• Quinta-feira, 30 Setembro 2010 / 0:36

Cesar Maia e o voto nulo

    Como esse blog previu, há dias, Cesar Maia começou a defender o voto em um só senador.
No município de Itaguaí, ele pediu a seus eleitores que adotem o voto útil:
- É preciso tomar cuidado com a decisão do segundo candidato. Se o segundo voto for em alguém com chances de ganhar, isso anula a intenção do primeiro voto de eleger o candidato que se deseja.
Ou seja: anulem o segundo voto.

  • Quinta-feira, 30 Setembro 2010 / 0:19

Richa: o que é bom ele divulga

   De Josias de Souza, no blog ‘Nos Bastidores do Poder’:
“O tucanato alardeia há semanas o desejo incontido do PT de impor controles aos meios de comunicação.
Em vídeo levado à web, o PSDB instilou a suspeita de que, eleita, Dilma Rousseff será engolida pelos radicais do PT.
Na peça, os petistas raivosos foram representados por rottweilers.
Um ator vestido de Lula segura os cães. E o locutor insinua que Dilma não vai segurar.
Pois bem. O comportamento de Beto Richa, o tucano que concorre ao governo do Paraná, roubou do discurso do PSDB todo o nexo.
Sob a plumagem de Richa escondia-se um totó insuspeitado.
Em sucessivos recursos à Justiça Eleitoral, Richa logrou impor a censura aos institutos de pesquisa.
Já censurou o Ibope, o Vox Populi e o Datafolha. A última investida ocorreu na noite passada.
Contratado por uma repetidora paranaense da Globo, a RPC TV, o Datafolha divulgaria nesta sexta (30) uma nova sondagem.
Acionado pelos advogados da coligação de Richa, o juiz Nicolau Konkel Júnior, do TRE-PR, censurou os dados.
Enquanto as pesquisas lhe sorriam, Richa as alardeava na propaganda eleitoral. Quando os númeos azedaram, passou a escondê-los.
Richa parece agora convencido de que pesquisas tem apenas duas serventias: orientar o candidato e desorientar os eleitores.
A foto lá do alto, clicada nesta quarta (29), foi levada à rede por um internauta de Londrina (PR). Identifica-se como 84odi.
Em nota no twitter, ele repassou o retrato à repórter Cynara Menezes, que cuidou de passá-lo adiante.
Lê-se na imagem: “Beto lidera todas as pesquisas”. Seguem-se dados velhos. Números cuja atualização a censura do candidato bloqueia.
De duas uma: ou o PSDB interrompe o lero-lero em defesa da liberdade de imprensa ou segura o totó do Paraná.
Lula vociferou contra os jornais, que acusa de “partidários”. O PT, de fato, sonha com o controle social da mídia.
Mas, por ora, o único a lambuzar o bico no cerceamento ao direito do brasileiro à informação foi o tucano Beto Richa, aliado de José Serra”.

  • Quarta-feira, 29 Setembro 2010 / 23:56

Edir Macedo aponta spam

  • Quarta-feira, 29 Setembro 2010 / 23:38

Frase 29/9/2010

“Quando nós criamos o Bolsa Família, era esmola. Hoje eles estão,  na maior cara-de-pau, prometendo 13º para o Bolsa Família. Eles pensam que nós somos aqueles eleitores bobinhos de 20 anos atrás. Tem um deles que está até prometendo aumento de salário mínimo. Nós aumentamos 74% [o salário mínimo]. Quando eu entrei no governo, a meta era elevar o mínimo para US$ 100. Ele já está em US$ 300.”

Do Presidente Lula em comício em Aracaju, sem citar José Serra.

“Como é que alguém que tem competência de cuidar tão bem de nossos filhos não pode cuidar dos 190 milhões de brasileiros? Nós não precisamos ser governados. A palavra governar é uma palavra elitista. Nós precisamos ser cuidados. Alguém tem que cuidar do povo brasileiro, porque governar é o jeito burocrata que eles fariam, de governar para a minoria. É como uma mãe que tem 10 filhos. Na hora de colocar a comida na mesa, cada um tem direito a um pedacinho: se é meio bife, é meio bife para todo mundo.  Nenhum sacana vai ter dois bifes e o outro vai ficar sem nada”.

