• Domingo, 24 Abril 2011 / 10:16

Os criminosos do RioCentro

      Os repórteres Chico Otavio e Alessandra Duarte escreveram hoje em ‘Globo’, a mais importante reportagem desse final de semana. Ainda não é tudo, mas são novos dados a serem apurados pela futura Comissão da Verdade:
“Deixar que a bomba explodisse em seu colo não foi o único erro do sargento Guilherme Pereira do Rosário na noite de 30 de abril de 1981, no Riocentro. O “agente Wagner” do Destacamento de Operações de Informações do 1º Exército (DOI I), principal centro de tortura do regime militar no Rio, também levava no bolso uma pequena agenda telefônica, contendo nomes reais, e não codinomes, e respectivos telefones, de militares e civis envolvidos com tortura e espionagem. Quatro deles eram ligados ao “Grupo Secreto”, organização paramilitar de direita que desencadeou uma série de atos terroristas na tentativa de deter a abertura política.
Havia ainda nomes-chave da polícia fluminense, como o chefe de gabinete do secretário de Segurança e o chefe da unidade de elite policial da época, o Grupo de Operações Especiais, mais tarde Departamento Geral de Investigações Especiais, setor especializado em explosivos que tinha a responsabilidade de investigar justamente atentados a bomba como os patrocinados pelos bolsões radicais alojados na caserna.
Trinta anos depois do atentado que vitimou o próprio autor e feriu gravemente o então capitão Wilson Machado, O GLOBO localizou a agenda e identificou metade dos 107 nomes e telefones anotados pelo sargento. De oficiais graduados a soldados, de delegados a detetives, Rosário tinha contatos em setores estratégicos, como o Estado-Maior da PM e a chefia de gabinete da Secretaria de Segurança, além de amigos ligados a setores operacionais, como fábrica de armamento e cadastros de trânsito.
A rede formada por esses contatos mostra onde se apoiavam as ações dos insatisfeitos com a abertura. Na segunda metade dos anos 70, o governo Geisel determinou a desmobilização da máquina de torturar e matar nos porões do regime, que mudou de direção, indo da brutalidade para ações de inteligência, com a reestruturação dos DOIs. Descontentes com as mudanças, sargentos como Rosário, sobretudo os paraquedistas arregimentados anos antes pela repressão, transformaram-se em braços operacionais de grupos terroristas de extrema direita. Rosário e sua turma foram buscar na ação clandestina, fora da cadeia de comando, o poder gradativamente perdido.
Recolhida pelo então tenente Divany Carvalho Barros, o “doutor Áureo”, também do DOI, pouco depois da explosão, a agenda de Rosário só seria submetida à perícia 19 anos depois, em abril de 2000, no segundo IPM sobre o atentado. Porém, desde que o caso foi arquivado, naquele mesmo ano, o caderninho marrom, do tamanho da palma da uma mão e que trazia em seu cabeçalho a prece “Confio em Deus com todas as forças e peço a Deus que ilumine o meu caminho e toda a minha vida”, permanecia esquecido em um envelope, num dos anexos do volumoso processo sobre o caso, no Superior Tribunal Militar (STM).
Para montar a rede do sargento, foi preciso cruzar nomes e números da agenda com catálogos telefônicos da época, e com telefones e endereços atuais, bem como outras fontes de informação. Para entender a rede, a lista de contatos foi dividida em cinco segmentos: integrantes do Grupo Secreto, do qual Rosário era provavelmente ativo protagonista; a comunidade de informações (incluindo militares até hoje envolvidos com arapongagem); agentes da Secretaria estadual de Segurança (polícias Civil e Militar, como integrantes do serviço de inteligência e de grupos de peritos em explosivos); representantes da sociedade civil, como empresas de construção civil e de equipamentos elétricos; além de um sub-reitor da Uerj que consta como tendo auxiliado quadros da repressão; e até meios de comunicação, cujos telefones seriam usados pelos terroristas para a comunicação de atentados.
