• Quinta-feira, 29 Julho 2010 / 23:45

A estátua falante

      Roma. 1501. O cardeal Oliviero Carafa encontrou esquecida em um canto do Palazzo Orsini, onde morava, uma estátua esculpida no Século III antes de Cristo. Era uma escultura que reproduzia a luta de Hércules contra o centauro. Determinou, então, que
a assentassem na esquina de sua residência com a Piazza Navona. Além de decorar o lugar, a imagem de mármore passou a ser também o local onde a população fazia suas queixas e comentários sobre acontecimentos da comunidade. Todas as manhãs, porém, apareciam afixados na calada da noite cartazes apócrifos, bilhetes, protestos, calúnias e fofocas – é claro.
Nas proximidades, havia um barbeiro chamado Pasquino, conhecido pela língua ferina. Não tardou a ser batizada com o nome do barbeiro que adorava bisbilhotar a vida alheia. Virou tribuna popular. Até hoje é espaço que os romanos utilizam para colar críticas contra o desempenho das autoridades e a reputação dos moradores da vizinhança. Por representar símbolo de liberdade de expressão, foi o nome que Paulo Francis, Jaguar, Stanislaw Ponte Preta, Ziraldo, Tarso de Castro e Henfil deram ao Pasquim, o jornal-tablóide que foi sucesso editorial do Brasil nos idos de 1970 porque não media palavras para marcar oposição ao governo do militares.
Como foi – O Pasquim era lido por milhares de brasileiros enquanto foi publicado. Era referência de bom-humor, audácia e destemor jornalísticos na época do regime militar. Portanto, era leitura costumeira também para mim, jovem fotógrafo. Em 1986, encontrei-me durante a cobertura de uma viagem presidencial ao Vaticano, com
um casal de amigos que morava em Roma, Albino de Castro Filho, correspondente d’O Globo, e Iza Freazza, lendária jornalista do Pasquim. Levaram-me para ver o Pasquino, a obra de arte que ficou conhecida como uma das estátuas falantes da Itália. Fica bem pertinho da Piazza Navona – onde, aliás, está localizado o Palazzo Pamphilli, a bela sede embaixada do Brasil.
 

  • Quinta-feira, 29 Julho 2010 / 21:32

Collor quer “enfiar a mão” em jornalista

    Do repórter Eduardo Neco, do ‘Portal Imprensa’
“O senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) ligou para a redação da sucursal de Brasília (DF) da revista IstoÉ, na tarde desta quinta-feira (29), e ameaçou esbofetear o jornalista Hugo Marques por conta de uma nota na edição de 21 de julho sobre o pedido de impugnação da candidatura do político alagoano.
“Quando eu lhe encontrar, vai ser para enfiar a mão na sua cara, seu filho da puta”, vociferou Fernando Collor após explicar ao repórter o motivo de sua ligação.
Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Marques declarou que, ao constatar o teor da ligação, desligou o telefone imediatamente. “Eu não queria ouvir insultos e nem responder. Fico preocupado dele tentar arrancar alguma agressividade minha. Se eu criar um conflito com ele, fico impedido de cobrir. Então não falei nada”, contou.
Sobre o fundamento das ameaças do ex-presidente – que concorre ao governo de Alagoas -, Marques pontuou que os dados sobre a candidatura de Collor estão no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Ele tem que convencer a Justiça Eleitoral, não a mim”. 
Marques afirmou que não irá se manifestar contra Collor, tampouco acionar entidades de classe, mas pontuou ser “lamentável” a atitude do ex-presidente “em um regime democrático”. “Não tenho nada contra ele, mas é lamentável que um sujeito desses ligue para uma redação e ameace uma pessoa. Ele poderia ter mais cautela, poderia respeitar os direitos humanos”.
De acordo com o repórter, Collor estaria desgostoso com a revista por conta de outras matérias em que o político é citado. Sobretudo a respeito de uma entrevista  com sua ex-mulher, Rosane Malta, em que é indicado como sonegador de impostos.
A respeito de um eventual encontro com o ex-presidente, Marques disse não estar temeroso. “Sou faixa roxa de Karatê (risos)”, afirmou. “Estou há 22 anos denunciando bandidos de peso pesado e essa deve ser a décima ameaça, e isso não me intimida”, finalizou.
A reportagem tentou contato com o diretório nacional e regional do PTB e com a coordenação de campanha de Collor e não obteve retorno. A assessoria de imprensa de seu gabinete no Senado declarou que não tem relação com as atividades do senador fora de seu mandato, e por isso não poderia se pronunciar”.