Do Presidente Lula defendendo a candidatura de Dilma Rousseff.

  • Quarta-feira, 29 Setembro 2010 / 23:06

Guerra da mídia comercial contra Lula e Dilma

                                                                           Leonardo Boff*
      Sou profundamente a favor da liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso” pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais” onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.
Esta história de vida me avaliza fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de idéias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.
Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando vêem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos do Estado de São Paulo, da Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico, assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem deste povo. Mais que informar e fornecer material para a discusão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.
Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido à mais alta autoridade do pais, ao Presidente Lula. Nele vêem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.
Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.
Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma) “a maioria dominante, conservadora ou liberal foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo,  Jeca Tatu, negou seus direitos, arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”.
Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascedente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar embaixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.
Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados de onde vêm Lula e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coronéis e de “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palavra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.
O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.
Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão social e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.
O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, ao fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA, faz questão de não o ver protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.
O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocolonial, neoglobalizado e no fundo, retrógrado e velhista ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes.
Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito da má vontade deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.
*Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor.

  • Quarta-feira, 29 Setembro 2010 / 21:22

Tem alguém blefando

                                                  IBOPE         SENSUS      DATAFOLHA   VOX

DILMA                                     50               47,5                   46                 49
SERRA                                      27               25,6                   28                 26
MARINA                                 13                11,6                    14                 12
DIF. DILMA/SERRA          23               21,9                    18                 23  
DIF. DILMA/AMBOS          10              10,3                       4                  11
O Datafolha tem três dias para ajustar seus números com os demais institutos de pesquisa.
Se não o fizer, entrará para a história das eleições 2010.
Ou por ter discordado de todos, e ter acertado a pesquisa sozinho.
Ou por ter inventado os números, numa última e desesperada tentativa de levar a candidatura de José Serra para o segundo turno.
                     * * *
O mais provável é que não ocorra nenhuma coisa nem outra, e o instituto venha a fazer os ajustes necessários.
                     * * *
Vote na enquete aqui ao lado, e diga qual será o instituto de pesquisa que acertará o placar eleitoral.

  • Quarta-feira, 29 Setembro 2010 / 19:39

Weslian e a defesa da corrupção

O vídeo foi postado no YouTube pelo jornalista Tales Faria, chefe da sucursal do iG em Brasília.

  • Quarta-feira, 29 Setembro 2010 / 19:07

Porque a imprensa não gosta de Lula

  • Quarta-feira, 29 Setembro 2010 / 15:04

Duas serristas

    De Ilimar Franco, no ‘Panorama Político’:
“Acreditando que haverá segundo turno, os principais assessores do candidato José Serra definiram que não será cometido nesta campanha o erro de Geraldo Alckmin nas eleições de 2006. Alckmin marcou o início da campanha do segundo turno para 12 dias depois do primeiro. “Se tiver segundo turno, a campanha recomeça dia 4. Para descansar, o Serra terá a eternidade. Vamos levar a Dilma à exaustão”, relatou um tucano. O PSDB decidiu que não lançará antes de domingo sua proposta de programa de governo. A explicação: fazer isso agora desviaria o eixo da discussão pública, que está centrado nos escândalos”.
                     * * *
Serra não é justo com Alckmin.
Não pode acusá-lo de ter feito a campanha errada para Presidente.
Até mesmo porque Alckmin conseguiu, em 2006, mais do que o dobro dos votos que Serra obteve em 2002.
                      * * *
De Renata Lo Prete, no ‘Painel’:
“No PSDB, dissemina-se o temor de que José Serra encare a eventual passagem para o segundo turno como sinal de que sua campanha vai muito bem e não precisa de mudanças”.
                      * * *
Esse é uma super maldade com José Serra.
Ele é estabanado, briga com todos, não tem programa, é cheio de defeitos.
Mas não é burro.

