• Domingo, 27 Março 2011 / 9:59

Para Sempre

      Em fevereiro, Chico Alencar publicou, em seu blog, um poema de Carlos Drummond de Andrade, que agora reproduzo:

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

  • Sexta-feira, 25 Março 2011 / 7:40

Justiça para Ricardo Gama

      O blogueiro Ricardo Gama levou três tiros na cabeça, durante uma quarta-feira, pela manhã, em pleno bairro de Copacabana.
Se o fato tivesse ocorrido, com um jornalista, na mais longíqua cidade do país, a repercussão contra o crime teria sido maior.

  • Sexta-feira, 25 Março 2011 / 7:37

Polícia nada sabe sobre blogueiro

        Já se passaram mais de 48 horas e a polícia do Rio não tem, pelo que sabe, nenhuma pista do assassino que disparou três tiros contra o blogueiro Ricardo Gama.
É preciso descobrir quem é o assassino, para que se chegue ao mandante.

  • Sexta-feira, 25 Março 2011 / 7:35

Artrite esconde governador

  Bendita hora que o governador Sergio Cabral arranjou uma “artrite aguda no tornozelo”
Ele teria muito o que falar, aos repórteres, durante a festa de ‘O Globo’.
Doente, não compareceu.
              * * *
E por conta da artrite, ele continua calado.

  • Sexta-feira, 25 Março 2011 / 7:32

PM covarde ataca desabrigados

        No mesmo dia em que o secretario de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, recebeu o título de Personalidade do Ano, o jornal que concedeu-lhe a honraria publicou, na primeira página, a foto de um seus subordinados, um PM bandido, usando spray de pimenta nos olhos de duas meninas e da mãe que reclamava a falta de pagamento do chamado salário moradia, para as vítimas do Morro do Bumba, em Niterói.
O salário moradia não é pago desde dezembro.
São tres meses de atraso.

  • Quinta-feira, 24 Março 2011 / 10:41

Ruim da cabeça e doente do pé

      O governador Sergio Cabral não compareceu a festa promovida pelo ‘Globo’, para aqueles que fizeram a diferença em 2010.
Segundo nota distribuída por Cabral, “uma artrite aguda no tornozelo direito me impede de ir ao evento”.
                 * * *
Sabia-se que o governador era ruim da cabeça.
Agora ele revela que é doente do pé.

  • Quarta-feira, 23 Março 2011 / 15:24

Rio, cidade de assassinos

     A Polícia do Rio de Janeiro tem 24 horas para encontrar os autores do atentado contra o blogueiro Ricardo Gama.
Caso não os encontre, não será difícil identificar os mandantes do crime.
Basta uma leitura ligeira em seu blog.

