• Sexta-feira, 24 Setembro 2010 / 10:00

Presidente ou Presidenta?

     

    Verissimo, com sua infinita sabedoria, disse ontem, em ‘O Globo’, que a discussão é  se  Dilma Rousseff, a partir de 1º de janeiro de 2011,  deve ser tratada como  Presidente ou Presidenta.
O site da candidata, e o comando de sua campanha, não tocaram ainda no tema.
O slogan da candidata é Dilma Presidente.
Mas quando trata do futuro, se refere a ela como Presidenta Dilma – tratamento que certamente ela preferirá.
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No serviço publico federal existe hoje uma só mulher presidindo uma empresa, no caso a Caixa Econômica, Maria Fernanda Ramos Coelho, que se intitula Presidenta.
Elle Gracie, em seu curriculo, diz que, em 2006, foi eleita Presidente do Supremo, mas se dizia Ministra-Presidente.
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O Aurélio ensina que as duas formas estão corretas.
O professor Hélio Consolaro escreveu sobre o tema:
“A predominância do masculino na língua reflete o machismo. Se houver numa sala 39 mulheres e um homem, o orador deverá usar o masculino na sua invocação: prezados senhores… No máximo, falará: prezadas senhoras e prezado senhor. Ofenderia o macho presente se o orador generalizar pelo feminino e dissesse apenas: prezadas senhoras.Assim, em passado recente, não havia feminino de presidente e nem de hóspede. Agora, depois da luta das mulheres na sociedade, os dicionários já registram e a gramática aceita os femininos: presidenta, hóspeda”.
Na hierarquia militar, não existe o feminino. Ninguém é soldada ou sargenta.
“As soldadas – diz o professor – se sentem sendo tratadas como homens, mas há mulheres que escrevem versos e não gostam de ser chamadas de poetisas, querem ser tratadas de poetas, acham que o feminino as desvaloriza. Isso também é machismo, e pior, machismo do feminino.
Talvez seja apenas preocupação de um professor de Português e os soldados femininos estejam gostando desse tratamento”.
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A forma como os jornais passsarão a tratá-la, será um termômetro sobre o futuro do relacionamento da mídia com Dilma.
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Na época em que editei o ‘Jornal do Brasil’, o Presidente Fernando Henrique Cardoso era tratado como Sr. Cardoso.  A ordem era: nada de intimidades.
Fernando Henrique nunca gostou disso e deixou chegar, à presidência do JB, a sua insatisfação.
O Dr.Nascimento Brito dizia que seu jornal era “sério e grave” – argumento que eu utilizada para continuar chamando o Presidente de Sr. Cardoso. Afinal, no NYT ele era Mr. Cardoso e no ‘Le Monde’, M.Cardoso. Não tinha porque sermos diferentes.
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No dia seguinte a minha saída do JB, em agosto de 1995 - basta consultar a coleção do jornal – Fernando Henrique passou a ser tratado, pelo jornal, como FH – como seus marqueteiros sugeriam e ele tanto desejava.
FH soava como JK.
Por isso, a oposição sempre o chamou de FHC.
Para quebrar o seu encanto.

  • Quarta-feira, 22 Setembro 2010 / 14:57

EBC, Franklin e Miguel Arraes

     A EBC está sendo acusada de contratar uma empresa de arquivos digitais onde trabalha o filho do ministro Franklin Martins. E daí? Qual o problema?
O contrato é legal?
A empresa efetivamente presta o serviço para o qual foi contratada?
Existe algum super-faturamento na contratação?
A EBC precisa, efetivamente, dos préstimos de uma empresa de arquivos digitais?
Essa é a questão.
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Essa história me faz lembrar o querido Miguel Arraes, em Argel, em setembro de 1979, providenciando com a família a mudança para voltar ao Brasil.
A lenda dizia que o ex-governador de Pernambuco havia enriquecido, no exílio, graças a uma empresa de importação e exportação, com sede em Paris.
Perguntei a ele o que havia de verdade na história, e ele confirmou que a empresa realmente era um sucesso de empreendimento. E explicou:
- Mas ela não é minha. Pertence a um de meus filhos.
- Mas é claro que o senhor tem influencia sobre ela – retruquei.
- Nenhuma. Olhe só… Tenho outro filho que é funcionário da ONU, em Nova York. E minha influência junto as Nações Unidas é praticamente zero.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 20:59