  • Quarta-feira, 29 Setembro 2010 / 14:58

Fazendo escolhas

                                               Marcos Coimbra*

       A premissa da democracia eleitoral, na sua acepção contemporânea, é a liberdade do eleitor para definir seu voto. Cada umfaz o que quer com ele. Consulta a consciência, toma sua decisão e a deposita na urna (no Brasil, digita o número de seu escolhido).
Uns não são mais livres que outros. Ninguém é obrigado a votar como os demais e nem a selecionar seus preferidos da mesma maneira que os outros.
Não cabe discutir critérios de escolha. Não existe o modo certo de votar e o errado. Algumas pessoas definem seu voto levando em conta elementos que outras desconsideram. É possível que uns pensem ser fundamental algo que outros têm certeza que é irrelevante. Só os muito arrogantes acham que todos deveriam usar o critério deles.
Daqui a três dias, faremos uma eleição presidencial diferente das anteriores. Nela, os eleitores estão sendo convidados a pensar de uma nova maneira: avaliar os candidatos pelo que representam e não pelo que são no plano pessoal.
Nossa cultura política sempre privilegiou a personalidade e as características pessoais dos candidatos como elementos diferenciadores na tomada das decisões de voto. Até hoje, quando se pergunta, nas pesquisas de opinião, o que é mais importante na hora de escolher determinado indivíduo para um cargo (especialmente no Executivo), a maioria dos entrevistados responde sem titubear: a pessoa do candidato.
Essa primazia da dimensão individual leva a que as campanhas se transformem em passarelas nas quais os candidatos desfilam, disputando os olhares e as preferências. Qual o mais preparado? Quem fala melhor?Qual o mais preocupado com os pobres, o mais maduro, o mais honesto? É  um modelo de decisão ingênuo e estressante para o eleitor comum. Que certeza pode ter de que consegue enxergar o íntimo dos candidatos, seus verdadeiros sentimentos? Comoescolher, se todos se metamorfoseiam naquilo que procura?  Se todos se exibem de maneira parecida e falam coisas praticamente idênticas (pois todos mandam fazer pesquisas de posicionamento e se orientam por elas)?  Como separar o joio do trigo, o bom candidato do mau?  Nestas eleições, muita gente ainda pensa dessa maneira, mas há uma nova, posta na mesa pelo principal ator de nosso sistema político. Nela, o foco da escolha deixa de ser o artista e passa a ser a obra.
Por muitas razões, Lula foi levado a apresentar essa proposta ao eleitorado.Talvez porque não tivesse, do seu lado, a opção da candidatura de um notável, talvez porque calculasse que teria mais sucesso desse modo, ele terminou propondo uma mudançana lógica da escolha. Emvez de cotejar biografias e personalidades, que a eleição fosse uma comparação dos resultados obtidos pelos partidos no exercício do poder.
Goste-se ou não de Lula, essa proposta é uma inovação em nossa cultura. Ela oferece uma base racional para a escolha, na qual várias ilusões saem de cena. O mito do herói solitário, do candidato do bem, capaz de reformar sentimentos e prioridades, é apenas um, mas dos mais importantes. Chegou a eleger um presidente há 20 anos.
A candidatura deDilma foi sempre o inverso disso.
Ela convocou as pessoas a considerá-la pelo que representava, não por seus atributos pessoais. Sua mensagem era clara: Olhe para o que proponho, para quem está comigo, para o que fizemos no governo, de certo e de errado. Faça o mesmo com meu adversário principal. Compare e decida.
Serra começou a campanha acreditando que os eleitores continuariam a pensar com omodelo de antes, baseado na disputa de biografias. Sua experiência e história bastariam para elegê-lo, se isso ocorresse.
Visivelmente, a hipótese não se confirmou. A vasta maioria do eleitorado até admite que seu currículo é melhor que o deDilma. Mas pensa em votar levando em conta outros fatores.
Nestes últimos dias, uma nova encarnação da forma antiga de escolher está em voga: a onda Marina.
Ela tem tudo que conhecemos de algumas candidaturas do passado: a solidão, a sinceridade, a boa vontade. Perguntada sobre como governaria, é franca: com os bons dos dois lados. Ou seja, está sozinha.
Só um romantismo quase pueril acreditaria que é possível governar assim. Mas é tão arraigada a fantasia a respeito das pessoas de bem que mudam o mundo da política que muita gente, especialmente na classe média metropolitana, se seduz por ela.
O povão, mais realista, olha isso tudo com descrença.
*Marcos Coimbra, sociólogo, preside o Instituto Vox Populi e escreve para o ‘Estado de Minas’.

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