• Sábado, 24 Março 2012 / 13:05

Lei 6.683

  

      Populares comemoram a aprovação da Anistia negociada por nomes do governo e da política, entre eles o general Golbery do Couto e Silva e o ministro Petrônio Portella. Foi enviada pelo presidente João Figueiredo ao Congresso, onde foi aceita com larga maioria de votos. Praça dos Três Poderes, 28 de agosto de 1979.

Como foi – Naquele dia, eu estava no segundo andar do Planalto com os demais jornalistas que cobríamos a Presidência da República à espera da cerimônia de promulgação da Anistia. Já tinha fotografado ao longo de anos um sem número de manifestações nas ruas, reuniões no palácio, sessões no Congresso e personagens intrinsecamente ligados ao tema. Autoridades, culpados e inocentes, algozes e vítimas. Dessa vez, era hora de retratar o povo na praça comemorando a assinatura da Lei 6.683, que perdoava os brasileiros envolvidos em crimes políticos e eleitorais, além de devolver a todos esses direitos, fossem civis ou militares. Sob a gigantesca bandeira do Brasil, entoavam o Hino Nacional. Dias depois, centenas de exilados no Exterior estariam voltando ao País para curtir novamente a democracia.

  • Terça-feira, 31 Janeiro 2012 / 19:26

Sois rei?

  

   Bertrand Maria José Pio Januário Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança e Wittelsbach. Esse seria o nome do provável rei do Brasil, se o país ainda vivesse sob a regência da monarquia. E também se não houvesse controvérsias sobre a justa sucessão e de qual ramo familiar teria direito ao uso da coroa. É que duas vertentes da nobreza — de Petrópolis e de Vassouras, no estado do Rio de Janeiro — reivindicam a posse do trono. Descendente direto da dinastia Orleans e Bragança, filho de D. Pedro Henrique e de Dona Maria Isabel, princesa da Baviera, Dom Bertrand, hoje com 57 anos, nasceu na pequena cidade de Mandelieu, nos Alpes Marítimos, na França. Passou a juventude na Europa e mudou-se para cá na época da Segunda Guerra Mundial. Solteiro, é adepto da Tradição, Família e Propriedade, a TFP, elite católica conservadora. Ao contrário do veio liberal, representado pelo recém falecido Dom Pedro Gastão.

Como foi – Em 1993 eu trabalhava na Veja e fui fotografar Dom Bertrand. Era a época em que aconteceu aconteceu o plebiscito para que o povo brasileiro confirmasse a permanência da República ou a volta do Império. Ele esteve no Congresso Nacional em campanha para assumir a cadeira imperial outrora ocupada por Pedro I. Mas a população brasileira decidiu contra seu desejo com quase 50 por cento dos votos e somente 7,5 a favor dos monarquistas.

  • Terça-feira, 03 Janeiro 2012 / 10:43

Silvio Santos vinha aí

  1989. Entrevista coletiva no Comitê de Imprensa do Senado, em Brasília. O apresentador de TV Silvio Santos, então com 59 anos, anuncia sua candidatura a presidente da República.
Como foi – Resolvi incluir na foto o espanto dos jornalistas. Ninguém acreditava, mas era pura verdade. Silvio Santos era mesmo candidato a presidente da República. Depois de 21 anos governado por seis presidentes escolhidos por via indireta, o Brasil vibrava com a volta das eleições livres para o cargo. Vinte e dois concorrentes se apresentaram como pretendentes ao Palácio do Planalto. Ente eles, o apresentador de tevê e dono do Grupo SBT. Uma equipe de marqueteiros chegou a montar peças para a campanha, como esse bótom da foto e o jingle que usava a mesma estrutura musical de seu programa. Ao invés de Silvio Santos vem aí!, Silvio Santos já chegou! Seu sonho, porém,
não prosperou. O TSE cassou o registro de sua candidatura porque o partido a qual se filiara, o PMB, apresentava irregularidades em seu registro. Fernando Collor foi o eleito. Lula ficou em segundo.

