• Segunda-feira, 31 Janeiro 2011 / 17:40

Viva o crime!

    O Globo Online tem como manchete uma reportagem redigida por um de seus contorcionistas. Ele tenta provar que a criminalidade no Rio está caindo.
Para isso,  compara o número de homícidios em 2010 com os de 1991.
O roubo de veículos é comparado com o ano de 1997.
Para o latrocínio, o ano escolhido foi o de 1999.
Roubos de rua, o site preferiu o ano de 2006.
Ou seja: compara-se o que quiser.
Mas se formos comparar o mês de janeiro de 2010, com o dezembro de 2010 verificaremos que:
1 – O homicidio doloso começou com 174 na capital, e acabou em 136. Já na Baixada ele aumentou: de 121 para 144.
2 – A lesão corporal dolosa era de 5.596 em janeiro – em pleno verão – e em dezembro, durante as festas natalinas, ela subiu para 5.921.
3 – O estupro deu um salto, sendo que na Capital ele quase dobrou: foi de 96 para 177.
4 – O trânsito na capital também piorou: foram 34 homicídios culposos e 1.577 lesão corporal culposa em janeiro. Em dezembro, os mesmos crimes subiram para 64 e 1.715, respectivamente.
5 – Menos armas foram apreendidas e menos veículos foram recuperados.
6 – Ainda na Capital, em janeiro foram feitas 27.280 ocorrências policiais; em dezembro foram 28.996.

  • Segunda-feira, 31 Janeiro 2011 / 16:30

A ditadura da Polícia Federal

     Não é só a Infraero que desrespeita os passageiros.
A Polícia Federal faz o mesmo.
Veja o que foi postado agora no site do Globo Online.
http://oglobo.globo.com/participe/video/2011/22092/
Uma fila interminável de brasileiros, no Galeão, que querem entrar em seu próprio país.
                 * * *
Em que parte do planeta ocorre tamanho absurdo?
Em parte alguma.
Que examinem o passaporte para quem deixando o país é até razoável.
Mas para quem esta retornando?…
Só mesmo para empregar meia duzia de ignorantes que retiram o seu passaporte da capa, digitam sabe-se lá o que, e quando encontram um homônimo na filiação torna sua vida um inferno.
                 * * *
É mais fácil um brasileiro entrar na França do que no Brasil.
Esse comportamento da Polícia Federal no setor de imigração é certamente um dos resquícios da ditadura, que nenhum governo democrático consegue  por um basta.

  • Segunda-feira, 31 Janeiro 2011 / 14:45

Débora e Corona

 

Vernissage do filme Bete Balanço, em São Paulo. 1984

Como foi – Dirigido por Lael Rodrigues, o filme fez o maior sucesso. A trilha sonora tem participação de várias bandas de rock, entre elas o ‘Barão Vermelho’ e os ‘Titãs’. Virou o assunto da mídia, inclusive para a ‘Veja’. E foi para a revista que fui cobrir seu lançamento no Auditório Ibirapuera. Foi um show de luzes e cores que varou a madrugada, com muita música e aplausos para a performance dos artistas Débora Bloch e Lauro Corona, presentes à festa. Foi a última peça cinematográfica estrelada pelo jovem ator e modelo carioca. Corona viria falecer cinco anos depois, supostamente vitimado pela AIDS, assim como o cantor e compositor Cazuza, autor do principal tema musical do longa-metragem.

  • Segunda-feira, 31 Janeiro 2011 / 14:42

31/1/2011

  “O Brasil passou pelo crivo do Fórum Econômico Mundial, que terminou ontem, em Davos, na Suíça, com fama de bom aluno. O reconhecimento ocorreu mesmo com o país estando representado por uma delegação tão pequena, que, praticamente, desapareceu no meio de uma legião de chineses, indianos e russos”.

Da repórter de ‘O Globo’, Deborah Berlinck, enviada especial a Davos, na Suiça.

