• Segunda-feira, 27 Junho 2011 / 11:55

Diga aí, Cabral

   Prometi voltar a este blog em julho.
Enquanto isso voces podem se deliciar com a nota do jornalista Ricardo Noblat, postado hoje de manhã, no blog do Noblat, no site do Globo.
 
                             * * *

   “Governador Sérgio Cabral: minha solidariedade. Fora a perda de um filho, nada dói mais do que ver um filho sofrer. Tenho um que perdeu a namorada em acidente de carro. E foi ele quem encontrou o corpo.
O senhor fez bem em licenciar-se do cargo para ficar ao lado do seu filho. Pezão, o vice, dá conta do recado. É eficiente. Está acostumado.
Só não escale Pezão para responder perguntas que apenas ao senhor cabe responder.
Não são poucas. E estão na boca das pessoas que ainda se preocupam com as parcerias público-privadas entre políticos, seus amigos e benfeitores.
Sou do tempo em que os políticos escondiam amantes, tesoureiros de campanha e empresários do peito.
Amantes ainda são mantidas à sombra – embora algumas delas, de um tempo para cá, tenham protagonizado barulhentos escândalos. Outras morrem sem abrir o bico.
Tesoureiros? Esses se expõem ao sol sem o menor pudor. São reconhecidos em toda parte. E fingem que abdicaram de cometer antigos pecados. Pois sim! Acredite…
Quanto a empresários do peito… Liberou geral.
Direto ao ponto: por que o senhor viajou a Porto Seguro, acompanhado de parentes, em jatinho cedido por Eike Batista, dono de muitos negócios que dependem do interesse ou da boa vontade do governo do Rio de Janeiro?
Foi o senhor que pediu o jatinho emprestado? Foi Eike quem ofereceu? Se ele ofereceu como soube que o senhor precisava de um?
Há vôos comerciais diários para Porto Seguro. Por que não embarcou em um deles pagando do próprio bolso a sua passagem e as de seus familiares?
O jato de Eike decolou com o senhor do aeroporto Santos Dumont às 17h da última sexta-feira dia 17. O vôo 3917 da TAM decolou antes – às 10h15. Nele, o senhor teria chegado ao seu destino às 14h16.
Não considera indecoroso viajar a custa de um empresário que em 2010 doou para sua campanha R$ 750 mil? Um empresário beneficiado por isenções concedidas por seu governo?
Foi por isso que sua assessoria, no primeiro momento, negou que o senhor tivesse voado para Porto Seguro? Foi por isso que o senhor preferiu voltar em um jatinho alugado por seu governo?
Se a autoridade máxima de um Estado pede ou aceita favores de empresários não será compreensível que seus secretários também aceitem, igualmente os subsecretários, chefes de gabinetes, chefes de repartições – e assim por diante?
Que diferença existe entre um agrado feito com dinheiro e outro com gasolina e conforto?
O que o levou a Porto Seguro foi a comemoração de mais um aniversário do empresário Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta Construções, cujos contratos abocanhados para obras durante seu governo valem em torno de R$ 1 bilhão. Somente no ano passado a Delta ganhou 18 contratos – 13 deles sem licitação.
Em momento algum o senhor imaginou que não pegaria bem comparecer a um evento promovido por quem tanto lhe deve?
Um homem público não deveria saber distinguir entre prestadores de serviços ao Estado e amigos pessoais? A mistura do público com o privado não acabaria por causar sérios danos à sua imagem?
Quem acreditará que Cabral, amigo de Cavendish, nada tem a ver com Cabral, governador do Rio e cliente de Cavendish?
E onde mesmo seria a festa de aniversário do empresário? No Jacumã Ocean Resort, de propriedade do piloto Marcelo Mattoso de Almeida – um ex-doleiro acusado de fraude cambial há 15 anos.
Marcelo foi dono da empresa First Class, acusada de ter cometido crime ambiental na praia do Iguaçu, na Ilha Grande, em Angra dos Reis.
Sinto muito, governador, mas é com esse tipo de gente que o senhor anda? É a esse tipo de gente que o senhor não se constrange em ficar devendo favores?
Eike Batista disse que cedeu seu jatinho ao senhor com “satisfação” e “orgulho”. E que é livre para selecionar suas amizades.
Lembrou-me a rainha francesa Maria Antonieta, no Palácio de Versalhes, mandando o povo comer brioches às vésperas da revolução que a guilhotinou.
Se quiser ser levado a sério, o homem público que deve seu mandato ao povo está proibido de desfrutar do mesmo grau de liberdade.
Reflita com calma a respeito, Cabral. E não deixe uma só dessas perguntas sem resposta”.