O atentado do Riocentro foi alvo de dois inquéritos policial-militares do Exército. O primeiro, em 1981, foi considerado farsa ao concluir que o sargento e o capitão foram vítimas, e não autores da ação. Já o segundo IPM, provocado pela reabertura do caso em 1999, mudou a versão oficial, comprovando o envolvimento da dupla do DOI, além de um oficial (Freddie Perdigão) e um civil (Hilário Corrales), mas ninguém foi levado a julgamento: o STM entendeu que os autores estavam cobertos pela anistia.
A agenda, porém, nunca foi considerada como pista para o esclarecimento do atentado e da ação dos terroristas do período. Se os investigadores se detivessem nos nomes anotados, teriam descoberto, por exemplo, que o aviador Leuzinger Marques Lima (para Rosário, Léo Asa) , um dos nomes do Grupo Secreto, participara da Revolta de Aragarças, contra o governo JK, ainda nos anos 50. No episódio, Léo Asa envolveu-se no sequestro de um avião da Panair e planejou com outros revoltosos jogar bombas nos palácios das Laranjeiras e do Catete.
Outro do Grupo Secreto no caderno de Rosário era o general Camilo Borges de Castro, cujo telefone pessoal reforça a tese de que o terror agia fora da cadeia de comando, sem respeitar a hierarquia. Castro era amigo do marceneiro Hilário Corrales, civil que integrava o grupo e que teria montado a bomba que colocaria Rosário na História política do país. O irmão de Hilário, Gilberto Corrales, também teve o nome anotado na agenda.
O coronel do Exército Freddie Perdigão Pereira foi o quarto nome do Grupo Secreto encontrado no caderno de Rosário. Apontado pelo projeto Brasil Nunca Mais como notório torturador, era o “dr. Nagib” do DOI I e da “Casa da Morte”, em Petrópolis. Na época do Riocentro, estava na Agência Rio do SNI. O general Newton Cruz, chefe da Agência Central do órgão, chegou a admitir que Perdigão lhe falou do atentado antes de ele ocorrer.
Da Secretaria de Segurança, havia integrantes das polícias Militar e Civil com algum tipo de relação com o atentado. Um dos PMs na agenda, o segundo-tenente José Armindo Nazário, trabalhava no Estado-Maior da PM – justamente a unidade que deu ordem para suspender o patrulhamento no Riocentro na noite do atentado. Nazário também era ligado à inteligência da PM, a P-2. Em 69, foi designado pelo general Emílio Médici, então chefe do SNI, para servir em Brasília; em 73, foi para a divisão de Segurança e Informações do Ministério da Justiça.   
Outro nome do caderninho é o do coronel da PM Hamilton Dorta, ex-sargento do Exército e chefe da P-2 de vários batalhões da PM nos anos 1970. De 1978 a 1981, ele foi subdiretor de segurança externa da Secretaria de Justiça, cargo ligado ao Desipe, no qual cuidava da inteligência de movimentações de presos comuns e políticos, e também da segurança de presídios, para evitar, por exemplo, ações de resgate. O telefone associado a Dorta na agenda pertencia ao Departamento Penitenciário da época.
Da Polícia Civil, um dos nomes identificados é o do delegado Sérgio Farjalla. Ex-instrutor de tiro da Academia de Polícia, ele também foi ligado à Delegacia de Polícia Política e Social (DPPS), órgão que investigava atentados a bomba na época. Mais tarde, Farjalla se tornaria um dos primeiros especialistas em efeitos especiais do país e abriria uma empresa especializada.
A agenda registra ainda o telefone de “Solange Tavares – esposa dr. Ilo”. A advogada Solange era mulher do delegado Ilo Salgado Bastos, chefe de gabinete do secretário de Segurança nos anos 80 – na época, o secretário era Olavo de Lima Rangel, ex-Dops. Nessa função, Ilo, ex-Dops, ex-DPPS e próximo de alguns dos “Doze Homens de Ouro” da polícia, coordenava todas as delegacias distritais do Rio. Na secretaria, era um dos poucos a ter uma espécie de “telefone vermelho”, um aparelho sem discador, só para receber ligações diretas do secretário.
A maioria das pessoas que constavam da agenda e que foram contactadas pela reportagem disse não se lembrar do sargento, mas não soube explicar por que seu nome estava na agenda”.