  • Segunda-feira, 31 Janeiro 2011 / 14:36

Cesar Maia solta os cachorros

     O blog do ex-prefeito Cesar Maia publica hoje uma entrevista de seu autor,  feita por ele mesmo, com uma única pergunta e resposta. Tudo para xingar o prefeito Gilberto Kassab de cachorro – o que não é de todo mal.
- Neste fim de semana saíram matérias na imprensa sobre uma possível alteração do texto da ata da convenção do DEM, de dezembro de 2007. O que ocorreu?
- Curioso que, depois de 3 anos da convenção; de 36 reuniões da executiva; de 14 reuniões em Brasília, Rio e S. Paulo entre 2009 e 2010 sobre o quadro político e eleitoral, agora venha esse assunto requentado. O que é uma ata de reunião? É um resumo das matérias discutidas na reunião. No caso, uma ampla convenção. Ou seja, os delegados à convenção delegam a ata, pois não há como se ler detalhes da mesma. Após isso, se faz a revisão da ata com rigor jurídico e se republica. A assessoria jurídica do presidente do PFL-DEM, anterior,  identificou uma contradição. A ata dava atribuições conflitantes entre a executiva e o conselho político. Com isso, a executiva (órgão supremo de todos os partidos) deixava de o ser.  (Art. 18 – A Comissão Executiva Municipal se constitui na unidade orgânica fundamental do Partido e a Convenção Nacional o seu órgão supremo.) A própria assessoria jurídica ajustou um termo, corrigindo o óbvio. Todos inteiramente de acordo. E nem uma só notinha na imprensa nesses três anos. Nada. Mas, agora, há duas disputas democráticas e naturais no partido: uma para líder na câmara de deputados e outra na convenção de março. Como a primeira tem valor político, com repercussão na segunda, na véspera dela -que ocorrerá hoje-, um dos vetores concorrentes vaza para a imprensa, no intuito de criar fatos. Para bom entendedor -político- não é um sinal de ataque, mas de fraqueza. Coisas da política em momentos de estresse. Fica mal, no meio político, quem usa esse tipo de recurso: dentro e fora do partido. Como dizia o Ibrahim: a caravana passa…, os cães ladram.
                           * * *
Apenas uma correção.
A frase correta do colunista Ibrahim Sued é  ”os cães ladram e a caravana passa”.

