• Domingo, 10 Abril 2011 / 22:33

Raio de Cristal

   Turistas na nave do Templo da Boa vontade: o lado mítico da cidade como destaque.

Como foi – Sempre faço um tour aos pontos mais simbólicos de Brasília com os amigos que vêm visitar a cidade. Os levo ao Congresso, à Ermida Dom Bosco, ao Parque da Cidade, à Praça dos Três Poderes etc. Invariavelmente se encantam com a arquitetura leve e imponente das obras de Oscar Niemeyer. Mas nunca deixo de levá-los a um lugar surpreendente: o Templo da Boa Vontade, de caráter ecumênico. O passeio faz igual sucesso. Lá, no grande salão, percorrerem descalços o espiral sobre o piso de mármore. Ao chegar o centro, do caminho recebem os raios emanados pelo cristal afixado no topo na nave. À sua frente, está o “Altar de Deus”, criação do escultor Roberto Moriconi, com a representação dos quatro elementos que formam o planeta: o ar, a água, o sol e terra.

  • Segunda-feira, 04 Abril 2011 / 8:38

BC e FH

   Os presidentes Bill Clinton e Fernando Henrique Cardoso nos jardins do Palácio Alvorada, em 15 de outubro de 1997

Como foi – Todo jornalista, por mais calejado que seja, encontra emoção em cada cobertura e jamais deixa de dar atenção a algo que já viu muitas vezes em busca de uma faceta nova.
Foi o caso recente do encontro de Dilma Rousseff e Barak Obama, a primeira mulher e o primeiro negro a presidir seus países. Nessa foto aí, quando FHC recebeu Clinton em Brasília, a novidade ficou por conta da descontração. Apesar da rigidez que o protocolo exige em ocasiões desse tipo, ambos mostraram-se inteiramente a vontade. A cordialidade dos dois realmente impressionou-me e guardei o tema em minha memória depois que deixaram o poder. Treze anos depois, lendo uma matéria sobre a atividade dos ex-presidentes na revista Piauí, vi o quanto realmente se tornaram amigos. Num determinado momento da reportagem, a jornalista Dorrit Harazim conta como o brasileiro foi levado pelo amigo americano para seu
grupo de companheiros, no clube que ministra palestra e conferências pelo mundo, exclusivo para aqueles que comandaram suas nações.

  • Sexta-feira, 18 Março 2011 / 7:08

A gafe de Reagan

 

   Brinde dos presidentes Ronald Reagan e João Figueiredo. Palácio do Itamarati, dezembro de 1992.

Como foi – Um fotógrafo de notícias nunca deixa de dar total atenção aquilo que está cobrindo. Ainda mais quando se trata de uma visita presidencial de um país importante
como os Estados Unidos. Tudo pode acontecer, por mais que tudo esteja previsto para nada ocorrer. Ninguém podia esperar que um homem tão experiente e político veterano como Reagan, fosse cometer uma gafe tão primária. Já o general Figueiredo, dono de humor ácido e franqueza reconhecida,jamais escondia seu descontentamento quando algo o irritava. Foi o que aconteceu no banquete no Itamaraty, em homenagem ao presidente americano, que
estava no Brasil. Ao fim de seu discurso, o visitante ergueu a taça de champagne e a toda voz lançou equivocadamente um brinde em “homenagem ao povo boliviano”.

  • Quinta-feira, 17 Março 2011 / 10:55

Vida de estudante

   Os portugueses dizem que Coimbra é a capital do saber lusitano. Lá está uma das mais antigas universidades da Europa. Duzentos quilômetros perto de Lisboa, a cidade milenar e histórica é conhecida por sua permanente atmosfera de descontração e cultura, cantada em versos do fado e rimas do rock. Jovens de vários países cultivam o sonho de freqüentar as conceituadas faculdades coimbrãs. Tradição é o que não falta. Os alunos mantêm até hoje o costume de usar capas negras para afirmar o orgulho e a condição de universitários. Na lapela das capas, fitas de cores variadas indicam o curso de cada um. Por exemplo: Medicina, laço amarelo. Direito, vermelho. Ciências, verde. Letras, azul. Na semana que antecede os exames finais, os quartanistas fazem uma festa de parar a cidade. Aliás, uma tremenda farra movida pela alegria, paixões e muita bebida.