  • Domingo, 24 Abril 2011 / 10:15

A política e a bebida

       O repórter Jorge Bastos Moreno escreve hoje, em ‘O Globo’, a mais deliciosa matéria desse final de semana. O hábito dos políticos com a bebida.
Eis o seu texto:
“Se a Lei Seca estivesse em vigência há 30 anos, o senador Aécio Neves, flagrado semana passada numa blitz no Rio, não estaria sozinho, mas numa galeria de ilustres homens públicos que prestaram relevantes serviços ao país. Pela carteira de habilitação vencida e, principalmente, pela recusa do teste do bafômetro – reação confessa de ingestão de bebidas.
Homens públicos que sempre fizeram da política sua única atividade profissional geralmente são muitos desorganizados e delegam a terceiros a atualização de seus documentos. E a habilitação nunca esteve entre suas prioridades, até porque quase nunca dirigem.
Mas o quesito que chama mais a atenção da opinião pública, o de ter ingerido álcool, é, paradoxalmente, a coisa mais comuns entre os políticos. Beber é da atividade. Se não, como atravessar noites debatendo com aliados e adversários e, também, em casa, aliviar o estresse do dia a dia.
Aliás, uma das máximas da política é não confiar em quem não bebe. Não conheci um bom político que não bebesse. E bem. Entre eles, vários ex-presidentes, ex-governadores e ex-chefes do Poder Legislativo.
Se todo mundo bebe, por que somente o ex-presidente Lula carregou a fama? Por preconceito a um operário que chegou à Presidência da República? Claro que não. Seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, como veremos adiante, também era bom de copo, assim como seus antecessores.
A fama de Lula só ultrapassou o círculo fechado da política porque o petista nunca cometeu a hipocrisia de esconder de ninguém que bebia. Então, Lula não foi profissional na arte de beber? Hipocritamente falando, não. Nem ele nem Aécio Neves. Por isso sempre foram os mais visados.
Como temente a Deus e partidário da tese de que “aqui se faz, aqui se paga”, tenho uma convicção mais mística sobre as razões de Lula ter pagado um preço por um hábito que é, na verdade, praticado pela maioria dos políticos e pelo próprio povo brasileiro (ainda semana passada, pesquisas revelaram que a população está bebendo mais). É forte o que vou dizer agora, mas me baseio nos fatos, naquilo que Ulysses Guimarães dizia: “Sua Excelência, o fato”. Contra fatos, não há argumentos: Lula, estranhamente, sempre foi preconceituoso com a bebida, por mais que gostasse dela. Amigos mais íntimos atribuem isso a traumas sofridos na infância.
Quando se afastou do governo Itamar Franco, entre outras alegações, Lula dizia que o presidente preterira a indicação do renomado jurista Raymundo Faoro pela “daquele pinguço do Maurício Corrêa”, que, por uma dessas peças da vida, veio a presidir o Supremo Tribunal Federal na gestão do petista. Corrêa, como presidente do STF, infernizou a vida de Lula, lembram?
Outra prova do preconceito de Lula contra a bebida ocorreu na campanha de 1998, contra Fernando Henrique. Em vários comícios, inclusive um na Praça da Sé, em São Paulo, Lula tentava desqualificar o prestígio internacional do adversário dizendo que seus maiores amigos eram “um maníaco sexual ( Bill Clinton ) e um cachaceiro ( Boris Yeltsin)”. Bem, quando o “NYT” fez o mesmo com ele, Lula quis expulsar o correspondente do jornal.