‘Folha’ queria ser o JB

A Folha.com – sabe-se lá por que  – se institula o “primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa”.
Engano dela… para ser elegante.
A primeira publicação online do país foi o ‘Jornal do Brasil’ – a partir de setembro, lamentávelmente, apenas em sua versão eletrônica.
A ‘Folha’ sempre acreditou em marketing e, certamente por isso, insistiu na mentira.
Na época em que o velho JB comemorou seu centenário, eu era o seu editor-chefe. Isso foi em 1991.
Quatro anos depois, com o trabalho competente e inestimável do editor-executivo Rosental Calmon Alves, o ‘Jornal do Brasil’ tornou-se exatamente o que a ‘Folha’ gostaria de ter sido.
No dia 28 de maio de 1995,  assinei um artigo na primeira página do jornal -  o único na primeira página durante todo o período em que o editei – saudando aquele  feito.
Dirá a ‘Folha’ que o JB foi o primeiro jornal brasileiro na Internet, mas eles foram o primeiro em tempo real.
Também não é verdade.
Quando lançamos nossa versão online, já trabalhávamos – há tres meses – com notícias em tempo real,  principalmente o noticiário referente a Bolsa de Valores.
De qualquer forma e, para que não reste mais dúvidas, aqui está a primeira página do JORNAL DO BRASIL daquele data, com o artigo assinado. Caso a ‘Folha’ tenha qualquer outro documento que desminta o texto que  segue, basta enviá-lo.
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O JB no ciberespaço

O JORNAL DO BRASIL prova que mantém viva sua tradição de pioneirismo. A partir de hoje, lançamos oficialmente o primeiro jornal online do Brasil, e nos juntamos assim ao seleto grupo de publicações, em todo o mundo, que estão diariamente acessíveis, via computador na rede Internet, a mais de 30 milhões de pessoas no planeta.
Na verdade, muita gente já conhece a edição eletrônica que desde a noite do dia 8 de fevereiro funcionava em caráter experimental. As mais de 500 mensagens enviadas por computador nestes 110 dias, a partir da própria edição online, atestam a aceitação e a qualidade do serviço.
Em sua fase inicial, o JB Online tem duas seções principais. Na primeira, está a edição sucinta do jornal do dia, com textos e fotos, onde o leitor poderá, através do sistema hipertexto, navegar ou surfar por toda a edição eletrônica. A outra seção é um serviço extra para o leitor do JB. A cada dia, algumas reportagens do jornal impresso terão uma indicação de que um complemento está disponível na edição online: poderá ser a extensão da reportagem, um texto correlato ou a versão completa de algum documento.
Não deixaremos de publicar nada com o lançamento do JB Online (leia reportagem na página 1 do caderno Negócios & Finanças). Mas aproveitaremos esse novo meio para colocar à disposição dos nossos leitores informações adicionais, como o quadro detalhado do comportamento da bancada federal do Rio nas votações das reformas constitucionais, cuja reportagem está na página 5 de hoje, ou mesmo serviços, como é o caso do programa da Receita Federal para declaração do Imposto de Renda em disquete, que passamos a oferecer diariamente no JB Online.
Enquanto entramos no chamado ciberespaço, continuamos nossos esforços para melhorar o seu JB. A partir de hoje, o leitor ganha um B mais atraente e dinâmico, com uma paginação mais ágil e moderna. Em um espaço maior, o B se diversifica sem abandonar o debate cultural; apresenta um roteiro simplificado, facilitando a consulta do leitor; amplia a cobertura crítica de televisão; e passa a publicar, a exemplo do primeiro caderno, uma página de pequenas notas, ampliando o número de informações. Seu novo visual rejuvenesce o primeiro e mais importante caderno de tendências, modismo e comportamento, que imprime diariamente suas marcas na cultura do país.

Dacio Malta
Editor

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