Como foi - De passagem por Portugal, resolvi ir à tranqüila Coimbra. Dei azar. Ou melhor, sorte. Justamente naquele dia a cidade tão serena que eu conhecera dois anos antes, estava no auge da movimentada folia dos formandos. Deixei de fazer fotos que mostrariam o sossego. Em compensação, vi uma festa que jamais imaginava presenciar.

  • Segunda-feira, 14 Março 2011 / 20:21

 21 de fevereiro de 2005. Heloisa Helena anuncia sua entrada no Partido Socialismo e Liberdade, o PSOL.

Como foi – A então senadora por Alagoas – hoje vereadora em Maceió – foi expulsa do PT na ruidosa crise do Mensalão e teve de buscar nova filiação partidária. Sempre foi uma das mais aguerridas oradoras do Legislativo e até chegou a ser eleita pela revista Forbes como a mulher mais influente da política brasileira. Ficou sem partido por uns tempos, até que um dia reuniu a imprensa para enfim revelar seu futuro. Assim como outros colegas jornalistas, eu também estava lá para documentar o anúncio de Heloisa. Para demonstrar a linha ideológica que adotaria, ela colocou um cartaz na parede e uma estatueta estilizada sobre a mesa de Che Guevara, um de seus ídolos.

  • Terça-feira, 15 Fevereiro 2011 / 12:24

Algo em comum

  Na primeira foto, a mulher lava a calçada de sua casa, no centro da cidade de Senador Pompeu, interior do Ceará. Na segunda, padres franciscanos almoçam num restaurante na beira da estrada que liga Roma a Assis, na Itália.

Como foi – À primeira vista, não há nada em comum entre essas duas cenas. Mas há. Explico: em julho de 1997, passei doze dias em três estados do Nordeste fazendo reportagem sobre educação básica. Por onde andei encontrei essas cadeiras que aparecem na foto. Em frente às casas, nos bares, nas festas de família etc. Aliás, você também já deve tê-las percebido por onde tenha ido. Era tão maciça sua presença que me soou uma novidade que eu não podia deixar de registrar. Por ser um utensílio corriqueiro, imaginei ser um produto lançado somente no Brasil. Que nada. Duas semanas após, eu estava bem longe do Ceará. Na Úmbria, Leste da Itália, para outra matéria. Desci do automóvel para um lanche. Não é que lá estavam cadeiras do mesmíssimo modelo? Um grupo de padres sentava-se nelas para comemorar na cantina a visita a Assis, cidade onde nasceu São Francisco. Se naquela época eu pensava que a globalização abrangia somente o comportamento da sociedade, tive a certeza de que alcançava até mesmo os objetos mais simples.

  • Segunda-feira, 31 Janeiro 2011 / 14:45

Débora e Corona

 

Vernissage do filme Bete Balanço, em São Paulo. 1984

Como foi – Dirigido por Lael Rodrigues, o filme fez o maior sucesso. A trilha sonora tem participação de várias bandas de rock, entre elas o ‘Barão Vermelho’ e os ‘Titãs’. Virou o assunto da mídia, inclusive para a ‘Veja’. E foi para a revista que fui cobrir seu lançamento no Auditório Ibirapuera. Foi um show de luzes e cores que varou a madrugada, com muita música e aplausos para a performance dos artistas Débora Bloch e Lauro Corona, presentes à festa. Foi a última peça cinematográfica estrelada pelo jovem ator e modelo carioca. Corona viria falecer cinco anos depois, supostamente vitimado pela AIDS, assim como o cantor e compositor Cazuza, autor do principal tema musical do longa-metragem.