Mas as famas de Lula e de Aécio são totalmente injustas se olharmos para a famosa galeria dos bons de copo, que, entre tantos ilustres, inclui o próprio FH, Ulysses, Tancredo Neves, Itamar, Severo Gomes, Sepúlveda Pertence, Nelson Jobim, José Eduardo Dutra, Jarbas Vasconcelos, Sérgio Cabral, Miguel Arraes, Marcello Alencar, Hélio Garcia, Marcelo Déda, Jaques Wagner, e vou parar por aqui para não ser injusto com os que não estão nessa seleta relação. Escolhi, propositadamente, os mais corretos, até para deixar claro que beber não é crime. Crime é roubar. E, geralmente, o político corrupto não perde a sobriedade para não perder uma jogada. Eles quase não bebem. Daí a desconfiança na política contra os abstêmios.
Fernando Henrique sempre foi um bebedor sofisticado, discreto. Poucas vezes foi flagrado “mais alegre”, a não ser em duas ocasiões que, até a publicação desta matéria, permaneciam no círculo restrito da política. Uma vez, como senador, em Porto de Galinhas (PE), com os falecidos Ulysses Guimarães e Carlos Wilson. Os três tentavam dominar um “bugre”. Até hoje, não se sabe quem estava mais bêbado.
Em outro episódio, também no litoral nordestino, FH, na Praia do Francês (AL), chegou a ficar quase nu num mergulho. Foi fotografado pelas costas com a bunda de fora. A autora da foto, procurada agora por mim para ilustrar este texto, disse que a vítima sempre soube da existência da foto, mas nunca se preocupou com ela, nem nas campanhas eleitorais, pois sabia que estava entre amigos. Além do mais, a própria imagem deixava claro ter sido acidente banal e não uma exibição. Eu queria ter essa autoconfiança do FH.
Já Ulysses era bebedor profissional, tão profissional que era difícil percebê-lo bêbado. Já tinha a vantagem de falar normalmente com a língua enrolada e de não ter sentido de direção: só, não conseguia chegar nem a sua casa – o que era comprometedor para quem bebia, no seu caso era característica bem conhecida. Dos políticos que conheci, Ulysses talvez fosse o que melhor sabia beber bem e sofisticadamente, e, repito, embriagar-se sem parecer bêbado. Poderia contar aqui algumas histórias de Ulysses. Mas é absolutamente desnecessário. Ou vocês acham que um homem que criou a “turma do poire” – aguardente de pera mais forte que a nossa cachaça, que derruba o freguês só pelo perfume embriagador – precisa de mais histórias? Integrante daquele clube que mandava no país na época, Ibsen Pinheiro certa vez revelou: “Boa, só a turma, o poire é muito ruim.” Que blasfêmia! Não havia um chefe político dos locais mais distantes do país que não recebesse Ulysses com uma garrafa de poire.
Tancredo Neves não ficava para trás. Sua preferência eram os vinhos. Certa vez – e esta história foi espalhada por Ulysses – numa bebedeira na casa de uma amiga em Brasília, às vésperas da Semana Santa, Tancredo subiu na mesa e, solenemente, fez um convite geral:
- Minha São João del Rey é paradoxalmente a cidade mais profana e religiosa do Brasil: tem o melhor carnaval e a melhor Semana Santa! Por isso, convido a todos para irem comigo.
No dia seguinte, a pedido de Tancredo, Ulysses telefonou aos convidados alegando que o colega pegara gripe forte e voltaria ao Rio, onde morava. A propósito: Tancredo, como deputado, senador e governador de Minas Gerais, sempre morou no Rio. Deve ser coisa de DNA”.