  • Terça-feira, 14 Junho 2011 / 18:22

Nem Boechat, nem Gama são omissos

     Não tenho procuração nem do meu amigo Ricardo Boechat, nem do blogueiro Ricardo Gama, que não conheço, mas deixei claro, na primeira hora, que o atentado que ele  sofreu certamente tinha tudo a ver com o tom de suas postagens.
Navegando agora pela internet, vi que os dois não estão omissos como acreditam os amigos de Fernando Peregrino.
O áudio é do Boechat, e quem colocou no YouTube foi o Ricardo Gama.

  • Terça-feira, 14 Junho 2011 / 9:16

Peregrino e os vândalos de Cabral

    Diz o professor Fernando Peregrino em seu blog que “Ricardo Gama, Dacio Malta, Ricardo Boechat e Anthony Garotinho, independentemente das diferenças” entre eles, existem algumas coincidencias, como a de serem “críticos ferozes de governantes e autoridades, e recentemente tem sido um grande incômodo para Cabral no cenário de uma mídia comprada e silenciada”.
“Por coincidência, nos últimos 2 meses – continua o professor – o público esteve ameaçado (ou está) de ficar sem a opinião corajosa e direta de todos eles. No caso de Dácio Malta e Ricardo Boechat, pelo estranho desaparecimento dos dois.  No caso de Ricardo e Garotinho, pelo atentado que sofreram.
O que está acontecendo com aqueles que “tem voz independente” no Rio de Janeiro de Cabral?” – indaga Peregrino no final.
                             * * *
De minha parte eu continuo vivo. E continuo crítico não só de Cabral, mas de boa parte dos que os cercam e de outra imensa parte que prefere mantê-lo a distância.
O que ocorre comigo é que estou envolvido com um documentário que fiz para comemorar o centenário de nascimento de Noel Rosa.
O que seria um programa de TV, acabou virando um filme e, modestamente, muito bem sucedido.
Como filme, já que ele foi feito em capítulos para a TV Brasil, ele estreiou na telona em maio, no Festival de Cinema Brasileiro em Paris.
No Brasil, foi exibido no CineDocumenta, em Ipatinga; e no Festival de Cinema de  Maringá, onde ganhei o honroso prêmio de melhor diretor entre 293 concorrentes.
No dia 29 de junho, será apresentado no Festival de AudioVisual do Mercosul, em Florianópolis,  em setembro no CineMúsica de Conservatória, e em outubro no Festival do Japão, a começar por Tóquio.
Essa é a explicação do meu sumiço. Quem quiser saber mais sobre ele acesse o www.noelrosa-poetadavila.com.br.
Acho que em julho estarei mais tranquilo para voltar ao blog.
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Mas para mostrar que estou vivo…
Só mesmo aqui no Rio de Janeiro, bombeiros são chamados de vândalos.
Em qualquer parte do mundo, eles são heróis. Se só existisse o trabalho realizado no morro do Bumba, em Niterói – esse seria mais do que suficiente para classificá-los como heróis.
E mais: talvez eles sejam a classe mais unida, não aqui no Rio ou no Brasil, mas em todo o mundo.
Quem assistiu o filme de Michael Moore sobre o sistema de saúde dos Estados Unidos, sabe do que estou falando, quando no final existe o abraço emocionado dos bombeiros cubanos e norte-americanos, que
participaram da operação no World Trade Center.
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Sergio Côrtes, secretário de Saúde, ganhou o comando do Corpo de Bombeiros, no início do governo Cabral, por puro capricho.
No iníco de sua carreira, ele foi médico da corporação, e queria comandar seus ex-comandantes, e mais: por pura vaidade, sonhava em desfilar pela cidade com um um ajudante de ordens e suas dragonas.
Escândalos na sua Pasta surgiram desde o início da gestão.
E muitos, ainda, um dia serão revelados.
Como por exemplo a utilização de helicópteros da corporação, para transportar, no domingo de Carnaval do primeiro ano de governo, as fantasias de seus amigos e familiares que estavam em Mangaratiba, passando o final de semana e desfilariam a noite na Sapucaí.
Isso não é roubalheira, e lá existe aos borbotões. Isso é apenas abuso de poder.
                            * * *
Quanto ao nosso governador fanfarrão, nada tenho de pessoal contra ele.
Minha questão com ele é apenas política e administrativa.
Mas não estou calado por motivos outros a não ser àqueles que expliquei no início da nota.
Vou sumir de novo.
Mas prometo voltar.
Aguardem…

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