  • Quarta-feira, 23 Março 2011 / 10:23

Muito barulho por nada

                                                          Marcos Coimbra*
         Chega a ser impressionante a falta de perspectiva de alguns jornais quando discutem as movimentações do prefeito Gilberto Kassab. Quem os lê fica com a sensação de que elas são relevantes. Só que não têm a menor importância.
Desde o início do ano, Kassab estava anunciando que sairia do DEM, que pretendia deixar o partido pelo qual conseguira os mandatos de deputado federal, vice-prefeito e prefeito de São Paulo. Não por acaso, depois que havia ficado patente que a maioria de seus correligionários abandonava o serrismo e mostrava preferência por Aécio.
Sua primeira intenção foi migrar para o PMDB, coisa que fazia sentido, pois, no estado, o partido estava de portas abertas, à disposição de quem chegasse para ocupá-lo. Com a morte de Quércia e a posse de Michel Temer na vice-presidência da República, ficara acéfalo e parecia uma presa fácil.
Por dois motivos, essa opção teve que ser abandonada. De um lado, requeria o endosso da direção nacional peemedebista, o que se revelou complicado. De outro, implicava alto risco de perda do cargo, pela interpretação da Justiça Eleitoral a respeito da titularidade dos mandatos. Para ela, quem sai de um partido sem uma boa razão não leva o mandato que recebeu por seu intermédio. Kassab podia se mudar para onde lhe aprouvesse, mas teria que abrir mão da prefeitura.
Havia, no entanto, uma maneira de circundar esses obstáculos. Bastava criar um novo partido e a mágica estava feita. Como os tribunais entendem que sair de um partido para fundar outro livra o eleito da perda do mandato, o caminho era esse. Que tinha, além disso, a vantagem de não exigir a aprovação de ninguém.
Por mais vantajosa que fosse, essa alternativa ainda apresentava problemas. Partido novo é partido sem cadeira conquistada no pleito anterior, donde sem acesso à propaganda eleitoral gratuita e aos recursos do fundo partidário. Sem ambos, incapaz de disputar competitivamente as eleições.
Como, para cada dificuldade, costuma haver um remédio, inventaram uma solução. O partido novo seria de mentira, feito somente para driblar a legislação. Antes de 2014, o novo/falso partido se fundiria a algum existente. Seria apenas uma baldeação de Kassab e dos companheiros de aventura que amealhasse, enquanto não arribassem a um partido de verdade.
Durante alguns dias, vimos Kassab à procura de um nome para sua legenda. Que foi PDB e passou a ser PSD (o que deve ter feito com que muita gente ilustre, da estirpe de Juscelino e Tancredo, se revirasse na tumba). É uma escolha tão importante quanto a da cor da gravata que ele vai usar amanhã.
Contam-se nos dedos os políticos que têm relevância pessoal e liderança para fazer o que o prefeito resolveu fazer. E ele não é um deles.
Atualmente, talvez só existam dois, um em cada campo de nossa política. Lula, caso saísse do PT, ou Aécio, caso se retirasse do PSDB, fariam diferença, cada um à sua maneira e em sua escala. Deixariam lacunas imensas nos seus partidos de origem, levando consigo gente expressiva, em número e qualidade. Mudariam o jogo político e eleitoral. Obrigariam, por exemplo, a que novos cálculos para 2014 tivessem que ser feitos.
E Kassab? A única coisa certa é que sua saída é ruim para o DEM, que vai mal das pernas e sofre mais um revés. Mas sua entrada em um novo partido e sua posterior ida para outro não querem dizer (quase) nada.
Como mostram todas as pesquisas, ele tem, hoje, uma imagem apenas sofrível na cidade que administra. Não exerce liderança política, moral ou intelectual nas oposições. Pior, não tem votos. Seu projeto de governar São Paulo esbarra em Alckmin, mais querido que qualquer antecessor e forte candidato a permanecer no Palácio dos Bandeirantes na próxima eleição.
Mas é provável que nada disso tenha importância e que Kassab esteja apenas dando suporte aos planos de Serra, de tê-lo em algum lugar em que possa (talvez) ser útil no futuro. Com o aecismo em alta no DEM, pouco a fazer na sua sucessão e sem espaço na eleição de governador, ele não tem mesmo o que perder.
Arregimentar uma tropa de políticos de menor expressão e ver no que vai dar é melhor que ficar vendo o tempo passar.
*Marcos Coimbra, sociólogo, preside o Instituto Vox Populi e escreve para o ‘Correio Brasiliense’.