  • Sábado, 27 Agosto 2011 / 22:51

Piano em Ipanema

 

      Impossível esquecer um dos deuses da música, o maestro Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, falecido em Nova Iorque em 1994. Carioca da Tijuca, o maestro Tom Jobim mudou-se para a Zona Sul do Rio, onde juntou-se a
um grupo de letristas, poetas e instrumentistas e acabaram produzindo o que há de mais qualitativo na música seja no Brasil ou no Exterior. Entre dezenas de maravilhas musicais, é dele em parceria com Vinicius de Moraes, a canção
brasileira mais tocada no planeta: “Garota de Ipanema”. Sem falar dos sucessos que fazem parte do repertório da fina flor de cantores e cantoras do mundo. Tom nasceu para a música. Era compositor, pianista,letrista, cantor, flautista,
violonista, arranjador, e sobretudo, poeta.

Como foi – Não sei como o companheiro Flávio Pinheiro, chefe da redação de Veja em 1985, conseguiu convencer Tom Jobim. Mas lá estava o maestro, na Praia do Arpoador às 6 e 50 da manhã diante de um piano posto sobre as areias, ao ar livre. Flávio havia dedicado dias na apuração da matéria. Só faltava a foto de capa. Tom topou. O piano não foi tão difícil. A luz estava perfeita, transparente, o maestro de muito bom humor e o céu do Rio azul como nunca. Nem cheguei a interferir na pose. Era justo o que o lay-out do diretor de arte previa. Em quinze minutos, enquanto ele fazia acordes de algumas melodias, fiz três rolos de cromos. O bastante para garantir a capa da edição 842. Fiquei
exultante, bela foto. Acompanhei o maestro até o automóvel, enquanto os carregadores começavam a transportar o piano de volta para o caminhão de mudança. De repente, pouco antes de chegar à porta do seu carro, Tom parou.
Acenou para os homens do piano e pediu para esperá-lo por um instante. Sentou-se novamente no banquinho e disse-me, com o rosto iluminado pelos primeiros raios de sol de Ipanema: – Faltava essa! E começou a tocar “Manhã, tão bonita manhã”, de Luiz Bonfá e Antonio Maria. Depois da última nota, olhou a paisagem, levantou-se e voltou sorridente ao volante do seu Voyage verde-água. Saiu dirigindo de vagarinho no rumo do Jardim Botânico. Voltei para São Paulo com fotos que jamais imaginei fazer e mais ainda fã.

  • Segunda-feira, 15 Agosto 2011 / 0:14

Baden-Baden de Powell

 Alunos alemães fazem ensaio musical para um festival de sanfonas.

Como foi – Após a cobertura de uma visita presidencial à Alemanha, fui fazer uma reportagem na cidadezinha de Baden-Baden, perto de Karlsruhe. Meu personagem morava lá. Era o notável violonista Baden Powell, nascido em Varre-Sai, no Rio de Janeiro. Ao chegar, vi uma grande movimentação numa espécie de centro de convenções, num jardim. Era um festival de jovens acordeonistas. Evidentemente eu batera na porta errada. Mas um professor do conservatório fez questão de levar-me até à casa do músico brasileiro, de quem ele era amigo e fã.

  • Sábado, 30 Julho 2011 / 19:44

Botero na praça

Os gordinhos de bronze de Fernando Botero na Piazza Della Signoria, em Florença.

Como foi – Pela Internet a gente fica inteirado das últimas novidades, dos mais variados assuntos. Sempre achei o máximo os quadros e as esculturas das figuras de mulheres e homens gordotes do artista plástico colombiano Fernando Botero. Pois foi
viajando pela Net que vi uma notícia sobre dois leilões realizados em Nova Iorque no qual duas de suas obras foram arrematadas por valores que ultrapassaram um milhão de dólares, a pintura “Cena de Família” e a escultura de bronze “Mulher Fumando”. Na hora corri para consultar meu arquivo de fotos, pois me recordei de quando fui a Florença, 1995 – para uma matéria para uma  revista de São Paulo – e pude ver de perto a grande exposição que Botero começava a fazer em várias cidades do mundo.

  • Sexta-feira, 08 Julho 2011 / 12:17

A hora do descanso

A Itália tem em torno de 20 milhões de aposentados. Um para cada trabalhador ativo.