  • Quinta-feira, 29 Julho 2010 / 18:19

Bolívia prende religioso com cocaína

     José Serra não dá sorte mesmo.
Há semanas ele bate no presidente boliviano, Evo Morales – responsável pelo envio de cocaína para o Brasil, segundo o tucano.
Nem mesmo as estatísticas sobre a produção do tóxico acalmaram Serra. Peru e, principalmente, a Colômbia, são produtores bem mais poderosos do que a pobre Bolívia.
                                               * * *

Pois hoje, em El Alto, na Grande La Paz, o sacerdote Valentin Mejillone foi preso com 240 quilos de cocaíca líquida, ao lado de um casal de colombianos.
O sujeito,  óbviamente,  disse que foi enganado, estava fazendo um favor, e o produto seria para fazer pastilhas e pomadas, segundo haviam dito a ele.
Só que o sacedorte é, nada mais, nada menos, que o religioso responsável pela benção que Evo Morales recebeu em janeiro, no início de seu segundo mandato.
Segundo o diretor do departamento antinarcóticos da Polícia Boliviana, Coronel Félix Molina, o sacerdote foi preso vestindo suas roupas cerimoniais.
O vice-presidente Alvaro Garcia foi claro:
- Não importa quem seja. A pessoa que cometeu irregularidades deve submeter-se à lei. E esse sacerdote não foi escolhido pelo presidente e sim pelos religiosos andinos.

                                              * * *
Pobre José Serra. A polícia da Bolívia funciona. E ele que tinha apenas um discurso, agora ficou sem nenhum…

  • Quinta-feira, 29 Julho 2010 / 12:08

Dilma 230 vídeos x 158 de Serra

   José Serra já tem uma boa desculpa para a derrota em outubro: o número de inserções na TV.
Enquanto Dilma Rousseff terá direito a exibir 230 vídeos, de 30 segundos, em 45 dias,  Serra contará com apenas 158.
Ele perde 72 filmetes, ou 36 minutos de propaganda, ou quase 50 segundos por dia.
Marina Silva, do PV, terá 30 vídeos e Plínio de Arruda Sampaio, do Psol, apenas 22.

                                        * * *
Os vídeos, fora do horário eleitoral gratuito,  distribuídos ao longo da programação, são considerados os melhores instrumentos de marketing político da campanha.

  • Quinta-feira, 29 Julho 2010 / 10:40

Dilma tem desculpa para Garotinho

  Ilimar Franco informa que Dilma Rousseff não virá ao comício de Garotinho e Fernando Peregrino, “na próxima terça-feira”, pois os assessores da candidata preferem “não desagradar ao governador Sergio Cabral nem posar ao lado de um alvo da Lei do Ficha Limpa”.
É possível que tudo seja verdade.
Só que o TRE aprovou a candidatura de Garotinho.
E mais: o ex-governador, talvez já sabendo do corpo de mole da petista, mudou a data do comício para o dia 5, quinta.
E nessa data ela não viria mesmo.
Dia 5, às 10 da noite, se realiza o primeiro debate entre os presidenciáveis, na Band.

  • Quinta-feira, 29 Julho 2010 / 10:31

Dilmaboy quer se profissionalizar

     Do repórter Matheus Magenta, da ‘Folha’:
“O estudante de publicidade Paulo Reis, 25, autor do hit do YouTube “Dilmaboy”, já tem empresário para “gerenciar sua agenda” e disse que está “aberto a negociações” com o PT sobre uma possível participação na campanha da candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff.
No vídeo, que já teve mais de 184 mil visualizações, ele faz uma paródia musical de “Telephone”, de Lady Gaga, em homenagem a Dilma.
“Ela é a nova Evita Perón / Olha pra ela / Ela agora é sucesso / Amiga do homem / Vai vencer”, diz um trecho.
Ontem, Reis participou em Salvador de um encontro de blogueiros e tuiteiros promovido pelo governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), candidato à reeleição. Marcelo Branco, coordenador da campanha de Dilma na internet, também participou do evento como palestrante.
“A minha intenção sempre foi participar da campanha, mesmo que de forma indireta, por isso eu tive a iniciativa de fazer o vídeo. Minha identidade com o PT é coisa de família”, disse o “Dilmaboy”.
Reis afirmou que já votou duas vezes no presidente Lula (2002 e 2006), mas não é filiado ao PT. Disse que já preparou o próximo vídeo, mas não teve tempo de filmar.
O empresário do estudante, Gustavo Martins, é dono da agência de publicidade em Goiás onde Reis trabalha.
Ele afirmou que o objetivo principal do estudante não é ganhar dinheiro com o vídeo, mas ajudar a eleger Dilma.
Reis disse que não recebeu dinheiro do PT para fazer o “Dilmaboy” e que ainda não lucrou com o vídeo. Ele teve passagem aérea e hospedagem pagas pelo PT baiano, mas não recebeu cachê”.