  • Domingo, 24 Abril 2011 / 10:12

De Wallis.de.Windsor@edu para Katy@org

                                                                     Élio Gaspari*
       Querida Kate Middleton,
Sexta-feira você terá o que eu não tive. Entrará na abadia de Westminster, para os braços de William, o homem que te ama. Pelo amor que me tinha, o rei Eduardo 8º abdicou em 1936 e viveu no exílio até sua morte, em 1972. Repete-se à exaustão que, desde 1660, você será a primeira plebeia a se casar com um futuro rei da Inglaterra. Preste atenção na maneira esnobe como apagam minha presença. David, assim nós o chamávamos, largou o trono e casou-se comigo meses depois. De Wallis Simpson, Duquesa de Windsor, fala-se o mínimo possível, de preferência, mal. Meu retrato nesse filme “O Discurso do Rei” é patético. O Bertie era gago, mas eu não era mal-educada. Outro dia, a czarina Alexandra Romanoff disse-me que fazem comigo o que os bolcheviques fizeram com Trótski, o único comunista charmoso que há por aqui.
Hoje, chamam a família real de “A Firma”. Um mundo de elegância, riqueza e esplendor. A mim, deram ferocidade, frieza e rancor. Não me convidaram para o casamento de Elisabeth com aquele nobre grego arruinado. Repetem que eu não podia ser rainha porque era divorciada. Parece maldição. Três dos quatro filhos da rainha se divorciaram. Em 1991, li no “New York Times” um artigo do Chistopher Hitchens dizendo que o príncipe Andrew é filho de lord Porchester, o encarregado dos estábulos reais. Toda vez que pergunto a Diana quem é o pai do príncipe Harry ela desconversa. Vou às lágrimas quando vejo Margareth, a irmã de Elizabeth proibida de se casar com o piloto Peter Townsend, um divorciado. O moço era um herói da Segunda Guerra. Os dois estão sempre de mãos dadas. Chegaram a escrever que eu era um homem. E o filho que abortei do conde Ciano, que viria a se casar com a menina do Mussolini? Circularam coisas horríveis a respeito da sexualidade do David, mas a respeito desse assunto não abro a boca. Digo-lhe, Kate, que invejo o apelido dado ao seu noivo, “Big Willie”.
Kate, você não se casará com o príncipe apenas por ser bela. Jecca Craig, aquela moça do Quênia, também é linda e tem um jeito selvagem que faz o gênero do seu noivo. Você se casará com William porque é uma mulher forte, vinda de uma família de mulheres fortes. Sua bisavó Edith enviuvou cedo e, sem tostão, criou seis filhos. Sua avó Dorothy perseguiu obsessivamente a ascensão social, e sua mãe, Carol, transformou um hobby de apetrechos para festas de crianças num empreendimento milionário. Na sua família os homens são asteriscos, ou encrenca, como seu tio Gary, um perigoso cafajeste, ou seu irmão James, um bobinho.