  • Quarta-feira, 23 Março 2011 / 10:21

A criação do Che Kadafi

                                                              Elio Gaspari*

       Outro dia, um curioso estava em cima de um camelo nas ruínas de Petra. Saíra da pracinha onde Indiana Jones matou o beduíno fanfarrão, quando três sujeitos apareceram no caminho. Eram ladrões.
Um deles vestia camiseta com a imagem do Che Guevara. Das selvas da Bolívia, a lenda do Guerrilheiro Heroico chegara à cidade perdida dos nabateus.
Ninguém pode prever o que acontecerá com Muammar Kadafi, mas os Estados Unidos estão no caminho da construção de mais um personagem lendário. Daqui a meio século, alguém poderá cruzar com um plantador de coca do altiplano boliviano vestindo uma camiseta do “Rei Filósofo” líbio.
Os mitos são construídos pelos inimigos. Se a Inglaterra tivesse mandado Napoleão para Boston, talvez ele tivesse morrido comerciando vinhos com o ervanário que entesourou. Seu mito deve muito aos seis anos de confinamento na ilha de Santa Helena, onde morreu.
Muitos são os guerrilheiros latino-americanos lembrados -Jorge Masetti, Camilo Torres ou mesmo Sandino-, mas só Guevara tem camisetas até em Petra.
Se Guevara tivesse ido a julgamento, certamente teria sido anistiado pela Bolívia e seria hoje um octogenário reminiscente em Havana. Em outubro de 1967, as forças da coalizão americano-boliviana que o capturaram decidiram executá-lo num casebre do vilarejo de La Higuera. A ordem foi dada pelo comando boliviano e transmitida por um agente da CIA que lhe tungou um Rolex.
A execução de Guevara e a exposição de seu corpo sobre tanques de lavar roupa, numa cena evocativa do Crucificado, abriram o protocolo da lenda. (No YouTube há dezenas de vídeos sobre esse episódio, para todos os gostos.) A casa virou museu e ao lado dela há um enorme busto de Che, à frente de um crucifixo.
Em 1997, seus restos mortais foram transladados para Cuba e estão num mausoléu. As execuções que ordenou tornaram-se justiçamentos, seu fanatismo, coerência, e suas aventuras, desassombro.
Os personagens de cenas como a de La Higuera raramente percebem a dimensão histórica dos episódios de que participam. O general americano que comanda o bombardeio da Líbia acredita que a choldra é boba, manda explodir o conjunto onde se supunha que estivesse Kadafi, e diz que não se pretende matá-lo.
Exatos sete anos depois do bombardeio de Bagdá, transformou-se uma operação militar que se diz destinada a proteger civis numa ofensiva que incluiu o lançamento de bombas sobre a capital líbia. (Nunca é demais lembrar o primeiro verso do hino dos fuzileiros americanos: “Dos salões de Montezuma às praias de Trípoli”.)
À diferença de Che, Kadafi é um oligarca larápio, mas há nele um ingrediente messiânico ausente no DNA do tunisiano Ben Ali ou do egípcio Hosni Mubarak. Como eles, soube seduzir empreiteiros, petroleiros, políticos e professores.
Parece um fanfarrão, mas é possível que fale sério quando diz coisas assim: “Kadafi não é uma pessoa comum, que você possa envenenar ou armar uma revolução contra ele. Eu lutarei até a última gota de meu sangue”.
Imagine-se um cenário catastrófico: Kadafi sai do seu esconderijo e, em vez de se esconder numa cafua, como Saddam Hussein, desaparece, como d. Sebastião, durante um combate num oásis do Saara.
*Elio Gaspari é jornalista e escreve para ‘O Globo’ e a ‘Folha’.

  • Terça-feira, 22 Março 2011 / 21:13

Carvalho explica ausência de Lula

   