  • Quinta-feira, 29 Julho 2010 / 10:23

Cesar Maia e a sardinha senatorial

    Do ex-prefeito Cesar Maia, em seu blog:
“1. As pesquisas de opinião, na eleição para o Senado com dois votos, têm algumas dificuldades para amarrar a intenção de voto duplo. A começar pela proporção de entrevistados que são registrados como tendo anulado o voto, votado em branco, ou não respondido. Vamos chamar a soma deles de Não Voto (NV). O NV pode ser dado nos dois votos ou apenas em um dos votos. É improvável que o entrevistado anule o primeiro voto e não anule o segundo. Ou seja, no total de NV a proporção no segundo voto é maior, mesmo que pouco maior, que no primeiro voto.
2. Com isso, a porcentagem de NV sobe a valores muito grandes, especialmente no início da campanha eleitoral. Lembre-se que o total de eleitores é de 200%, em função dos dois votos. Por exemplo: se forem 4 candidatos apenas e não houver NV, e cada um tiver 25% tanto no primeiro quanto no segundo voto, teremos 100% no primeiro e 100% no segundo.
3. Os Institutos perguntam sobre o primeiro voto e depois sobre o segundo. Deveriam publicar os resultados dessa forma. Uns fazem, mas outros não. É muito importante ter essa informação separada para efeito de análise. Afinal, no dia da eleição o TRE só informará o resultado somado.
4. Se o NV fosse igual no primeiro e no segundo votos, dever-se-ia dividi-lo ao meio. Mas não é assim, embora, por aproximação, se possa dizer que não deve ser tão diferente no primeiro e no segundo votos.
5. Vejamos o NV na última pesquisa Datafolha para o Senado. RJ 72% \ SP 70% \ BA 102% \ MG 56% \ PE 83% \ DF 91% \ PR 75 % \ RS 72%. Em nenhum caso a soma dos votos dados com o NV chega a 200%, e cada soma específica, incluindo os candidatos todos, dá um total diferente do outro por Estado.
6. Os Institutos -quando coincidem pesquisas para presidente, governador e senador num Estado- deixam o Senador para a última pergunta. E mais ainda se resolvem, depois de cada uma delas, perguntar sobre nível de conhecimento, etc. Aí Senador vai, na melhor hipótese, para a quinta pergunta e o segundo voto para a sexta.
7. Quando se testa colocar a pergunta para Senador como a primeira da entrevista, os números mudam muito nesta etapa da eleição. O NV cai a praticamente a metade. Num Estado determinado em que se fez este teste simultâneo houve uma queda de 36 pontos. Ou seja, foram mais ou menos 18 pontos a mais na primeira pergunta e 18 pontos a mais na segunda pergunta dados aos nomes apresentados.
8. Uma revisão das séries de pesquisas para o Senado em 2002 mostra que, menos de uma semana antes da eleição, 2 candidatos próximos do segundo passaram a quinto e sexto e os que estavam nessa posição passaram a terceiro e quarto. Uma subida/descida de dois lugares que não se justifica por mudança de voto naquele momento. Mas se explica pela dificuldade de pesquisar Senador em eleição com dois votos, começando a pesquisa para presidente, depois para governador, e só então para Senador.
9. É bom que nos Estados todos os candidatos ao Senado contratem suas pesquisas, começando pela de Senador. Para não terem surpresas depois (a favor ou contra)”.

                                               * * *

Tem muito candidato ao Senado que está coligado mas, às vésperas da eleição,  pregará o voto único. No Rio, a maior chance para que isso ocorra será na coligação de Sergio Cabral, que tem Jorge Picciani e Lindberg Farias. É óbvio que os dois não se elegem. E um deles – Lindberg ou Picciani – terá chance remotíssima de vitória , se conseguir destruir o outro.