Veja os Windsor: o bisavô de William não gostava de ler, seu negócio era cuidar da coleção de selos. Quem mandava na casa era a rainha Mary, com suas joias ridiculamente resplandecentes e seu gosto pelas pedras alheias. Ela depenou os Romanoff oferecendo uma ninharia pelas tiaras das infelizes grã-duquesas. Bertie teve um rochedo na mulher. Tudo o que David e eu padecemos partiu dela. Acredite que ele teve que pedir à sobrinha para que fossemos enterrados no campo de Frogmore, junto com seus ancestrais. A “Firma” foi salva pela força de Elisabeth 2ª.
Diana foi uma mulher forte, mas quando se casou era uma virgem ingênua. Camilla Parker-Bowles triturou-a. É uma leoa (até pela juba) e domesticou Charles. Pudera. Deitada, sua bisavó era a única pessoa no reino capaz de acalmar os acessos de ira de George 5º.
Os compadres de Windsor eram tão fracos que ainda hoje dizem que o chefe da família foi lord Mountbatten. Charles tenta copiá-lo. Os irlandeses explodiram-no em 1979. Jamais conheci corno tão frio, manso e calculista. E cornos conheci. Quando ele ia lá em casa, deixávamos sempre um criado por perto, pois um dia furtou uma peça Fabergé.
Kate, seus nove anos de namoro com William foram de convivência com um jovem sofrido, esmagado entre o dever público e tormentos familiares. Quando vocês foram morar juntos, ele deixou o lar deteriorado de uma família sem emoções. William sofreu o que há de pior, a morte da mãe, detestada no palácio e amada nas ruas. Você fez pelo seu príncipe o que não tive tempo de fazer pelo meu. Talvez nem conseguisse.
Ajude o mundo a se vestir melhor. Não é qualquer uma que, como nós, pode deixar a roupa cair como um véu sobre a cintura. Cuidado para não dizerem que o caimento de seu vestido de noiva lembra o do meu. (O lance da compra pública de calcinhas de renda foi coisa de perua, cuidado.) Morra de fome, mas não engorde. Nas saladas, as folhas de alface dos convidados devem ser aparadas, todas no mesmo tamanho. Vocês se acostumarão a só beber champanhe. William tomando cerveja com sambuca e você misturando rum com frutas tropicais são jovens maltratando o paladar. Joias, Kate, muitas joias no closet, mas poucas no corpo. Não faça como eu que gastava milhões com o Cartier. Há coisas bonitas e baratas. Aquela minha pantera com olhos de esmeraldas iria bem com turmalinas. (A Elisabeth Taylor arrematou-a num leilão e chegou aqui, linda, com ela.)
Você se casará no ascendente de Leão, com o Sol em Touro. Madame Claire, minha astróloga, diz que é bom presságio. Acho que você deve se preparar para a coroação de William a partir de 2020, quando Charles completará 72 anos. Em mais de um milênio, só três soberanos passaram dessa idade. As mulheres de Windsor são longevas, os homens, não. A rainha Vitoria viveu até os 81 anos e Elisabeth fez 85 na quinta-feira.
Cuide-se, você tem tempo.
David manda-lhe um respeitoso cumprimento e eu faço-lhe uma reverência.
Wallis, duquesa de Windsor
*Elio Gaspari é jornalista e escreve para ‘O Globo’ e a ‘Folha’.