     O secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, deu uma entrevista ao reporter Adriano Ceolin, do iG, e explicou a ausência de Lula no banquete oferecido a Obama:  “Conhecendo bem o Lula e o cuidado que ele tem de não fazer sombra para a presidenta Dilma Rousseff, eu achei que fosse muito natural que ele não viesse”, disse. “Lula iria dividir os holofotes com a Dilma. Ele é extremamente cuidadoso nessa questão”.
O ministro criticou o esquema de segurança de Obama que manteve o presidente norte-americano distante do Palácio do Planalto e que determinou a revista a ministros do governo Dilma que participaram de um evento com empresários em Brasília. “Fiquei sabendo pelos jornais. Mas é estranho, não é legal. Nosso cuidado todo com o Obama seria tratá-lo como presidente de um país importante, mas não tratá-lo como nada excepcional”, afirmou.
- O presidente Lula tinha adiantado para o senhor que não viria ao encontro com o presidente dos EUA, Barack Obama?
- Não. Agora já faz mais de uma semana que eu não falo. A última vez foi por telefone. Mas achei muito natural (ele faltar ao encontro com Obama). Conhecendo bem o Lula e o cuidado que ele tem de não fazer sombra para a presidenta Dilma, eu achei que fosse muito natural que ele não viesse. Porque se ele viesse, quer queira, quer não, seria um personagem forte. Uma coisa é o Fernando Henrique Cardoso ou o José Sarney. Outra coisa é o Lula, que deixou o governo agora e teve uma relação com Obama. Teve aquela história do “O Cara”. Teve a crise do Irã. Então, tem uma história de relação com o Obama diferente do Fernando Henrique. Quer queira, quer não, Lula iria dividir os holofotes com a Dilma. Ele é extremamente cuidadoso nessa questão.
- O senhor atuou para evitar os protestos de movimentos sociais na passagem do Obama? O senhor entrou nesse assunto?
- Não entrei. Nossa relação com os movimentos pega sempre no essencial. Nossa preocupação é que não houvesse nenhuma manifestação violenta. Mas a manifestação democrática não vejo nenhum problema. Eu acho até que o público ficou longe demais. Mas isso não foi exigência nossa. Quem botou o pessoal lá perto do Supremo Tribunal Federal não fomos nós. Foi a segurança norte-americana que pediu para limpar a praça (dos Três Poderes).
- Em evento em Brasília, a segurança dos EUA pediu que ministros fossem revistados. O senhor ficou sabendo disso?
- Não fiquei sabendo.
- Foi um evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Eles abandonaram o local.
- Eu abandonaria também. Não acho que seja justo no seu próprio País.
- Alguém reclamou para o senhor?
- Fiquei sabendo pelos jornais. Mas é estranho, não é legal. Nosso cuidado todo com o Obama seria tratá-lo como presidente de um país importante, mas não tratá-lo como nada excepcional. Se você olhar todo ritual que houve com Obama, é exatamente o mesmo ritual que ocorre quando qualquer presidente vem ao País em visita de Estado. Acho que a presidenta Dilma teve uma postura muito altiva, forte. Quando houve divergência ela falou no meio da conversa sobre a Líbia dizendo: “Acho que a guerra não resolve. Não é caminho para paz”. Aliás, está se mostrando isso de novo com a morte de civis.
- Esta semana uma coluna política citou que o PMDB estaria com saudade do presidente Lula. - Risos…
- Porque o Lula tem estilo diferente da Dilma. O senhor podia comentar esses estilos de cada um.
- Não posso responder pelo PMDB evidentemente. Mas eu sempre digo: é o mesmo projeto com estilos diferentes. O que é mais marcante na presidenta Dilma? Ela é mais preocupada com a gestão interna. Ela vai mais ao detalhe. Permanece no gabinete conduzindo todo o processo. Não quer dizer que ela não delegue, mas ela chama muito para si. O Lula ia mais para rua. Não quer dizer a Dilma não vá. Na relação com os partidos, sinceramente, eu não vejo grandes diferenças. Todos os partidos que sentam com a Dilma saem muitos satisfeitos porque ela conversa bem. Ela não quer fazer uma espécie de hegemonia absoluta do PT. Ela está preocupada. Acho que ela convive com o Temer hoje.
- Pelo fato de conhecer muito bem a gestão, a presidenta Dilma é mais rigorosa na escolha dos nomes que vão compor o governo?