  • Quinta-feira, 29 Julho 2010 / 10:12

Copa: cada um puxa sua sardinha

A manchete de hoje do ‘Estado de Minas’ é:  “BH é favorita para abrir a Copa de 2014″.
Seu texto:
“Presidente da CBF vistoria obras do Mineirão e põe capital mineira à frente de São Paulo e Brasília na disputa pelo jogo de abertura do Mundial. “Pelo fato de ter iniciado na frente dos outros, vocês hão de convir que (BH) está em vantagem”, afirmou Ricardo Teixeira”.

                                                               * * *
A colunista Sonia Racy, no seu ‘Direto da Fonte’, do ‘Estadão’:
“No almoço de ontem, que reuniu em BH Aécio Neves, Anastasia, Ricardo Teixeira e Ricardo Trade, do comitê organizador da Copa, a conversa girou entre dois temas: o Mineirão como candidato a sediar a abertura do Mundial e os impasses em São Paulo.
Aécio insistiu em saber se a resolução do imbróglio sobre a capital paulista sediar ou não a estreia da Copa ficaria para depois das eleições.
O presidente da CBF negou de forma contundente: “As eleições não fazem parte do calendário da Fifa”. E reiterou que o comitê riscará ou não São Paulo da lista antes de outubro. Teixeira disse ainda estar cansado de discutir o assunto pela imprensa. E afirmou: “Trata-se de uma questão técnica. Não política”.
                                                                * * *
Todos estão blefando.
São Paulo não perderá a abertura da Copa. Mas não dá para conversar com Alberto Goldman, em fim de mandato.
Conversa pra valer será com Geraldo Alckmin ou Aloízio Mercadante.
Mas o quadro eleitoral precisa ficar mais claro para que a conversa tenha consequencia.
O mesmo vale para Minas.
Não adianta bater o martelo com o governador Anastasia, se hoje Hélio Costa tem mais de 20 pontos de vantagem.

  • Quinta-feira, 29 Julho 2010 / 9:56

Tas: “Não vou amarelar”