  • Domingo, 24 Abril 2011 / 10:08

A crise dos partidos de oposição

                                                  Marcos Coimbra*

       Os partidos de oposição vivem um momento complicado. Tanto o PSDB quanto as legendas menores atravessam dificuldades internas. Nas suas relações com a opinião pública, nenhum alívio. Tampouco nesse front as coisas vão bem.
Essa dura realidade contrasta com o discurso de suas principais lideranças após a eleição do ano passado e mesmo no início deste. Quem não se lembra de como saudaram os “43 milhões de votos” de Serra na disputa presidencial? Ou a conquista de 10 governos estaduais, contados os do PSDB e os do DEM?
Parecia que a derrota de Serra era uma vitória. Quem olhava os mapas coloridos que os grandes jornais publicaram, em que os estados azuis, onde ele venceu, pareciam sobrepujar os vermelhos, onde Dilma se saiu melhor, ficava com a impressão de que o resultado era outro.
Os analistas e comentaristas ligados à oposição ajudaram a difundir a ficção de que os resultados da eleição “até que não foram tão ruins”. Achavam que ela tinha revelado que o “Brasil oposicionista” era grande, muito maior que se imaginava. Grande e dinâmico, pois Serra tinha vencido na maior parte do Brasil moderno e educado. E, em muitos dos principais estados, governadores tucanos ou do DEM haviam derrotado candidaturas do PT e de outros partidos governistas.
Se o Brasil fosse mesmo assim, seria de esperar que Dilma enfrentasse grandes dificuldades em seu relacionamento com a sociedade. Com quase um eleitor oposicionista para um simpático ao governo, ela viveria uma realidade muito diferente daquela que Lula experimentou. Os altos índices de popularidade a que nos acostumamos não se repetiriam.
Passaram-se os meses e nada disso aconteceu. O exército formidável de eleitores oposicionistas se dissipou. Nada sugere que sobreviva. Nas pesquisas de opinião divulgadas de março para cá, Dilma não só mostrou estar com altas taxas de aprovação, como superou os números que o próprio Lula alcançava na mesma altura de seus dois mandatos. Para tristeza de quem apostava que ela seria uma decepção, o que estamos vendo crescer é a parcela que se surpreende favoravelmente com ela.
Em retrospecto, parece claro que o tamanho do “Brasil oposicionista” estava superestimado. Consequentemente, que o sentimento pró-governo (e pró-Lula) era maior que a votação obtida por Dilma. Por razões que têm a ver com nossa cultura política e seu culto às personalidades, Serra teve mais votos que o oposicionismo real que existe no país. Ele inchou porque as pessoas relutaram em conferir o voto a alguém que conheciam havia pouco, por mais que respeitassem e estivessem satisfeitas com quem a indicava.
Na raiz dos problemas atuais da oposição está a constatação de que suas bases diminuíram. Como diria Fernando Henrique, ela não consegue falar com “o povão” e tem que ir à cata das “novas classes médias”, sabe-se lá o que sejam.
O mais grave é que não são só esses seus dilemas. A eles somam-se crescentes dificuldades internas. As mais óbvias são do DEM. O que dizer de um partido (cuja origem remota é a velha Arena, que já foi saudada como o “maior partido do Ocidente”) que não consegue resistir ao ataque de um político do calibre de Gilberto Kassab? Que desmilingue ao ouvir o canto de sereia do PSD?
E o PPS? Talvez seja o preço a pagar pelo personalismo de sua direção e pela falta de coerência de um ex-partido comunista que virou destino para políticos de qualquer convicção. Mas sua crise ameaça ser igual à do ex-PFL, seu companheiro atual de militância.
Quanto ao PSDB, o problema é o de sempre, a relutância em escolher o caminho que pretende seguir. O serrismo continua a puxar o partido para trás, insistindo em uma sobrevida sem perspectivas. É um afogado que se debate e ameaça levar os outros para o fundo.
FHC está certo quando diz que as oposições precisam se reinventar. O problema é como fazê-lo com o que lhes resta.
*Marcos Coimbra, sociólogo, preside o Instituto Vox Populi e escreve para o ‘Correio Braziliense’.

  • Domingo, 24 Abril 2011 / 10:07

Enquanto há vida…

     O ‘Correio Braziliense’ entrevistou o nome presidente do DEM,senador Agripino Maia:
- O senhor acha que a oposição está atordoada e sem estratégias claras?
- Acho que estamos começando a pegar o ritmo. O governo tem apenas quatro meses. Precisamos analisar as coisas, as condutas, para atacar os pontos certos.
- O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fala em conquistar a nova classe média. Vocês tinham pensado nisso?
- Claro. Acho que, entre as ideias defendidas pelo ex-presidente, tem muita coisa aproveitável. Tenho uma linha própria de pensamento e o que ele diz faz parte dela. Mas acho que temos de avançar em todas as classes e atingir todos os insatisfeitos. Claro que não podemos ignorar que a classe emergente é uma grande meta. Mas há gente insatisfeita em todas as camadas sociais.
- E o que está sendo feito para atingir essa meta?
- Acho que estamos começando a analisar os cenários para atacar o que está errado. Não vamos criticar por criticar os programas, mas apontar as falhas deles. Isso vai atrair mais gente porque elas vão ver que as coisas não são essa maravilha que tentam vender.
- E vocês já começaram a fazer isso?
- Sim. Devagar, porque o governo está começando agora. Mas estamos procurando meios de analisar e apontar os erros. Estamos no caminho certo e vamos intensificar essa fiscalização.
- Se vocês estão no rumo certo, como explicar a debandada de integrantes da oposição para o recém-criado PSD?
- Esses políticos que migraram fazem parte de um grupo disposto a chegar perto das benesses do poder. Creio que isso ocorreu em parte pelos incômodos regionais e em parte pelo interesse dessas pessoas de buscar um viés governista de vantagens. É difícil brigar contra isso.