- Ela tem uma grande vantagem sobre o Lula. São oito anos de vivência dentro do governo. Herdou algo que já conhecia. Por exemplo, essa coisa de botar gente mais técnica nas agências. É uma conclusão de uma experiência que ocorreu. Essa é a diferença. Tem a vantagem de ter a experiência anterior.
- Nos bancos públicos também deverá ser assim?
- Sim, mas não quer dizer que não vai haver composição política. Vai ter sim composição política (na escolha de nomes para os cargos em bancos públicos).
- Mas o critério…
- O critério principal, claro, vai ser na questão da competência.
- Durante a formação do ministério da presidenta Dilma, houve uma disputa entre o PMDB e PSB por algumas pastas. O senhor acha que, agora, as coisas já estão mais ajustadas?
- Penso que sim. É claro que agora é que vai ser constituído o segundo, terceiro escalão e as empresas estatais. Podemos ter ainda trepidações. Mas acho que as relações estão bem mais assentadas. O PMDB é maior partido aliado nosso, depois o PSB e outros partidos. Por isso não vejo tanta briga entre os partidos da base aliada.
- O senhor acha que esta semana deve acelerar um pouco mais a formação do segundo e terceiro escalões?
- Essa é a tendência de o governo: sentar com os partidos e terminar a montagem do governo. Até porque quanto mais demora isso é pior para o governo.
- O senhor acha que demorou muito?
- Demorou, mas é típico de começo de governo. Em 2003, foi a mesma coisa. Até em 2007 (segundo mandato do Lula) a gente também demorou um pouco. É natural, porque tem de estudar bem.
- Conhecendo a presidenta, o senhor não acha que ela já tem uma avaliação dos ministros? Quem está indo bem, quem está indo mal.
- Ela não tem externado isso. Eu observo que ela faz comentários, mas são pontuais. Já fez comentários bons sobre mim, ruins também. Já me deu uma…
- Já tomou bronca?
- Uai, natural.
- O que é mais difícil: tomar bronca do Lula ou da Dilma?
- Igual. Bronca nunca é bom.
- Mas bronca de mulher…
- Não, não. Ela é super carinhosa. Ao contrário da imagem…
- Está acabando esse mito de durona?
- Ela é muito exigente. Qual é a vantagem? Ela fala na lata. Pá, pá, pá e acabou.
- Mas o Lula também falava, não é?
- O Lula falava muito! Em 23 de março (de 2003), eu já havia levado 30 vezes mais bronca do Lula do que da Dilma.
- O senhor fica mais à vontade na função de ministro do que na função de chefe de gabinete pessoal?
- Não.
- Por quê?
- Pelo temperamento, pela minha história, eu prefiro bastidor. Prefiro ajudar por trás da cortina. Confesso que custa um pouco a função. Claro, é tudo novo, estou me adaptando agora.
- O governo prepara algum pacote de medidas econômicas? O senhor irá fazer a intermediação com os movimentos sociais?
- É natural que haja sempre medidas do governo que precisam ser discutidas com centrais sindicais. A presidenta pediu para mim que eu fizesse com os movimentos sociais um diálogo permanente. Eu já recebi a Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores de Agricultura), o MST (Movimento do Sem Terra) e vou receber os demais. Isso será permanente. Não está previsto nenhum pacote. Salvo a apresentação de um programa de combate à erradicação da pobreza — que não é um pacote, é um programa. Deve ser anunciado em maio. Mas não tem nenhum pacote previsto. Sempre o diálogo será nossa ferramenta.
- O senhor foi quase presidente do PT. O senhor continua com muita relação com o partido, fazendo esse canal entre o partido e o governo?
- Agora muito mais do que antes. Porque nesses oito anos eu era um pouco monge aqui dentro (do Palácio do Planalto). Eu ficava recolhido e não tinha condição para sair e ir nas reuniões do partido. Agora eu aproveito os fins de semana para retomar o contato com o partido. Vários ministros vão fazer isso, mas eu tenho um papel importante de fazer um ponte com o PT.
- Por causa disso o senhor tem conversado bastante com o presidente Lula?
- A cada dez dias, quinze dias. Fala, a gente troca idéias. Ele está muito contente. Pessoalmente, ele está muito bem. Está muito tranquilo.
- Ele já desencarnou do cargo de presidente?
- Está desencarnando. Está muito agitado, a mil por hora. Fazendo viagens, palestras e reuniões. Está se interessando pela política em São Paulo, para ajudar. Ele não tem jeito.

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