  • Sábado, 01 Janeiro 2011 / 11:22

Luiza Erundina

   Na eleição para a prefeitura de São Paulo, em 1988, nem mesmo o PT acreditava na vitória de sua candidata, Luiza Erundina, contra Paulo Maluf. Ela venceu e se tornou a primeira mulher a governar a capital paulistana. O eleitorado gostou de sua história de vida. Nascida na pequenina Uiraúna, no
sertão da Paraíba, era filha de uma vendedora de bolos na feira com um agricultor. Com os sacrifícios da família humilde, formou-se em Serviços Sociais em João Pessoa. Mudou-se para São Paulo, fez pós-graduação na USP e retornou para o Nordeste. No início dos anos 1970, no auge do regime militar, foi perseguida. De volta ao Sul, ingressou no Partido dos Trabalhadores e foi trabalhar junto aos favelados. Elegeu-se vereadora e foi escolhida prefeita da quarta maior cidade do mundo, com 1.534.547
votos. Ao findar seu mandato, aceitou o convite do então presidente Itamar Franco para se tornar também a primeira petista com cargo de ministro, a Secretaria da Administração Federal, contra a vontade de um certo Luis Inácio Lula da Silva, líder de seu partido naquela época.

Como foi – Era uma foto para ilustrar uma matéria-perfil de Erundina na Veja. Cheguei ao hotel em que ela se hospedava conhecendo sua trajetória de vida. Nem foi preciso usar o tempo que pedi à sua assessoria para retratá-la. Em dois minutos resolvi. Tive a sorte de encontrar na portaria o piso em
forma de xadrez, que bem compunha com o momento de nossa personagem.

  • Quarta-feira, 29 Dezembro 2010 / 23:30

Palavra do João

  Cleveland, nos Estados Unidos. Após ser operado do coração, o então presidente João Figueiredo faz sua primeira caminhada de recuperação. Ao seu lado, a mulher dona Dulce, o ajudante de ordens major Dourado, o médico doutor Salmito, o amigo Gazale e outros assessores. Julho de 1983.

Como foi – Uma das maiores características do general Figueiredo era a franqueza. Costumava falar o que lhe vinha à cabeça, mesmo em situações pouco confortáveis. Demonstração disso foi o que disse, segundos depois dessa foto, na mansão em que se recuperava da cirurgia a que foi submetido. Era na capital de Ohio o principal centro hospitalar para cardíacos. O presidente foi para lá porque os médicos constataram a necessidade imediata da implantação de pontes de safena. Cerca de 30 jornalistas ficaram em Cleveland por mais de um mês. Afinal, era notícia o perigo que corria a vida do presidente do Brasil. Aconselhado pelo Secretário de Imprensa, ministro Carlos Átila, o João saiu para – com um passeio pelos jardins – mostrar seu estado saudável. Ao aproximar-se de nós, o repórter Merval Pereira, meu companheiro de Veja, fez a inevitável pergunta de como se sentia. No seu melhor estilo, Figueiredo respondeu: “Me sinto um peru de Natal, com o peito todo costurado”.

  • Segunda-feira, 27 Dezembro 2010 / 13:29

Rio beleza

Praia de São Conrado em manhã de sábado. Turista européia passeia de carona no panorâmico vôo de asa delta. Na areia, banhistas curtem o sol e as águas do mar.

Como foi – Morei no Leblon, Leme e Alto da Boa Vista. Trabalhei durante anos n’O Globo e no JB. De volta para casa, passava todas as noites pela favela do Borel. Uma tremenda aflição. Estou sempre no Rio, sei exatamente o que é bom e o que não é. Aliás, o que é bom no Rio é muito bom. E o que é ruim é muito ruim. Como a questão que agora aflige a cidade, a guerra do tráfico. Mas é impossível negar sua enorme vocação para a beleza. A começar pela própria geografia, com praias de fazer inveja a qualquer outro lugar, do Leme ao Pontal. Sem falar do Pão-de-Açúcar, a Floresta da Tijuca, a Quinta da Boa Vista, o Aterro do Flamengo, o Jardim Botânico, o Corcovado… Mais ainda, shows musicais, o embalo das escolas-de-samba, o domingo de Maracanã, bons bares e restaurantes e, sobretudo, o lado bem humorado carioca. Impossível também resistir o uma foto como essa aí.

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