    Thomaz Pires, do site  ‘Congresso em Foco’, entrevistou o jornalista Marcelo Tas, do CQC, sobre a resolução do TSE que proibiu truncagem, montagem e recursos que possa ridicularizar candidatos, partidos políticos ou coligações, o que atinge em cheio os programas humorísticos.
No regime militar, Marcelo Tas encarnou o repórter fictício Ernesto Varella. Certa vez ele chegou na frente de Paulo Maluf, então candidato à Presidência, no Colégio Eleitoral, e perguntou:
- O senhor é ladrão?
Marcelo Tas garante que, assim como não amarelou naquela época, não irá amarelar agora.
Veja a entrevista:
- Como você avalia a determinação do TSE de impor limites à cobertura humorística nas eleições? 
- Para mim, falando de uma maneira muito direta, isso é uma limitação da liberdade de expressão. Porque numa eleição, o cartunista, por exemplo, é uma figura importante. Não só para fazer humor, mas para provocar debate. Aquele debate na rua, na padaria, no boteco. O humor é um gatilho que dispara a inteligência das pessoas. É uma lente que faz você enxergar a realidade, distorcida, é claro. Mas isso não deixa de ser realidade. É uma maneira de você provocar o assunto eleição. Então, eu lamento profundamente. Acho uma agressão à inteligência do eleitor. E até uma agressão aos jornalistas. Dizer para nós jornalistas não podemos fazer perguntas bem humoradas aos candidatos é um tratamento dado para uma criança. É como se a gente não soubesse fazer o nosso trabalho e precisasse de alguém para regulamentar a natureza das perguntas.
- E como ficará a rotina de trabalho do CQC e outros programas que misturam humor e política? Haverá mais cautela nas eleições? O que muda em efeitos práticos?
- Nós estamos muito atentos, com todo o suporte do setor jurídico da Band, para cumprir rigorosamente o que está na Lei. Ou seja, espaço equânime aos candidatos. Não abrir mão do direito de resposta. Mas, infelizmente, os nossos cartunistas não estão mais trabalhando. No CQC, nós temos uma equipe de cartunistas que fazem aqueles desenhos sobre a figura dos entrevistados. E os nossos cartunistas não estão trabalhando no nosso material de campanha eleitoral. Só nas outras reportagens. Eu acho isso lamentável. Porque a expressão do profissional fica tolhida. Nós somos o país do Angeli, do Chico Caruso, que são figuras atuantes nas eleições. Quantas vezes a gente não viu uma caricatura do Lula, dos generais na época da ditadura. Quantas vezes, eu mesmo, moleque, fui impactado pela caricatura de um general, isso durante a ditadura, veja você. Nesse período, os cartunistas podiam comentar, através da sua arte, a política. E agora, em plena democracia, eles não podem. Eu fico assombrado com essa falta de liberdade. Fico envergonhado como cidadão.
- A ideia de impor limites à cobertura nas eleições foi pautado pelo Congresso Nacional, ano passado, durante a discussão da mini-reforma eleitoral. Candidatos que agora disputam a reeleição defenderam, publicamente, os limites na cobertura eleitoral. O que você acha disso?
- Eu acredito que esses parlamentares e candidatos, que tentam limitar o acesso da população à informação, agem com um DNA muito antigo, que é o DNA do coronel-controlador. Esse comportamento ainda está muito vivo no Brasil. É o coronel que é dono da rádio, dono da televisão, dono do jornal. É um cara que não admite a liberdade de informação que a gente vive hoje, sobretudo com a internet. Esse tipo de coronel está sendo varrido do mapa pela história. Mas é claro que como ele ainda controla muitos veículos nos seus currais eleitorais. Ele quer agora decretar o fim da liberdade na internet. Pois ele acha que a internet é como o curral antigo e analógico que ele tem lá na cidade dele. Mas não é! Agora, eu confio no bom senso da Justiça brasileira.
- A conversa já está encerrada e não cabe contestação, na sua avaliação?
- Então … Nós no CQC não contestamos a lei. A gente obedece a Lei. E não estamos procurando fazer uma cobertura que fira essa lei. Mesmo protestando agora como eu estou fazendo com você. Mas a gente acredita que há forma, não de burlar a lei, mas de cobrir as eleições apostando na inteligência dos candidatos, dos partidos e evidentemente dos eleitores. Porque a gente acredita que o eleitor tem interesse, sim, na política. Ele não tem interesse é naquela política formal, amordaçada e controlada. O brasileiro tem interesse, sim, nos rumos da vida dele e da sociedade. É por isso que esse tipo de limitação, na minha visão, só prejudica mais a participação da sociedade. Esse tipo de regulamentação da legisalação eleitoral, na minha visão, afasta ainda mais aquele cara que já estava cansado daquela mesma conversa. O debate eleitoral pode ser equilibrado sem deixar de ser respeitoso. Isso é exatamente o que eu acredito que a gente faça no CQC, mesmo criticando os candidatos e partidos. A gente os trata com respeito. E a gente é, sobretudo, um veículo para que eles se comuniquem com uma fatia importante do eleitorado.
- Essa regra pode gerar ações contra o CQC na Justiça? Isso pode levar vocês a meterem o pé no freio?
- Bom …  eu vou te dizer uma coisa. Se eu não amarelei quando tava o [general João] Figueiredo lá de presidente, eu não posso amarelar agora quando ta lá um presidente, que pra mim, representa uma pessoa que era contra os generais. Eu não quero acreditar que agora, quando o Brasil passa por uma democracia, relativamente madura, a gente vai poder ter esse tipo de medo. Ou de repressão. E eu, veja bem, estou aqui reconhecendo a importância de regular os excessos. Da picaretagem, da malícia, da criação de fatos manipulados e mentirosos. Eu acho que isso tudo tem que ser punido. Como, aliás, já aconteceu em outras eleições. Os tais dossiês, os tais vídeos apócrifos. Agora, a liberdade de crítica e debate, ela não pode ser limitada.
- As eleições mal começaram e a gente sente os primeiros sinais da ausência de debate. Apenas o roteiro da acusação e denúncia. A ausência do humor não torna ainda mais caótico o pleito desse ano?
- Eu acho que nós, jornalistas, não podemos fazer como os jogadores da Seleção, que botaram a culpa na Jabulani, entendeu? Não podemos botar a culpa no eleitor, na lei eleitoral. Nós temos o papel de aquecer esse debate, de questionar os candidatos.  Eu acredito que o eleitor está cansado do papo furado. O eleitor não quer perder tempo com o horário eleitoral, que tem os marqueteiros falando que o mundo é todo azul, que os candidatos são lindos. Que ninguém faz plástica. Que ninguém usa peruca. Que ninguém tem disfunção erétil. Ou seja, é aquele mundo perfeito. O eleitor quer justamente o debate. Eleição, pra mim, é debate de idéias. Debate de planos, de tudo. Tem que ser um debate livre.
- Mas, pelo caminhar das eleições, já percebemos que o debate está totalmente ofuscado pelas estratégias de enfrentamento e guerra verbal entre tucanos e petistas. Você tem a mesma impressão?
- Eu não estou aqui defendendo candidato nenhum, mas o candidato Índio [da Costa, vice de José Serra], por exemplo, vai lá e acusa o PT de ligações com a FARC. A reação do PT é abrir um processo no tribunal da Corte Suprema. Isso que eu acho a loucura brasileira. Essa, na verdade, seria a hora do PT rebater respondendo. Debatendo a posição dele diante das FARC. E não resolver uma questão ideológica com processo. O Brasil é o único país onde isso acontece. É um tremendo retrocesso a gente achar que a democracia brasileira vai crescer porque agora a gente pode ficar processando uns aos outros. É o contrário. Isso não acontece na França, nos Estados Unidos ou na Inglaterra: um partido ser acusado e ele apresentar um processo porque alguém deu aquela declaração. Esse, na verdade, deveria ser o momento do debate. Dos esclarecimentos públicos. E não de abrir um processo para que o juiz decida se aquilo foi ou não agressão.
- Pela forma como o TSE se posicionou sobre a Lei eleitoral, podemos dizer então que essa eleição será marcada pela a ausência de humor. O limite imposto intimidará as coberturas?
- Eu sou um rapaz relativamente velhinho já. Cobri as diretas já. E acredito que não seja a hora, depois de tantos anos, de temermos a democracia. Ou de uma emissora ter medo da multa. Se não, é aquele jogador que não entra em campo porque tem medo do cartão amarelo ou vermelho. Uma emissora ou rádio, que tem a consciência que ela faz uma cobertura equilibrada, mesmo que seja ousada, como faz o CQC, terá consciência que faz dentro da Lei, com justiça, com bom senso, e sobretudo, aberta à crítica, que é o nosso ponto principal do CQC. O CQC está aberto o tempo inteiro para ele ser criticado inclusive pelos políticos. O [José] Genoíno [deputado do PT de São Paulo], por exemplo, não fala com a gente, mas o microfone está permanentemente aberto. Inclusive para ele explicar o fato de não falar com a gente. E para mim, o Genoíno é um símbolo dessa ignorância e postura autoritária. Quer dizer, ele, que para mim, eu falo inclusivamente isso pessoalmente, era o símbolo de um cara bem humorado, pois já o entrevistei várias vezes. O Genoíno era o porta voz da esquerda na direita. Era ele quem falava com Delfim, ACM. Ou seja, ele era o parlamentar na acepção da palavra. Mas virou uma pessoa autoritária, amarga, e preconceituosa com relação ao humor.
- Você encara a decisão do TSE como uma espécie de censura, que te deixou amarrado para a cobertura jornalística das eleições desse ano?
- Eu não estou amarrado. E sugiro que ninguém deva se sentir amarrado. Por que se não, quando eu fazia reportagem em plena ditadura e o Figueiredo era o presidente, iria me sentir mais amarrado ainda. Eu não posso me sentir amarrado com a democracia atual e vigente no país. Acredito muito no bom senso do Serra, da Dilma, da Marina, do Plínio, de entenderem que nós devemos celebrar uma festa democrática. Se não, para que a gente fez todo esse avanço?