  • Segunda-feira, 31 Janeiro 2011 / 14:24

Dilma enfrentará o preconceito

“A trajetória no poder da ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, descrita no livro “Bachelet en Tierra de Hombres”, da jornalista chilena Patricia Politzer – livro de cabeceira da presidente Dilma Rousseff -, é uma espécie de biografia não oficial repleta de situações complicadas: dois terremotos, implementação de projetos impopulares, a fragmentação da base de apoio político, uma crise econômica internacional e até a erupção de um vulcão, bem como desencontros amorosos e problemas de família. Mas os trechos mais interessantes do livro são os que dizem respeito ao enorme preconceito enfrentado por uma mulher no comando de um país latino-americano com sua cultura machista e patriarcal”, é que o revela a entrevista de Politzer a Gilberto Scofield Jr, de ‘O Globo’.
“Nessa seara – diz ele – Dilma Rousseff terá uma aula e tanto sobre machismo no poder. Vai perceber que, se Bachelet trabalhava demais e pedia mais trabalho à equipe, não era considerada disciplinada. Era “workaholic, pouco eficiente e má”. Se falava diretamente e com franqueza, não era um sinal de transparência, mas de “soberba e conflito na equipe”. Patricia Politzer, ex-diretora da Secretaria de Comunicação e Cultura do Chile e ex-presidente do Conselho Nacional de Televisão chileno, acredita que os preconceitos enfrentados por Bachelet não serão muito diferentes dos que esperam Dilma no Palácio do Planalto. “Foi uma magnífica surpresa saber que a presidente Dilma está lendo meu livro. Sinto-me muito honrada”, afirmou.
- Quando e por que você decidiu pesquisar e escrever um livro contando a história de Michelle Bachelet?
- Estive fora do Chile durante os primeiros seis meses do governo Bachelet. Quando voltei, me impressionei com a forma como a maltratavam. Isso vinha tanto de seus adversários políticos como de dirigentes de sua própria coalizão. Como jornalista e observadora da política chilena desde a década de 1970, nunca vi um tratamento tão absurdo e preconceituoso. Pareceu-me indispensável deixar um testemunho de seu governo quando os fatos ainda estavam frescos. Em minha pesquisa, fui descobrindo que existia um denominador comum que cruzava praticamente todos os temas: uma cultura patriarcal que carregamos grudada na pele tanto de homens quanto de mulheres.
- A presidente conversou com a senhora para o livro?
- Eu pedi uma entrevista mas ela nunca me concedeu. Não sei se teve tempo de ler o livro.
- Como foi o preconceito contra Bachelet? Você acha que esta é uma característica de sociedades machistas latino-americanas?
- Os preconceitos contra ela – e contra as ministras mulheres de seu governo – foram explícitos e implícitos. No dia em que assumiu, uma crônica no jornal “El Mercurio”, o mais antigo do país, criticava acidamente sua ministra da Saúde, Soledad Barría, por não ter pintado seus cabelos brancos para a cerimônia! Suas atuações políticas eram analisadas sempre de uma perspectiva pessoal. Bachelet não cometia um erro, nem tomava uma decisão ruim. Simplesmente não servia, não sabia governar, não “tinha estatura”. Durante três dos quatro anos de seu governo disseram que uma mulher jamais voltaria a governar o país. Os homens nunca sofrem uma crítica dessa natureza, nem quando algum político se mostra incompetente, corrupto ou um ditador. Esta visão foi compartilhada por seus adversários e aliados. O machismo segue forte em nossas sociedades de tal forma que o êxito das mulheres raras vezes se atribui a seu preparo ou a seus atributos. Busca-se insistentemente um homem, que geralmente é o responsável por suas ascensão e que a manipula para que seja bem sucedida. Bachelet cuidou conscientemente de não ter nenhum homem poderoso próximo do círculo do poder.
- Você acredita que Dilma Rousseff vai enfrentar o mesmo nível de preconceito?
- Suspeito que, neste terreno, haverá dificuldades parecidas. Dilma Rousseff está à sombra de um presidente muito bem sucedido e popular, como é Lula, assim como Bachelet esteve próxima de Ricardo Lagos. Terá que ser muito forte para suportar preconceitos e críticas que só se fundamentam no fato de ela ser mulher.
- Por que a política, no Chile, na sua opinião, é uma “tierra de hombres”?
- O poder, em qualquer de suas formas, continua sendo terra de homens. São poucas as mulheres no Parlamento, nas diretorias das empresas, nos altos cargos acadêmicos. Em qualquer círculo de poder, para que entre uma mulher deve sair um homem, e isso não é fácil. Michelle Bachelet abriu uma porta impensável há apenas dez anos. As chilenas já sabem que podemos chegar ao posto mais alto. Mas estamos muito longe da igualdade de gêneros.
- Bachelet colocou em execução algum programa de valorização, profissionalização ou proteção à mulher?
- Bachelet esteve à frente de várias leis relacionadas à mulher, como o estabelecimento de igualdade de salários e a criminalização da violência contra a mulher, lei inclusive promulgada pelo presidente Sebastián Piñera. Mas a violência e a discriminação continuam.
- O rigor de Michelle Bachelet com abusos na ditadura militar no Chile e agora os gestos de Dilma Rousseff na direção da apuração de culpados no Brasil têm relação (vítimas de tortura e perdas) com o fato de serem mulheres em “tierra de hombres”?
- Este rigor transcende a questão do gênero. As violações aos direitos humanos continuam sendo uma ferida aberta para muitos cidadãos da América Latina. Ambas são parte dessa história dolorosa, e sua chegada ao poder constitui uma forma de reparação para milhares de vítimas. Diante dessa perspectiva, milhões de democratas esperam delas essa atitude.

  • Segunda-feira, 31 Janeiro 2011 / 13:36

Galeão, a porta do inferno

    