  • Sábado, 23 Abril 2011 / 10:53

Viva Ogum e Viva São Jorge!!!

 A lua
Quando clareia o terreno
Em forma de pandeiro
O samba brasileiro fica mais bonito
A voz do partideiro
Vai ao infinito
Há sempre uma história a contar
Pro povo que veio de lá
De além-mar
É uma voz que não se cala
Que superou a senzala
E conseguiu se libertar

É uma voz que não se cala
Que superou a senzala
E conseguiu se libertar

Os astros têm influência no samba
Clareia a mente de um bamba
Que cultiva a inspiração
Lua de Ogum
Não deixe em momento algum
Meu samba na escuridão
Clareia meus acordes musicais
Ou será que a lua
De São Jorge não é mais
Clareia meus acordes musicais(a lua)

  • Sábado, 23 Abril 2011 / 10:36

Good bye

     A principal avenida do país, que liga o Palácio do Planalto à Esplanada dos Ministérios. 13.26 horas, sábado, 19 de março.

Como foi – Antes da visita de Barak Obama, fiz cobertura da viagem de seis presidentes americanos ao Brasil: Jimmy Carter, Ronald Reagan, Bill Clinton, Bush pai e Bush filho. Em todas vi o rigor do pessoal da segurança, o que é natural porque afinal trata-se de proteger a integridade do homem que dirige a nação mais poderosa do planeta. Compreende-se, enfim. Mas pela primeira vez viu-se algo que beira a paranóia: a proibição da circulação de automóveis e pessoas num raio de quase de um quilômetro. Ultrapassou o exagero. É só ver nessa foto aí, a Avenida N-1 inteiramente vazia.

  • Sábado, 23 Abril 2011 / 10:26

23/4/2011

“Já falei para o Aécio: você precisa parar de… dirigir”.

De José Serra sobre a blitz que multou o rival Aécio Neves.

  • Sábado, 23 Abril 2011 / 10:19

Cabral foi quem multou Aécio

      De Jorge Bastos Moreno, no seu Nhenhenhém, de ‘O Globo’:
“Da última vez que tinha sido parado numa blitz, praticamente naquele mesmo local, Aécio Neves protagonizou uma cena, elogiada na época até pelo então presidente Lula.
Então governador de Minas, Aécio desceu do carro esfuziante:
- Parabéns, vocês têm o melhor governador do país… – disse, e fez um belo discurso sobre a política de segurança pública de Cabral.
Aplaudido, Aécio foi escoltado até a garagem do seu apartamento, no Jardim de Alah.
Desta vez, ao citar o nome de Sérgio Cabral, Aécio foi detido, tomaram-lhe os documentos e o carro, pontuaram negativamente sua carteira e aplicaram-lhe uma multa.
Por que tanta violência, meu Deus?!
Então, amigos, o problema não é do Aécio com a lei.
É a popularidade de Cabral que anda em baixa.
Deve ser por causa dos baixos salários das polícias”.

  • Sábado, 23 Abril 2011 / 10:19

Cabral e sua dolce vita

      Jorge Bastos Moreno, que é Jorge pois nasceu no dia do Santo, está hoje com a macaca.
Vejam duas notas de hoje:
“Sabem de quem Cabral tem inveja? Do psiquiatra Jorge Alberto da Costa e Silva.
O cara tem 16 milhões de milhas.
Só da Air France”.
                   * * *
“Cabral pode ser bom na administração pública, mas é ruim de História.
Achou que Cristo foi enterrado na Quinta Avenida.
E foi rezar lá, nesta Semana Santa.
No túmulo do apóstolo São Salvatore Ferragamo”.

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