credibilidade. Embora tenha ocorrido em 2006, é verdade, o fato só ficou conhecido neste ano. São de agora os seus efeitos e o dano para a imagem do Poder Legislativo. E o pior de tudo: os eleitores de Jaqueline Roriz a escolheram sem ter acesso a essas imagens.
Pela lógica torta dos deputados pró-Jaqueline, nada deveria acontecer se a Câmara descobrisse hoje que um de seus integrantes cometeu há dez anos um assassinato ou crimes de pedofilia. Se foi no passado, tudo está perdoado.
Não é a primeira vez que o espírito de corpo prevalece no Congresso. Essa tem sido a praxe. Alguns ali argumentam até sobre a necessidade de transferir para o Supremo Tribunal Federal o poder de julgar processos como o de Jaqueline Roriz. Seria uma saída macunaímica. Um misto de preguiça, covardia e falta de responsabilidade.
A laborfobia dos deputados se expressa nos cerca de seis meses gastos na análise de imagens autoexplicativas. Daí para a falta de coragem é um pulo.
Por fim, terceirizar o julgamento equivale a produzir uma crise política com data marcada. Na primeira cassação via STF o Congresso se insurgiria.
Qual é problema de um deputado votar para cassar um colega flagrado recebendo dinheiro? Nenhum. A não ser quando o próprio político teme ser o próximo réu.
Nessas horas, o decoro que falta protege todo tipo de desvio.
*Fernando Rodrigues é jornalista da ‘Folha’.

  • Quarta-feira, 31 Agosto 2011 / 17:17

Congresso resiste a voto secreto

      Dos repórteres Isabel Braga e Gerson Camarotti, de ‘O Globo’:
      “Emenda constitucional que acaba com o voto secreto no Congresso Nacional, inclusive para cassação de mandatos, está engavetada desde 2006 na Câmara. De autoria do ex-deputado Luiz Antonio Fleury Filho, foi apresentada em 2001. Em 2006, chegou a ser aprovada na Câmara em primeiro turno por 383 votos a favor, nenhum contra e duas abstenções. Esfriado o escândalo do mensalão, a emenda não foi votada em segundo turno, para que pudesse ser enviada ao Senado.
Dos 15 deputados processados por quebra de decoro parlamentar no mensalão, três não foram condenados no Conselho de Ética, no qual a votação é aberta. Mas, dos 12 que tiveram recomendação de cassação aprovada no conselho em voto aberto, só três foram cassados no plenário, onde o voto é secreto.
Em 2006, o segundo turno da PEC do fim do voto secreto foi pautado por quatro vezes, mas não foi votado. Em 2007, foi 106 vezes para a pauta. Em 2009, a votação em segundo turno foi pautada 26 vezes, sendo que a última vez em 13 de maio.
A emenda encontra resistências fortes entre os parlamentares. Muitos alegam que não é possível tornar aberto o voto em caso de vetos presidenciais, porque isso permitiria pressão do Executivo sobre os deputados.
O relator do caso Jaqueline Roriz, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), disse ontem que vai cobrar do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), a inclusão da PEC na pauta:
- Fizemos um gesto pela metade – afirmou Sampaio. Mas o próprio líder de seu partido, Duarte Nogueira (PSDB-SP), admite a resistência à proposta:
- É difícil aprovar o fim do voto secreto, por exemplo, em relação aos vetos, em que o peso do governo sempre vai influenciar o resultado. No caso de cassação, vai depender da pressão da opinião pública sobre o Congresso.
Em 2007, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou outra emenda que prevê o voto aberto para todas as votações na Casa, mas a emenda também não avançou”.

  • Quarta-feira, 31 Agosto 2011 / 17:15

Aula de inglês

               Da colunista Renata Lo Prete, do Painel da ‘Folha’:
               “Em recente evento para divulgar um programa de reforço do ensino de inglês na rede paulista, Geraldo Alckmin lembrou que, na época da Constituinte, Ulysses Guimarães tinha uma professora americana que chegava lá pelas 7h à casa do deputado, mal refeito de reuniões que costumavam varar a madrugada.
-I am, he is, we are e não sei o quê… O dr. Ulysses foi cansando daquilo -  contou Alckmin, acrescentando que um dia o deputado desabafou com a mestra:
-Mas essa língua é muito difícil!
-Difícil é o português, que quando fala “pois sim” é “não” e quando fala “pois não” é “sim’!”.