  Um estudo da Anac revela que o aeroporto Tom Jobim é o menos eficiente entre os 16 maiores terminais do país que formam a categoria 1.
A questão da eficiência é importante mas interessa, principalmente as empresas aéreas e a quem trabalha com cargas.
O máximo que a ineficiência do Tom Jobim atinge os passageiros é na falta de elevadores e na demora no recolhimento das malas.
                    * * *
É claro que que muito precisa ser feito no Galeão.
Mas o que é necessário, antes de mais nada, é que se cobre da Infraero uma nova admintração para o aeroporto.
A que lá se encontra, está pouco se lixando para os passageiros, que pagam uma elevada taxa de embarque – a mais cara do país.
                    * * *
Para se ter uma idéia, o último vôo internacional que sai diariamente do Galeão é um da TAM para Paris, que decola – quando no horário, o que é raro – às 23h54m.
Outro dia o vôo atrasou mais de 2 horas.
Mas os serviços do aeroporto funcionam como se ele estivesse no horário.
Dentro do terminal 2 – o mais moderno deles – existe uma única lanchonete no setor de embarque, e assim mesmo o passageiro é obrigado a descer uma escada.
Como o vôo sai as 23h54m, a lanchonete fecha a meia-noite.
Se o vôo não decola, ela fecha do mesmo jeito.
Assim, quem quiser uma água, um café, um sanduíche… que se dane. Nada feito.
Já os serviços de manutenção do aeroporto e de seus quiosque, são realizados a partir dessa hora.
Mas se o vôo não saiu a meia-noite, que se dane – mais uma vez – os passageiros.
A meia noite, um bando de operários ocupam o terminam e começa então uma sessão de marteladas sem fim. Quem quiser dormir,  descansar ou mesmo conversar, não será possível.
                    * * *
É preciso ter alguém de plantão, de bom-sens0, que obrigue a lanchonete a ficar aberta até a saída do ultimo vôo.
E que impeça os operários do Tom Jobim de trabalharem no terminal antes do embarque de todos os passageiros.
O Galeão, como é do conhecimento geral, não presta.
Mas ele é infinitamente melhor do que seus administradores.
Esses, sim, não valem pra nada.

  • Domingo, 30 Janeiro 2011 / 21:11

Os primeiros 30 dias

                                  Marcos Coimbra*
         Faz sentido avaliar o primeiro mês de um governo? É possível tirar alguma conclusão de apenas 30 dias de trabalho?
Pela nossa experiência, esse começo pode ou não ser relevante. Às vezes, nele já são perceptíveis as principais características que o governo terá. Em outras, as coisas mudam tanto pelo caminho que ninguém nem se lembra do início.
O balanço deste começo de governo Dilma é claramente positivo. Ela confirma o que se esperava que faria de bom e surpreende de maneira sempre favorável. Até seus desafetos ficam com dificuldade de criticá-la.
Todos tinham a expectativa de que seu governo fosse de continuidade, mesmo quem não a desejava. Havia sido esse o compromisso que ela e Lula assumiram antes e durante a campanha, e não honrá-lo depois da eleição seria uma quebra de palavra.
A permanência de vários ministros e a ausência de anúncios bombásticos de novas políticas nunca foram problemas para a presidenta e seu governo. Apesar da incompreensão de parte de nossa “grande imprensa”, era isso que a opinião pública esperava que fizesse. Surpresa seria se ela se recusasse a continuar a trabalhar com seus antigos colegas de ministério e se achasse que era preciso começar do zero nas políticas de governo (algo que nem Serra faria se tivesse ganho).
Mas Dilma está dando à ideia de continuidade um conteúdo inesperado. Tudo que fez até agora mostra que, mantendo seu espírito, ela vai além da continuidade mecânica, em que as coisas ficam congeladas, imutáveis. Como se não pudessem ser melhoradas.
Veja-se o caso da educação, que andou na berlinda nas últimas semanas, em função das confusões do SiSU. Aparentemente, nela teríamos uma continuidade ortodoxa, pois permaneceu o ministro e foi mantida a política.
Mas o que vemos é que Dilma está fazendo, na educação, uma continuidade que se poderia chamar crítica. O ministro lá está, a política não mudou, mas, ao mesmo tempo, muita coisa ficou diferente.
Os problemas do SiSU não foram maiores que outros parecidos, na educação ou em outras áreas. Mas é possível que o MEC nunca tenha sido tão cobrado quanto neste mês de janeiro. A razão é que, no Planalto, estava alguém que não se satisfez com a explicação de que o ocorrido era “normal”.
Esse tipo de continuidade tem alguns pré-requisitos. Em primeiro lugar, exige uma instância acima dos ministros capaz de acompanhar o que cada um faz, em base cotidiana. Em segundo, que esteja disposta a intervir celeremente, antes que os problemas aumentem. Em terceiro, que tenha autoridade e energia para consertar equívocos e demitir responsáveis.
Tudo isso aconteceu no MEC em apenas 30 dias, prazo no qual, no passado recente, nada teria acontecido, pois todos (presidente, ministro e equipe) estariam ainda “tomando pé das coisas”. Ninguém cobraria de ninguém o que Dilma cobrou de Fernando Haddad e do ex-presidente do Inep (defenestrado por causa das antigas trapalhadas no Enem e das novas no SiSU).
No episódio, temos o lado bom da continuidade (pois o fato do ministro ter permanecido tornou mais fácil a solução) e um estilo próprio de levá-la a cabo. Dilma continua com parte da equipe e o estoque de programas que herdou de Lula, aprovados pela quase unanimidade do país. Mas os dirige à sua maneira, corrigindo rumos e trocando pessoas sempre que achar necessário (e vai achar mesmo, pois se mantém informada sobre aquilo que o governo faz).
Há quem se queixe de que Dilma está “confinada” no Planalto, que só se preocupa com reuniões internas, relatórios e em sabatinar auxiliares. Que é “séria demais” e que dá pouca atenção à imprensa e ao lado festivo da Presidência.
Nada disso é problema para a opinião pública. Quem votou nela não a imaginava igual a Lula no comportamento pessoal. Quem não, apenas quer que ela trabalhe.
São apenas 30 dias, mas marcaram um bom começo.
*Marcos Coimbra, sociólogo, preside o Instituto Vox Populi e escreve para o ‘Correio Brasiliense’.