  • Quinta-feira, 29 Julho 2010 / 9:18

PIB per capita chega a U$ 10 mil

E agora José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu…
                       * * *
A reportagem é de Klinger Portella, do IG:
“Demorou cinco séculos, mas a economia brasileira está próxima de alcançar a marca de US$ 10 mil de renda per capita, segundo projeções de economistas e dados oficiais tabulados pelo iG. Com a expectativa de apresentar o maior crescimento das últimas duas décadas e meia, o Brasil deve se colocar acima da média mundial do PIB per capita – resultado da divisão entre as riquezas produzidas por um país e sua população.
Ao atingir o novo padrão de renda, uma classe média emergente começa a mudar o perfil da economia brasileira, com o setor de serviços ocupando mais espaço, em detrimento da indústria, segundo dizem economistas. Essa mudança estrutural deve acelerar o ritmo de expansão econômica, a exemplo do que aconteceu com países desenvolvidos, como Estados Unidos e Japão, décadas atrás.
Estimativas da LCA Consultores mostram que, em 2020, o PIB per capita deve dobrar, atingindo a casa dos US$ 22,7 mil. Os Estados Unidos, que bateram os US$ 10 mil per capita em 1978, dobraram a renda exatamente dez anos mais tarde, enquanto o Japão precisou de apenas quatro anos para o PIB per capita saltar de US$ 10,8 mil em 1984 para US$ 23,9 mil em 1988″.
                        * * *
E agora José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu…

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