Como foi – No Brasil nem tanto. Mas em outros países, é comum os aposentados irem morar no interior para fugir do alto custo de vida das cidades de grande porte. Constatei isto de perto em todas as vezes que fui, por exemplo, à
agradável e hospitaleira Gubbio, na região da Úmbria, na Itália. Chamou-me a atenção que nos fins de tarde dezenas deles reúnem-se nas pracinhas para curtir o passatempo predileto: jogar bocha. Dos 20 mil moradores de Gubbio, em torno da metade é de aposentados. Média muito parecida com a da própria Itália. Para cada contribuinte, existe um inativo. Essa foto, na verdade, não mostra somente os momentos de lazer do grupo de velhinhos italianos. Abre uma janela para observar a economia global. Um dos objetivos dos governantes é equilibrar a entrada de novas forças de trabalho no mercado produtivo com o envelhecimento da população. Em alguns países, constata-se a queda nas taxas de natalidade e o crescimento cada vez maior da expectativa de vida dos idosos.

  • Domingo, 08 Maio 2011 / 17:03

Brasília, 1976. Gonzaguinha em um dos primeiros shows de sua curta e brilhante trajetória. Filho do célebre sanfoneiro pernambucano Luiz Gonzaga, morreria em um acidente automobilístico 15 anos mais tarde em uma rodovia do Paraná.Na sexta-feira passada, dia 29, a morte do genial Gonzaguinha completou 20 anos.

Como foi – Carlos Marchi, colega de redação d’O Globo, pediu-me para dar uma força a um amigo carioca que estava lançando seu primeiro disco. Pensei tratar-se de um daqueles casos contumazes de gente que faz portfólio à custa das amizades. Qual nada! Era o “moleque” Gonzaguinha dando início uma bela carreira musical. Às nove da noite estava eu fotografando a apresentação daquele magrinho de barba rala, autor de canções com letras de extrema qualidade. Embora jovem, o filho de Gonzagão já figurava na lista daqueles que a censura não tirava os olhos. Para não desmerecer a fama de contestador do regime militar, no intervalo de duas melodias tirou do bolso um pequeno discurso e abriu o verbo contra as ditaduras latino-americanas. No fim do show, três agentes do DOPS cercaram-me e exigiram meus filmes. Não era a primeira vez que isto me acontecia. Não ofereci resistência, tirei da câmara o rolo e o entreguei. Claro que era um filme “frio”. O principal eu já havia escondido embaixo de uma das cadeiras do ginásio. Horas depois voltei para resgatá-lo. Estava no mesmo lugar. Ainda bem. Umas das fotografias que ele continha é essa aí que somente agora estou a publicar, trinta e cincos anos depois.

  • Sábado, 23 Abril 2011 / 10:36

Good bye

     A principal avenida do país, que liga o Palácio do Planalto à Esplanada dos Ministérios. 13.26 horas, sábado, 19 de março.

Como foi – Antes da visita de Barak Obama, fiz cobertura da viagem de seis presidentes americanos ao Brasil: Jimmy Carter, Ronald Reagan, Bill Clinton, Bush pai e Bush filho. Em todas vi o rigor do pessoal da segurança, o que é natural porque afinal trata-se de proteger a integridade do homem que dirige a nação mais poderosa do planeta. Compreende-se, enfim. Mas pela primeira vez viu-se algo que beira a paranóia: a proibição da circulação de automóveis e pessoas num raio de quase de um quilômetro. Ultrapassou o exagero. É só ver nessa foto aí, a Avenida N-1 inteiramente vazia.

  • Segunda-feira, 18 Abril 2011 / 1:44

Vida de estudante


  Os portugueses dizem que Coimbra é a capital do saber lusitano. Lá está uma das mais antigas universidades da Europa. Duzentos quilômetros perto de Lisboa, a cidade milenar e histórica é conhecida por sua permanente atmosfera de descontração e cultura, cantada em versos do
fado e rimas do rock. Jovens de vários países cultivam o sonho de freqüentar as conceituadas faculdades coimbrãs. Tradição é o que não falta. Os alunos mantêm até hoje o costume de usar capas negras para afirmar o orgulho e a condição de universitários. Na lapela das capas, fitas de cores variadas indicam o curso de cada um. Por exemplo: Medicina, laço amarelo. Direito, vermelho. Ciências, verde. Letras, azul. Na semana que antecede os exames finais,os quartanistas fazem uma festa de parar a cidade. Aliás, uma tremenda farra movida pela alegria, paixões e muita bebida.

Como foi - De passagem por Portugal, resolvi ir à tranqüila Coimbra. Dei azar. Ou melhor, sorte.Justamente naquele dia a cidade tão serena que eu conhecera dois anos antes, Estava no auge da movimentada folia dos formandos. Deixei de fazer fotos que mostrariam o sossego. Em compensação vi uma festa que jamais imaginava presenciar.

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