  • Domingo, 30 Janeiro 2011 / 21:10

OAB volta a flertar com voto em lista

                                                      Élio Gaspari*
         Dentro de algumas semanas, o Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil apreciará o relatório de um seminário que organizou para discutir a reforma política. Nele reapareceu, em grande estilo, a proposta de adoção do voto de lista para a escolha dos deputados.
Pelo sistema atual, na eleição de 2006, um cidadão votou em Delfim Netto e elegeu Michel Temer. Pelo voto de lista, o eleitor simplesmente perde o direito à escolha nominal de seu candidato. Fica obrigado a votar num partido, e irão para a Câmara os candidatos listados pela caciquia, na ordem que ela tiver estabelecido.
O relatório dos doutores argumenta que só 10% dos deputados chegam à Câmara tendo atingido a marca necessária para assegurar-lhes a cadeira. Os demais elegem-se com os votos dos outros, como sucedeu em São Paulo com os partidos coligados ao palhaço Tiririca.
Tudo bem, mas fica uma questão: 100 % dos eleitores votam no candidato que preferiram. Esse direito querem tirar à patuleia. Quem quis votou em Delfim e quem quis votou em Temer, assim como outros decidiram-se por Tiririca. É o jogo jogado.
Quando os generais quiseram qualificar os votos, deu no que deu. Em 1969, eles descobriram que o voto de um general que comandava uma mesa não valia o mesmo de um colega que comandava uma tropa.
A Ordem dos Advogados do Brasil é a guilda dos advogados brasileiros. Há profissionais que gostam do sistema atual, outros preferem as listas, assim como há partidários das diversas modalidades de voto distrital. Por que a Ordem pode pretender falar em nome de todos em assuntos estranhos à profissão?
Isso, fazendo-se de conta que todos os advogados são democratas, o autor do Ato Institucional nº 5, Luis Antonio da Gama e Silva, era veterinário, e não ex-diretor da Faculdade de Direito do largo São Francisco. Seu sucessor, Alfredo Buzaid, que também dirigiu a faculdade, seria astrônomo. O AI-5 vigorou por dez anos, metade desse tempo, com os dois doutores no Ministério da Justiça.
Além de um vício de representatividade, há nessa iniciativa a marca do partidarismo. Em 2007, com o apoio expresso da caciquia petista açoitada pelo mensalão, a OAB já insinuou seu patrocínio ao voto de lista. Depois a sugestão foi arquivada. Mais: a Câmara dos Deputados já rebarbou essa proposta em duas ocasiões.
Sobra uma bonita campanha: enquanto as seccionais da OAB são eleitas pelo voto direto dos advogados, sua direção nacional é escolhida por um conselho. A Ordem podia organizar outro seminário, para discutir uma palavra de ordem com a qual escreveu uma das mais belas páginas de sua história: “Diretas-Já”.
*Élio Gaspari é jornalista e escreve para a ‘Folha’ e ‘O Globo’.

  • Domingo, 30 Janeiro 2011 / 21:06

Na geladeira

    Do colunista Ranier Bragon, no Painel da ‘Folha’:
“No Planalto, comenta-se que há uma leva de ministros que encerra o primeiro mês com a sensação de que não conseguiu, até agora, despertar a menor atenção da presidente”.
               * * *
E não deverá ser diferente nos próximos 30 dias.

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