  • Quarta-feira, 31 Agosto 2011 / 12:03

A imagem de Dilma

                                   Marcos Coimbra*
        Será preciso tempo para que as feições definitivas do governo Dilma fiquem claras. Por enquanto, apenas alguns traços estão nítidos, mas não formam, ainda, um retrato consolidado. Em seu cotidiano, o jornalismo político é forçado a lidar com problemas complicados, dos quais não consegue escapar. Enfrenta, no entanto, dificuldades desnecessárias, que poderia perfeitamente evitar. Nada o obriga, por exemplo, a apresentar a seus consumidores algo que eles, a bem dizer, não esperam.
Salvo as exceções de praxe, leitores, espectadores e ouvintes não pedem conceitos acabados e opiniões definitivas sobre o que acontece no mundo político, seus personagens e instituições. Mas muitos jornalistas, especialmente comentaristas e colunistas, acham que devem tê-las todo dia.
Pode-se ver isso no tratamento que Dilma e seu governo recebem. Mesmo os veículos e os profissionais que levam a sério seu trabalho costumam padecer desse mal, da “conclusão apressada”. O que dizer daqueles que sequer têm compromisso com a realidade.
No início do ano, a necessidade era menor. O governo estava começando e havia uma abundância de notícias a dar sobre a composição do ministério e as medidas que tomava. Predominava um tom informativo.
Nem bem haviam transcorrido os primeiros meses, no entanto, e, em algumas redações, se generalizou a sensação de que era hora das “interpretações”. Dos 100 dias em diante, a mídia se sentiu no dever de ter um conceito pronto a respeito de Dilma.
Muitos foram propostos. De “grata surpresa” a “decepção”, de “gerente competente” a “teleguiada de Lula”, de “rápida na decisão” a “titubeante”, de “crescentemente autônoma” a “progressivamente mais dependente”. E por aí vai. Hoje, todos querem proferir sua sentença sobre “o que é o governo”. A cada dia, é publicado um novo julgamento, uma nova definição. É como na música moderna: basta piscar os olhos que aparece o maior grupo de todos os tempos da última semana.
As pessoas não precisam desses pronunciamentos. Conforme mostram as pesquisas, os consumidores do jornalismo político não são desinformados e incapazes de elaborar suas próprias avaliações. Ao contrário. Quem procura nas velhas ou nas novas mídias o comentário e a análise, não deseja que alguém dê a conclusão. Quer concluir sozinho.
Quando um governo “mal começou”, mais ainda. Embora, para os profissionais da imprensa, o governo Dilma possa já estar durando uma infinidade de tempo, está nos primórdios para a opinião pública. O que uns acham que é tempo mais que suficiente para julgar, outros consideram que é prazo demasiadamente pequeno.
Essa não é uma característica inusitada do atual governo, fruto de alguma idiossincrasia proveniente de sua história e natureza. Todos costumam ser percebidos dessa maneira quando sequer chegaram ao fim do primeiro ano.
Já vimos fenômenos semelhantes em governadores e prefeitos que não tinham, antes de chegar ao cargo, maior notoriedade. Sem trajetória e biografia conhecidas, sua imagem não estava formada. Tipicamente, são os que se elegeram em função do endosso de alguém querido e respeitado.
A novidade, com Dilma, é que isso está acontecendo, agora, com uma presidente da República. O que não muda o fundamental: para a opinião pública, não está na hora de julgá-la (seja positivamente, para onde parece convergir a vasta maioria da sociedade, ou negativamente).
Será preciso tempo para que as feições definitivas do governo Dilma fiquem claras. Por enquanto, apenas alguns traços estão nítidos, mas não formam, ainda, um retrato consolidado.
Isso não incomoda o país, que sabe esperar, entre outras razões porque sabia que assim seria com ela. Com seu proverbial bom-senso, o povo não se sente premido a chegar a qualquer conclusão antes da hora.
Quem não se aguenta e fica pulando de conceito em conceito são os que mais serenidade deveriam ter. O problema é que, de tanto se precipitar, acabam queimando a língua.
*Marcos Coimbra, sociólogo, preside o Instituto Vox Populi e escreve para o ‘Correio Braziliense’. 

  • Terça-feira, 30 Agosto 2011 / 10:44

Fora Julio!!!

      Se o governo Sergio Cabral tivesse um mínimo de respeito com os cidadãos, já teria demitido Julio Lopes da secretaria de Transportes do Rio, depois da tragédia anunciada com o bondinho de Santa Teresa, que matou 5 pessoas e feriu 57.
                          * * *
Confesso que entrei atrasado nessa campanha.
Mas antes tarde do que nunca.
Fora Julio Lopes!

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